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Pesquisas recentes da Harvard Medical School revelam que a neuromodulação — técnicas não invasivas que estimulam o cérebro por meio de impulsos elétricos, magnéticos, ópticos ou auditivos — está revolucionando o tratamento de doenças como depressão, ansiedade, TDAH, insônia e dores crônicas. A médica joinvilense Dra. Karla Françoise, que esteve em Harvard para aprofundar seus estudos, explica que os protocolos atuais regulam circuitos cerebrais específicos, muitas vezes com resultados mais rápidos e sustentáveis do que os métodos convencionais.
O que é a neuromodulação e como atua no cérebro
Segundo a Dra. Karla, a neuromodulação ajusta padrões de comunicação entre regiões cerebrais sem necessidade de medicamentos. “Ela pode reduzir a hiperatividade de áreas ligadas à ansiedade ou ativar regiões relacionadas à atenção, memória e controle emocional”, explica. Essa eficácia é possível graças à neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de reorganizar conexões em resposta a estímulos específicos.
Quais condições já podem ser tratadas com neuromodulação
Atualmente, a técnica é aplicada com comprovação científica em diferentes condições:
Depressão, inclusive resistente a medicamentos
Transtornos de ansiedade e crises de pânico
TDAH
Transtornos do espectro autista (TEA)
Insônia crônica
Dor crônica e enxaqueca
Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
Há também estudos promissores em reabilitação pós-AVC e no tratamento do declínio cognitivo leve associado ao envelhecimento.
Avanços tecnológicos e tempo de resposta
O desenvolvimento de equipamentos de última geração, aliados ao mapeamento cerebral de alta resolução (qEEG) e ao uso de inteligência artificial, permitiram protocolos mais precisos e acessíveis. A especialista explica que muitos pacientes relatam melhora já entre 5 e 10 sessões, com avanços em sono, ansiedade, clareza mental e energia. Quadros crônicos podem demandar até 40 sessões, mas os ganhos costumam ser duradouros, pois a técnica promove reorganização real das redes neurais.
O futuro da saúde mental e o papel dos medicamentos
Para a Dra. Karla, o futuro aponta para tratamentos cada vez mais personalizados e menos dependentes de remédios. “A tendência é que os medicamentos sejam usados apenas quando realmente necessários. A neuromodulação remodela redes neurais e promove estabilidade funcional, muitas vezes reduzindo ou até dispensando o uso contínuo de fármacos”, ensina.