Karen Novochadlo
Tubarão
A professora de biologia Márcia Borges Joaquim, 46 anos, trabalha há 20 anos em escolas estaduais. Além da graduação, ela tem uma especialização em educação ambiental. Hoje, o governo a remunera com R$ 1,3 mil. De acordo com os cálculos do Sindicato dos Trabalhadores em Educação em Santa Catarina (Sinte) e com piso salarial nacional, deveria ganhar o dobro. “Hoje, sinto que a minha carreira, os anos de dedicação e estudo foram para o lixo”, indigna-se.
Ela estava ontem entre os 250 professores que participaram da assembleia do Sinte em Tubarão. Dos sete municípios integrantes da secretaria de desenvolvimento regional em Tubarão, cinco têm professores em greve. Profissionais de Treze de Maio e Pedras Grandes não aderiram à paralisação.
Conforme os cálculos da gerência regional de educação em Tubarão, dos 1,2 mil profissionais, 250 estão em greve. No total, 30 escolas foram afetadas. Já os integrantes do Sinte, calculam que a greve atingiu 38 escolas da região. A Escola, Marechal da Luz, em Jaguaruna foi a única totalmente paralisada.
Na assembleia, os professores receberam orientações quanto à greve. “Não estamos pedindo um aumento, e sim que seja cumprida a lei. Cerca de 75% das escolas aderiram”, revela a coordenadora regional do Sinte, Terezinha Botelho Martins. A greve ocorrerá por tempo indeterminado.
Hoje, será realizada uma assembleia com os professores de Braço do Norte. No evento, serão discutidas questões pertinentes à manifestação.
Na manhã de segunda-feira, a coordenação do Sinte e a diretoria da secretaria estadual de educação farão uma nova reunião para rever a implantação do piso.
Passeata é realizada em Laguna
Professores da rede estadual de Laguna, Imbituba, Imaruí, Garopaba e Paulo Lopes realizaram ontem uma passeata pelo Centro da Cidade de Anita. Pelos cálculos da gerência regional de educação em Laguna, 30% das escolas estão paradas.
Cerca de 60% do professores aderiram à greve. Já de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação em Santa Catarina (Sinte), entre 65% e 70% dos professores estão parados.
Os manifestantes também participaram de uma assembleia. Hoje, integrantes do Sinte visitarão as escolas. “Iremos trazer mais professores para a nossa luta”, ressalta o coordenador regional do Sinte em Laguna, Rudmar Corrêa.
Professores municipais realizam assembleia
Hoje, será realizada uma assembleia com os professores da rede municipal de ensino em Tubarão. De acordo com a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores na Área Educacional da Rede Municipal de Tubarão (Sintermut), Antonia Rodrigues Garcia da Rosa, no encontro serão discutidas as propostas elaboradas pela prefeitura quanto ao Plano de Carreira e Remuneração do Magistério.
Nenhum professor municipal aderiu à greve dos profissionais da educação do estado. Desde 2009, a prefeitura de Tubarão paga aos professores o salário de R$ 1.022,00.
Reivindicações dos professores
♦ Aplicação do piso nacional do professor.
♦ Revisão da política de municipalização do ensino fundamental.
♦ Realização imediata de concurso público.
♦ Revisão da lei dos ACTs.
♦ Solução para os problemas estruturais, de segurança e de mobilidade nas escolas.
♦ Regulamentação da lei 412/2008, que prevê o reajuste das aposentadorias por invalidez permanente.
♦ Gestão democrática, respeito à autonomia das escolas e fim das terceirizações na área da educação.
♦ Estabelecimento de um calendário para o prosseguimento das negociações.

