quarta-feira, 10 junho , 2026

Mesmo com baixa, Santa Catarina tem a segunda cesta básica mais cara do país

O valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em nove das 17 capitais onde o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza mensalmente a pesquisa nacional da cesta básica de alimentos. Entre maio e junho, as maiores altas ocorreram no Nordeste, nas cidades de Fortaleza (4,54%), Natal (4,33%) e João Pessoa (3,36%). Oito cidades apresentaram reduções e as mais expressivas foram registradas no Sul: Porto Alegre (-1,90%), Curitiba (-1,74%) e Florianópolis (-1,51%). Mesmo com um valor mensal menor, no comparativo com maio, Santa Catarina ainda se mantém no topo da lista dos Estados com o valor da cesta básica mais cara do país: R$ 760,41. Está atrás apenas de São Paulo, onde o custo dos alimentos básicos é de R$ 777,01. Porto Alegre (R$ 754,19) e Rio de Janeiro (R$ 733,14) ocupam a terceira e quarta posições, respectivamente.

De acordo com o Dieese, pelo segundo mês consecutivo o pão francês, a farinha de trigo e o leite foram os três itens que mais puxaram o preço da cesta básica para cima. A baixa disponibilidade interna do grão de trigo, a menor produção na Argentina, principal exportador para o Brasil, a guerra na Ucrânia e a preocupação com a menor oferta mundial resultaram em aumento dos preços, com repasse para a farinha e o pão francês. No leite, a alta é motivada pelo aumento do custo da produção e a escassez do produto na indústria. O café também está mais caro em todas as capitais pesquisadas. A elevação é motivada principalmente pelos movimentos do preço internacional, que fazem o valor do produto no varejo nacional subirem. O tomate e a batata foram os dois itens que não registraram aumento de preço na cesta básica de junho

Salário mínimo deveria ser cinco vezes maior para
suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas
Com base na cesta básica mais cara do país, que, em junho, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em junho deste ano, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 6.527,67, ou 5,39 vezes o mínimo nacional pago hoje de R$ 1.212,00. Vale destacar que no mesmo período do ano passado, o piso mínimo necessário deveria ter sido de R$ 5.421,84, ou 4,93 vezes o valor vigente na época, de R$ 1.100,00.

O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica em junho foi de 121 horas e 26 minutos, maior do que o registrado em maio, de 120 horas e 52 minutos. Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média 59,68% do rendimento de junho para adquirir os produtos da cesta, pouco maior do que o de maio, que foi de 59,39%. Em Santa Catarina, o trabalhador precisou comprometer 67,83% do mínimo líquido e trabalhar 138h02min para colocar comida na mesa.

Texto: Zahyra Mattar | Notisul, com informações do Dieese

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