FOTO PDT Reprodução Notisul
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O Sul de Santa Catarina perdeu neste sábado (22) uma das figuras de maior projeção nacional de sua história política. Manoel Dias, o Maneca, nascido em Içara quando a localidade ainda pertencia a Criciúma, morreu aos 88 anos, em Florianópolis. Ex-vereador, deputado estadual e ministro do Trabalho e Emprego, ele construiu uma trajetória que começou na política local e chegou ao primeiro escalão do governo federal.
Maneca estava internado na Capital e ainda enfrentava consequências de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido em 2025. O velório será realizado nesta segunda-feira (24), das 10h às 15h, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
A trajetória do político atravessou mais de seis décadas e capítulos importantes da história brasileira. Do antigo distrito de Içara às articulações nacionais do trabalhismo, Manoel Dias viveu cassações durante a ditadura, participou da formação de partidos e, décadas depois, assumiu o Ministério do Trabalho.
Manoel Dias nasceu em Içara quando município ainda pertencia a Criciúma
A relação de Maneca com o Sul catarinense começa antes mesmo da emancipação de Içara.
Ele nasceu em 1938 na localidade que atualmente corresponde ao município de Içara, mas que naquele período ainda era distrito de Criciúma. A emancipação político-administrativa içarense ocorreria somente anos depois.
Essa particularidade histórica explica por que registros sobre a trajetória de Manoel Dias podem apresentar Criciúma ou Içara como referência de nascimento.
Foi justamente em Içara que Maneca deu os primeiros passos na vida pública.
Em 1962, foi eleito vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Dois anos depois, o golpe militar de 1964 alteraria de forma decisiva sua trajetória.
Manoel Dias teve o mandato cassado e enfrentou perseguição política. Ao longo do período da ditadura, chegou a permanecer preso por 11 meses.
De vereador de Içara a deputado estadual
Depois da primeira cassação, Manoel Dias participou da organização do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), criado durante o período em que o país passou a funcionar sob um sistema de dois partidos.
Em 1966, foi eleito deputado estadual.
A passagem pela Assembleia Legislativa, no entanto, também foi interrompida pelo regime militar. Em 1969, após o endurecimento político provocado pelo AI-5, Maneca sofreu nova cassação.
A experiência fez com que um político surgido no então jovem município de Içara se tornasse uma das figuras catarinenses marcadas pela perseguição política daquele período.
Advogado, Manoel Dias também atuou como auditor da Previdência Social, no governo Dilma Roussef.
Com a redemocratização e o retorno do pluripartidarismo, retomou a atuação partidária que marcaria as décadas seguintes de sua vida.
Maneca ajudou a construir o PDT ao lado de Brizola
Manoel Dias esteve ao lado de Leonel Brizola na formação do Partido Democrático Trabalhista (PDT). A ligação com o trabalhismo tornou-se uma das principais marcas de sua trajetória.
Maneca presidiu o PDT em Santa Catarina, ocupou funções na direção nacional e também esteve à frente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, voltada à formação política ligada ao partido.
Ao longo dos anos, disputou diferentes eleições e permaneceu como uma das principais referências da legenda em Santa Catarina.
Mesmo com a projeção estadual e nacional, sua origem no Sul catarinense permaneceu como parte importante da biografia política.
Político do Sul de SC chegou ao Ministério do Trabalho
Décadas depois de iniciar a carreira como vereador de Içara, Manoel Dias alcançou uma das funções mais importantes de sua trajetória.
Em 15 de março de 2013, assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego no governo da então presidente Dilma Rousseff.
Permaneceu no comando da pasta até 2 de outubro de 2015. A nomeação levou um político formado nas disputas locais e estaduais de Santa Catarina ao primeiro escalão do governo federal.
Depois de deixar o ministério, Maneca continuou ligado ao PDT e às atividades partidárias.
Morte repercute entre lideranças catarinenses
A morte de Manoel Dias provocou manifestações de lideranças políticas de Santa Catarina e do país. O presidente estadual do PDT, deputado Rodrigo Minotto, definiu Maneca como seu “pai político”.
“Hoje, não me despeço apenas de um dos maiores nomes da história do trabalhismo catarinense e brasileiro. Despeço-me do meu pai político, amigo, companheiro, conselheiro e mestre”,
declarou.
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, também lamentou a morte e destacou a trajetória do catarinense dentro do trabalhismo.
Em nota, o PDT de Santa Catarina ressaltou a participação de Manoel Dias na formação e consolidação do partido.
A ex-deputada estadual Ada de Luca, cunhada de Maneca e outra liderança política com raízes no Sul catarinense, também se despediu: “Tinha-o como um irmão”.
De Içara para a história política catarinense
A morte de Manoel Dias encerra uma trajetória política que teve como ponto de partida o Sul de Santa Catarina.
Maneca viveu a transformação de Içara de distrito de Criciúma em município, começou a carreira na política local, chegou à Assembleia Legislativa e participou das articulações partidárias nacionais durante a redemocratização.
Mais tarde, tornou-se ministro do Trabalho, função que ampliou nacionalmente a projeção iniciada décadas antes na região carbonífera.
O velório será realizado nesta segunda-feira (24), na Assembleia Legislativa, em Florianópolis.
A data coincide com os 72 anos da morte de Getúlio Vargas, ocorrida em 24 de agosto de 1954. A coincidência ganha significado pela trajetória de Manoel Dias ligada ao trabalhismo, movimento político que teve Vargas como uma de suas principais referências históricas.
Manoel Dias deixa a esposa, Dalva de Luca Dias, os filhos Rodrigo e Marcelo, noras e netos.
Serviço
Velório de Manoel Dias
Quando: segunda-feira, 24 de agosto
Horário: das 10h às 15h
Local: Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc)
Cidade: Florianópolis

