Santa Catarina, de larga expansão em valores naturais e de outras riquezas – habilmente lapidadas pelas mãos do homem – tem em quase todas as suas cidades algo que lhes represente como símbolo maior e de fácil identificação. Referenciais que alavancam ainda mais as suas imagens e avançam no progresso, mais no que se fale de turismo.
Araranguá, por exemplo, tem como carro-chefe de suas atrações as interessantes escarpas do balneário Morro dos Conventos. Em Laguna: o não menos atraente Farol de Santa Marta – e como se fosse pouco, a massificação da imagem de Anita Garibaldi, famosa demais no Brasil e outro tanto na Europa. Já Florianópolis, todos sabem, a belíssima ponte Hercílio Luz, singular edificação erguida em 1926 e que também é o símbolo oficial do estado.
E Tubarão, o que tem para mostrar? Sim, nós temos algo muito importante: o trem – e como temos! Inclusive, com a instalação de um belíssimo museu para quem mais quiser saber ou ver sobre ele. Por favor, não confundir o símbolo oficial da cidade com a busca da origem do nome do lugar. No caso, não está em discussão a velha e tão debatida questão do índio e do peixe.
E não faltam outros argumentos e justificativas para que a sempre bela Maria Fumaça vire o símbolo oficial da cidade: não é de hoje, e Walter Zumblick – quem mais sabia do assunto – nos confirma em suas perpetuadas obras literárias, que Tubarão sempre andou muito bem, enquanto – firme e forte – esteve caminhando sobre os trilhos de nossa eterna Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina, sólidos paralelos de aço fixados nos resistentes dormentes de peroba, maçaranduba ou ipê.
Tanta verdade se tem nisso, que, para onde quer que se olhe na nossa Cidade Azul, sempre há algo que lembre e mantenha viva a imagem de nosso maior e mais antigo alicerce de sustentação. Graças ao trem, que aqui chegou no século 19, fomos, independentemente de governos, a Capital Energética e a Capital do Sul; esta pelo progresso incontestável alcançado nos anos 50 e 60, conhecidos também como Anos Dourados do Século 20 e, aquela, por promover o aproveitamento do carvão de pedra como matéria prima, valioso minério que aqui chegava, vindo mais do sul, em muitos vagões puxados pelas valentes locomotivas.
Mais de perto, e de ponta a ponta, Capivari (hoje município) e o bairro de Oficinas – local sede do Museu Ferroviário – que nos digam o quanto lhes foi valiosa a presença das fumegantes máquinas. Sabendo-se que o primeiro foi brindado com as instalações da Sotelca e da Companhia Siderúrgica Nacional, e o segundo, com as oficinas de manutenção que, inclusive, emprestaram, e com muita propriedade e justiça, o nome ao mais populoso bairro de Tubarão.
E assim, do conjunto da obra, frutificou o progresso de nossa Cidade Azul. Vieram no magnífico comboio dos bólidos ferroviários, os melhores empregos e a sociedade mais firmemente constituída. Surgiram, então, um forte comércio, bons clubes recreativos, respeitados times de futebol e escolas de bom nível.
Com a palavra, pois, quem possa mais fazer para que a Maria Fumaça venha a ser o símbolo oficial da cidade.

