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Maria, Mãe de todas as mães

A Páscoa se aproxima e um pensamento inquieta a todos os que celebram essa data com o fervor que só a fé explica. Vejamos: A celebração da Páscoa é marcada por sentimentos humanamente antagônicos: a salvação pelo sofrimento.

A salvação da humanidade se situa sob a ótica de todos nós cristãos católicos, no sofrimento, morte e ressurreição de Jesus, o Cristo que, imbuído de origem e natureza dividas, viveu a vida terrena sem ter cometido qualquer pecado. A pureza e inocência máximas submetidas ao escárnio extremado, a entrega livre e espontânea da vida para a salvação de todos.

Nesse cenário de sacrifício e salvação, uma figura se destaca: a Mãe de Jesus. Aquela que o trouxe ao mundo, que, como todas as mães, viu seu(ua) filho(a) sair de dentro de si para começar a saga da vida terrena. O sofrimento de Maria foi prenunciado por Simeão, o homem “justo e piedoso” que disse à Mãe do Senhor: “uma espada transpassará a tua alma” (Lucas 2:35).

A profundidade dessas palavras que indicam o grau de sofrimento pelo qual passaria Maria, só pode ser verdadeiramente compreendida por outra mãe. Sim, eu sou pai de dois maravilhosos meninos, com a graça de Deus, e sofro os seus sofrimentos, porém sem querer desmerecer os sofrimentos de todos nós pais, as mães detentoras da sensibilidade afeita às mulheres aliada ao fato de gerarem e verem pulsar dentro de si a vida que trarão ao mundo, faz-las viver em intensidade a máxima popular que diz “ser mãe é padecer no paraíso”.

Qual a mãe que desde a tenra idade de seu(ua) filho(a) não velou seu(ua) sono sem dormir um único minuto, rezando para que a saúde lhe fosse devolvida em plenitude; que chorou mágoas que não são suas, por injustiças e agressões sofridas a seus(uas) filhos(as); que, enfim, doou-se totalmente para que seu(ua) filho(a) pudesse viver mais e melhor.

É com esse espírito que, na condição de devoto de Nossa Senhora, conclamo as mães a fazerem um exercício de empatia com Maria, aquela que foi a Mãe da criatura mais doce, pura, terna, repleta de compaixão e misericórdia; que conviveu com esse ser humano não por alguns dias, mas por mais de 30 anos e o viu ser preso, condenado, agredido e escarnecido e por fim morto, de uma forma só reservada aos malfeitores. Ele que não tinha crime algum, mas carregava sobre si enfermidades e sofrimentos que não eram seus (Isaías 53:4).

Somente uma mãe pode divisar por um breve instante do que sentiu Maria no calvário de seu amado filho; somente uma mãe pode conceber o sofrimento de um(a) filho(a) ocorrido em total descompasso com suas atitudes, isto é, receber o mal por ter dado o bem; somente uma mãe enfim pode experimentar no fundo de sua alma a perda de alguém que foi si própria.

Creio que por mais que meditemos no mistério que é a vida, morte e ressurreição de Jesus e tudo o mais que nesse foi envolto, como o é o amor fecundo de Maria, primeiro por seu Filho e depois por toda humanidade, jamais compreenderemos o real significado dessa doação sem precedentes, desse amor incondicional tão puro e verdadeiro que chega a nos incomodar por não termos discernimento em absorvê-lo.

Maria, Mãe de todas as mães e Senhora das Dores, alivia o sofrimento das mamães e cubra-as com o amor de seu Filho Jesus. Amém!

 

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