IMAGEM NASA Divulgação Notisul
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A NASA pretende lançar neste domingo (30), às 8h26 no horário de Brasília, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, observatório de nova geração projetado para investigar alguns dos principais mistérios do Universo. A missão terá participação de pesquisadores brasileiros no processamento e classificação do enorme volume de informações produzido pelo equipamento.
O Roman partirá do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX. A decolagem está programada para o Complexo de Lançamento 39A e depende das condições técnicas e meteorológicas.
A missão foi declarada pela NASA como “go” para o lançamento após a revisão final realizada na sexta-feira (28).
Tecnologia brasileira ajudará a selecionar fenômenos no espaço

A participação brasileira ocorre em uma área essencial para a astronomia moderna: transformar grandes volumes de dados em informações que possam ser efetivamente analisadas pelos pesquisadores.
O Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA), do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), desenvolve o Arandu, sistema que utilizará inteligência artificial para processar, filtrar e classificar alertas astronômicos.
O nome Arandu significa “sabedoria” em tupi-guarani.
Na prática, sistemas desse tipo recebem alertas produzidos a partir das observações, cruzam os dados com catálogos e registros anteriores e classificam os eventos.
O objetivo é ajudar os cientistas a encontrar fenômenos relevantes em meio à grande quantidade de informações produzidas pelo telescópio.
“O Roman produzirá um volume de dados que torna inviável examinar cada detecção manualmente. O Arandu usará inteligência artificial para organizar e classificar esse fluxo, ajudando os cientistas a encontrar os eventos mais relevantes para suas pesquisas”,
explica Clécio Roque De Bom, cientista do CBPF e coordenador científico do LAB-IA.
Roman terá visão pelo menos 100 vezes maior que a do Hubble
O Telescópio Nancy Grace Roman possui um espelho principal de 2,4 metros de diâmetro, dimensão equivalente à do Telescópio Espacial Hubble.
Uma das grandes diferenças está no campo de visão.
Segundo a NASA, o Roman poderá observar uma área do céu pelo menos 100 vezes maior que a do Hubble, combinando essa visão ampla com elevado nível de detalhamento. A missão poderá medir a luz de cerca de 1 bilhão de galáxias.
Essa capacidade permitirá realizar grandes levantamentos do céu em menos tempo e produzir uma quantidade expressiva de dados para diferentes áreas da astronomia.
A missão primária está prevista para durar aproximadamente cinco anos, com possibilidade de uma operação mais longa.
Energia escura e exoplanetas estão entre os alvos
Entre os objetivos científicos do Roman estão questões relacionadas à energia escura e à matéria escura, além da busca e caracterização de planetas fora do Sistema Solar.
A energia escura é o nome dado ao fenômeno associado à expansão acelerada do Universo, uma das grandes questões ainda abertas na cosmologia.
O Roman também deverá observar bilhões de galáxias e investigar como elas se formaram, se agruparam e evoluíram ao longo da história cósmica.
Outra frente importante será a procura por exoplanetas.
Com observações repetidas de regiões da Via Láctea, a missão pretende realizar um amplo levantamento estatístico de sistemas planetários e estudar mundos localizados além do Sistema Solar.
Inteligência artificial buscará eventos que mudam rapidamente
É justamente diante dessa quantidade de informações que entra o trabalho desenvolvido no Brasil.
O Arandu será especializado na análise de fenômenos conhecidos como transitórios ou variáveis. São acontecimentos que apresentam mudanças ao longo do tempo e podem exigir uma identificação rápida para que outros instrumentos continuem a observação.
Entre os exemplos estão explosões estelares e alterações no brilho de estrelas.
“O diferencial do Roman não está apenas na quantidade de objetos que poderá observar, mas na possibilidade de acompanhar um Universo em transformação”,
afirma De Bom.
Segundo o pesquisador, sistemas como o Arandu terão a função de reconhecer essas mudanças dentro do fluxo contínuo de informações e permitir que a comunidade científica selecione eventos para estudos posteriores.
Telescópio ficará a 1,5 milhão de quilômetros da Terra
Depois de deixar a Terra, o Roman seguirá para as proximidades do ponto de Lagrange L2, localizado a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros do planeta na direção oposta ao Sol.
É uma região utilizada também pelo Telescópio Espacial James Webb e que oferece condições favoráveis para observações astronômicas.
Antes de começar o trabalho científico, o novo observatório terá de concluir a viagem, alcançar sua posição e passar pelo período de comissionamento dos instrumentos.
Como acompanhar o lançamento do Roman
A cobertura oficial da NASA começa neste domingo às 7h20, no horário de Brasília, uma hora e seis minutos antes do horário previsto para a decolagem.
O lançamento poderá ser acompanhado pelas plataformas oficiais da agência, incluindo o NASA+.
Serviço
O quê: lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman
Quando: domingo, 30 de agosto
Horário previsto: 8h26 (Brasília)
Início da transmissão: 7h20
Local: Centro Espacial Kennedy, Flórida, Estados Unidos
Foguete: Falcon Heavy, da SpaceX
Missão: estudos sobre energia e matéria escuras, exoplanetas, galáxias e outros fenômenos astrofísicos

