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Mais peças serão resgatadas

Mergulhadores do projeto Barra Sul fazem o mapeamento do local onde está a pedra triangular. O objeto e dois ornamentos na forma de bola serão retirados do fundo do mar no próximo mês
Mergulhadores do projeto Barra Sul fazem o mapeamento do local onde está a pedra triangular. O objeto e dois ornamentos na forma de bola serão retirados do fundo do mar no próximo mês

Tubarão

 

Até o fim do próximo mês, o projeto Barra Sul retoma as operações de resgate de mais peças do galeão naufragado no século 16 no litoral de Santa Catarina. Inicialmente, serão retiradas do fundo do mar dois ornamentos na forma de bola e uma placa triangular com inscrições em latim.
 
O cronograma de atividades da equipe prevê, até dezembro, a realização de novas operações para a retirada de outros objetos já localizados, como o canhão da embarcação, cujo ano de fundição inscrito na peça remete a 1565.
O trabalho é bastante minucioso, pois boa parte das peças está enterrada e o processo de escavação é bastante delicado. Este é um dos mais antigos sítios arqueológicos encontrados no país, daí a preocupação em resguardar todos os vestígios.
 
Tudo que for retirado virá para Tubarão, onde a equipe do Grupep-Arqueologia da Unisul, sob a coordenação da arqueóloga Deisi Scunderlick Eloy de Farias, fará a catalogação, dessalinização, limpeza, guarda e conservação dos objetos.
 
As escavações tentarão resgatar outros objetos, como fragmentos de cerâmica, pedras de lastro (utilizadas para equilibrar as embarcações) e projéteis de vários calibres. “Todas essas peças são de extrema importância para podermos desvendar exatamente que naufrágio é esse”, explica Deisi.
 
Uma confirmação definitiva poderá ocorrer no caso de ser localizado o canhão de sinalização. Como era o costume, essas peças tinham o nome da embarcação gravado. A missão é difícil, porque o que restaram da embarcação naufragada há 428 anos foram as peças maiores, que resistiram ao tempo e à correnteza.
 
A história no fundo do mar
A primeira peça resgatada do galeão naufragado no século 16 no litoral de Santa Catarina, uma pedra, já está no Grupep-Arqueologia da Unisul, em Tubarão. O objeto tem um desenho em alto relevo de dois leões e dois castelos e, no meio, um padrão português. A pedra passa agora pelo processo de dessalinização (foto). Os desenhos remetem, segundo alguns historiadores, à nau provedora de nome San Esteban, que fazia parte de uma frota, com 23 embarcações, que saiu da Espanha em 1581.
Existe o registro que essa nau, carregada de ferramentas e armamentos para suprir a construção de duas fortalezas no Estreito de Magalhães, naufragou em 7 de janeiro de 1583. Os indícios são fortes, entre eles o ano de fundição do canhão (1565), os símbolos em uma das lápides do reino de Leon e Castilla. 
Isto, somado ao padrão português, remete para o período da União Ibérica (1580-1640). Além disso, o nome do Rei Felipe 2º na peça triangular que vai ser resgatada no próximo mês evidencia o naufrágio de 1583.
 
Pesquisas iniciaram há seis anos
O projeto Barra Sul faz pesquisas autorizadas pela Marinha em uma área de 400 quilômetros quadrados no acesso sul da Ilha de Santa Catarina, na região da praia do Sonho, desde 2005.
Este ponto do litoral é considerado uma espécie de cemitério de navios, pois fazia parte da rota das navegações – era o último porto de abastecimento antes do Rio da Prata.
 
Conforme documentos históricos, entre os séculos 16 e 17, o período das navegações, o local na época denominado de Porto dos Patos, era um ponto ao mesmo tempo estratégico e crítico.
Estratégico porque era o último porto para o abastecimento dos navegadores europeus que seguiam ao Rio da Prata e Estreito de Magalhães. Crítico porque era traiçoeiro.
 
Quando as naus entravam na baía sul para serem abastecidos, eram surpreendidos com a geografia acidentada, com bancos de areia móveis, e em algumas vezes um forte vento sul.
Muitas embarcações perdiam a briga com a natureza adversa e naufragavam. Em 2005, foi encontrada a âncora supostamente do Caboto e, em 2009, foi localizada a embarcação, onde, com o apoio da Fapesc, são removidos os objetos.
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