Letícia Matos
Tubarão
Uma menina de 3 anos foi encontrada sozinha no canteiro central da BR-101, na madrugada de ontem, em Sangão. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Tubarão foi alertada por caminhoneiros, que encontraram a menina agasalhada, sem sinais de maus tratos, na altura do quilômetro 363. Conforme os plantonistas da PRF, a garota foi vista cruzando a rodovia e escapou por pouco de ser atropelada.
A criança foi levada para o posto policial onde uma cama foi improvisada com um colchão, lençóis e edredom, para ela dormir. O Conselho Tutelar de Tubarão foi acionado e buscou a menina por volta das 4 horas. A criança foi encaminhada a um abrigo, onde permaneceu até o andamento dos trâmites legais.
Pela manhã, uma mulher que se identificou como a mãe da criança, entrou em contato com o órgão. Márcia Carneiro estava desesperada.
“Quando meu marido chegou, já sentiu a falta dela e fomos procurar. Tenho sono pesado e não vi ela sair”. O pai Antônio Carneiro acredita que a filha tenha ido atrás dele no serviço. “Trabalho em um olaria do outro lado da rodovia. Ela é muito apegada comigo. Deve ter ido atrás de mim”, justifica. Antônio e Márcia são do Paraná e estão na região há nove anos. O casal possui mais dois filhos, um garoto de 9 anos e uma menina de 7.
Procedimentos
Conforme a conselheira tutelar de Tubarão, Francine Capistrano Nunes, assim que o órgão foi acionado a criança foi acolhida por meio do Serviço de Proteção Social de Alta Complexidade Família Acolhedora, já que a identidade e o município de origem não eram conhecidos. A criança foi encaminhada ontem à tarde para Sangão, que ficará responsável pelos procedimentos, assim como pelo acompanhamento desta família. “O fato causou uma grande preocupação a todos que representam os Órgãos do Sistema de Garantia de Direitos, especialmente porque uma criança encontrada na madrugada sozinha, revela, por si só, uma falha gravíssima dos pais ou responsáveis, no mínimo de negligência ou mesmo abandono”, afirma a presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e assistente social Maria Salete Cavaler. Sob os cuidados da promotoria de Jaguaruna, foi instaurado um procedimento para apurar os fatos e responsabilização dos envolvidos. A menina dormiu com uma família acolhedora, que cuida de crianças nesta situação para que elas não precisem ficar em abrigos, segundo o Ministério Público de Santa Catarina. Sob responsabilidade do Conselho Tutelar de Sangão, hoje a situação pode ter um novo desfecho.

