Injustificável a surpresa com a ascensão da mulher nos mais diversos setores da sociedade, principalmente, no mercado de trabalho.
Não aconteceu antes, e com maior intensidade, devido ao lento evoluir das formas de produção e de gestão da economia. Enquanto movidas, respectivamente, por tarefas repetitivas e força bruta (cortar, carregar, empilhar etc.) e pela dicotomia entre pensar e fazer, estavam inadequadas para a inteligência e para a sensibilidade da mulher.
O ingresso das tecnologias – informática, robótica, biotecnologia, desmaterialização e outras – no setor produtivo, fez com que a mulher, no trabalho, se “sentisse em casa”. Não era, portanto, ela que estava inapta para o mercado de trabalho. Este que precisou evoluir para alcançá-la.
Não por acaso, o 8 de março, Dia Internacional da Mulher, ontem, deve-se à resistência delas pela humanização do trabalho. Ao reivindicarem melhores condições (eram jornadas de dezesseis horas diárias, insalubridade, perigo e baixos salários), foram trancadas e queimadas, ainda vivas, na fábrica em que trabalhavam, em Nova Iorque, em 1857.
No histórico embate entre trabalho e capital ou na saga do (a) trabalhador(a) por condições dignas de trabalho, esse resistir foi tão importante quanto os quilombos (que resistiam à escravidão), para mais conquistas, como o direito de estudar, votar e tantas outras.
Contribuiria, de fato, para o aumento das conquistas da mulher (que estuda mais e recebe menor salário que o homem e cerca de 4,6 mil são assassinadas, dentro de casa, por ano, no Brasil) se, junto às merecidas homenagens deste dia (cartões, mensagens, flores, presentes e outros), fosse lembrada tal façanha, que originou a data.
Agradá-las, descolado deste importantíssimo fato histórico, contribui significativamente para alienação e para o recrudescimento dos preconceitos.
Michele Bachelet – que preside o Chile pela segunda vez – declarou, quando Diretora Executiva da ONU Mulheres, em 2011, que “A força, produção e sabedoria das mulheres continuam sendo os maiores recursos inexplorados da humanidade”.
Por esta razão e pela relevância da data, retomo inferências que faço todo dia 8 de março:
1) Maior escolaridade das meninas contribui para quebrar o ciclo da gravidez precoce, que tantos transtornos causa, a começar pela interrupção dos estudos e desdobramentos decorrentes.
2) Mulheres com mais estudos têm menos filhos e contribuem significativamente para melhorar o desempenho escolar deles.
3) “Em países com conflitos internos, guerra civil ou altos índices de corrupção, é mais confiável destinar as doações às mulheres. Elas são mais conscientes ao usar o dinheiro”, declarou à revista Veja (19/12/2012) Jane Wales, diretora do Fórum Global de Filantropia.
4) Não por acaso, o cartão Bolsa Família, do governo federal, é entregue para as mães, pela propensão em utilizá-lo para suprir carências domésticas. Muitos pais não teriam o mesmo comprometimento.
Enfim, contribuir para que a mulher amplie suas conquistas é fundamental para melhorar a humanidade.

