Alice Goulart Estevão
Tubarão
Perdão, humildade e serviço: estes são os três exercícios pelos quais Lúcia Flávia Corrêa Garcia vive. Natural de Tubarão, a orientadora educacional é um exemplo de mulher batalhadora. Uma filha de seis irmãos, com origem humilde. O pai era panificador e a mãe trabalhava no Correio. Formou-se na Unisul e fez pós-graduação em psicossociologia na Pontifícia Universidade Católica (PUC).
Começou a exercer a profissão no colégio Dehon, em 1971, e mais tarde como professora universitária. “Fui feliz na minha carreira. Mas, naquela época a mulher não tinha muita escolha. Se pudesse ter escolhido, teria optado pelo trabalho artístico, no teatro ou na dança”, conta.
Há 20 anos, a partir de um convite do ex-prefeito Estener Soratto, surgiu a oportunidade de se tornar a segunda vereadora mulher eleita. “Em tudo, as mulheres precisam trabalhar o dobro. Se for para entrar com medo, é melhor não ir. Os homens têm uma vantagem, que é a cumplicidade entre si”, salienta. A relação com os colegas vereadores era boa, mas era preciso se impor para ser ouvida e respeitada.
Na época, ocorreu um caso inusitado. Devido à ausência de dois vereadores, outras duas mulheres assumiram: Aida Sandrini e Marta Estelina da Silva Vargas, a Marta Parteira. “Foi muito legal ter três figuras femininas lutando pelas mesmas causas”, confessa.
Mais tarde veio a ideia de abrir a Associação das Donas de Casa, dos Consumidores e da Cidadania (Adocon), em Tubarão. Em 1996, ela, Reneuza Borba e mais umas dez pessoas passaram a trabalhar na orientação e defesa dos consumidores. Após 30 anos de trabalho para o estado em diversos cargos, veio a aposentadoria, mas não o fim. Por meio da igreja e das escolas, sua missão continua com a realização de palestras e participação em projetos sociais.
Uma nova batalha
Há um ano e dois meses veio um choque: um câncer de mama inoperável. “Eu já tive há 20 anos, mas consegui curar com pouca quimioterapia. Dessa vez apareceu entre uma artéria e uma veia, e mais agressivo”, revela. Um mal que veio para o bem. De acordo com a professora, foi um freio necessário em sua vida. Passou a cuidar mais de si e menos das coisas materiais. Aproveitou para valorizar o tempo com o marido, dois filhos e neto. Hoje comemora, pois está 95% curada. A partir do próximo mês, planeja voltar a todo vapor. Grupo Girassol, Adocon, Jovens Unidos pela Paz (Jovup), entre outras entidades, contam com a participação devotada de Lúcia Flávia.
Mulheres atuantes
Um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) colocou o Brasil em 129º lugar em um ranking da proporção de mulheres nos parlamentos. Havia 189 países na pesquisa, o Brasil ficou atrás de países islâmicos como Paquistão, Sudão e Emirados Árabes Unidos. No próprio município, em Tubarão, há apenas vereadores homens na câmara. Dados do IBGE, de 2013, revelam que as mulheres representam 51,3% da população brasileira, no entanto há apenas 8,6% delas no parlamento. Sua esperança é nessa geração. “O machismo é cultural. O Brasil não educa as mulheres para buscarem mais. Elas precisam ser estimuladas para que a participação feminina aumente”, reflete.
Dia Internacional da Mulher
No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque ocuparam a fábrica e começaram a realizar uma greve para reivindicar melhores condições de trabalho. No entanto, a manifestação foi reprimida com violência e as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas. Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”. Porém a data só foi oficializada em 1975 pela ONU.

