Mais de 40 mulheres denunciaram um médico cardiologista por importunação sexual e outros crimes no Rio Grande do Sul. O profissional, de 55 anos, foi preso preventivamente no fim de março, em Taquara, após as primeiras denúncias. Novos relatos surgiram nos dias seguintes, segundo a Polícia Civil.
De acordo com as investigações, os casos teriam ocorrido durante consultas e exames realizados no consultório do médico. A defesa nega todas as acusações.
Relatos apontam padrão de abordagem
As primeiras denúncias partiram de três pacientes. Após a prisão, outras 39 mulheres procuraram a polícia para registrar ocorrências semelhantes.
Segundo investigadores, os relatos indicam um padrão de comportamento. As vítimas afirmam que o médico inicialmente demonstrava simpatia, com elogios e conversas informais, antes de avançar para atitudes consideradas abusivas.
Uma paciente relatou que o profissional fazia elogios frequentes à aparência. Outra disse que ele se mostrava “atencioso e alegre” no início das consultas.
Com o tempo, conforme os depoimentos, o comportamento mudava. Algumas vítimas afirmam que ele se aproveitava da posição de autoridade para ultrapassar limites durante os atendimentos.
Denúncias incluem abuso durante consultas e exames
Entre os relatos, há denúncias de importunação sexual, violação mediante fraude e também suspeitas de estupro e estupro de vulnerável.
Uma das pacientes afirmou que o médico teria apagado as luzes durante um exame e tentado forçar contato físico. Outra mulher relatou que não conseguiu reagir no momento.
Também há denúncias feitas por ex-funcionárias. Uma enfermeira disse que acordou durante um plantão com o médico sobre ela, em situação de abuso. Outra relatou que ele forçava contato físico dentro da clínica.
A Polícia Civil afirma que muitos casos ocorreram sem testemunhas, o que é comum nesse tipo de crime. Ainda assim, destaca que o volume de relatos fortalece a investigação.
Investigação e possíveis punições
O médico foi indiciado por violação sexual mediante fraude e segue sendo investigado por outros crimes. A Justiça analisa um pedido de liberdade apresentado pela defesa.
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul abriu sindicância para apurar o caso. Se as denúncias forem confirmadas, o profissional pode ter o registro cassado.
Especialistas lembram que pacientes têm direito a acompanhante durante consultas e exames, tanto na rede pública quanto privada.
Direito ao acompanhamento e incentivo à denúncia
Uma das pacientes, de 75 anos, relatou que passou a ir acompanhada às consultas após desconfiar do comportamento do médico. Segundo ela, a postura dele mudou completamente na presença de terceiros.
As vítimas afirmam que decidiram denunciar para encorajar outras mulheres. Muitas destacam a dificuldade em relatar esse tipo de situação e o receio de não serem acreditadas.
A Polícia Civil orienta que possíveis vítimas procurem uma delegacia para registrar ocorrência.

