Monier Passos
Diretora do Sindicato dos Professores e Auxiliares de Administração Escolar de Tubarão (Sinpaaet)
Ttecia e destecia, a personagem mulher que teceu e tece sua vida, suas escolhas, sua liberdade e sua identidade. Mulher das linhas e tessituras, dona da sua história. O conto A Moça Tecelã, de Marina Colasanti, evidencia a mulher que fez a história, a mulher atual.
Os novos ideais de afirmação da mulher, sua valorização pessoal e sua participação social vêm ganhando espaço na sociedade contemporânea. Denunciando o passado de repressão e submissão das mulheres, marcando um presente e um futuro possível, o dia 8 de março recebe o título de “Dia Internacional da Mulher”. Cabe destacar que não é mera comemoração, mas sim O ALERTA de que há uma longa jornada a se seguir.
Muitas barreiras persistem na vida das mulheres como preconceito, machismo, violência, desigualdade… Na literatura, infelizmente, as marcas da história, o preconceito, a falta de oportunidade, dentre outros, contribuíram para que se projetassem ainda mais homens escritores do que mulheres escritoras.
Você já parou para pensar: “Quantos livros escritos por escritoras você leu?” Ou “Quantas escritoras você conhece e indica uma obra a alguém”? Cecília Meireles, em seu poema Motivo, escreveu: “Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.” Independente do que tenha respondido, é importante saber que a literatura das mulheres traz muitas revelações que estão guardadas na mais profunda escuridão de identidade e legitimação, pois se vive, infelizmente, numa sociedade em que a maioria delas se sente ausente e invisível.
Muitas mulheres que se dedicam à Literatura destinam sua vida a escrever, fazendo seu leitor e sua leitora pensarem mais, refletirem sobre diversos assuntos, assim como mergulhar num mundo ainda desconhecido por muitos, o que está invisível aos olhos, todavia muito próximo da essência humana.
Uma mulher escritora torna-se capaz de passar suas experiências nessa sociedade patriarcal. Ela representa a visão de gênero feminino e afirma qual o papel que pode desempenhar na sociedade. Simone de Beauvoir escreveu: “O fato de que sou escritora: uma mulher escritora, não uma dona-de-casa que escreve, mas alguém cuja existência, em sua totalidade, é comandada pelo ato de escrever”. Através da linguagem empregada pelas escritoras pode vir junto um “algo a mais” nas entrelinhas da narrativa, assim o leitor tem a capacidade de compreender os subentendidos.
Além de grandes escritores, há também muitas escritoras que contribuíram e contribuem de forma grandiosa para a Literatura. Dessa forma, aos poucos, estamos ocupando espaços e reafirmando nosso lugar. Podemos citar algumas delas como: Maria Filomena de Souza Espíndola, Agatha Christie, Marina Colassanti, Clarice Lispector, Adélia Prado, Cecília Meireles, Cora Coralina, Ana Cristina Cesar, Miryan Meyer e muitas outras. Este tema merece ser ainda mais discutido, refletido e lido!
Nós, mulheres, escrevemos. Somos cronistas, contistas, romancistas, redatoras, compositoras, jornalistas, colunistas ou poetas. Muitos gêneros em vários tons da vida. Leitora, leitor, valorize, leia e conheça o universo feminino da Literatura!

