O Neymar da mídia todo mundo conhece.
O Brumar. Os processos. As festas que viraram manchete. As polêmicas que se acumularam ao longo dos anos e foram construindo uma imagem que hoje compete com o jogador toda vez que o nome dele aparece numa lista de convocação.
Não vou ignorar nada disso. Aconteceu. Faz parte da história.
Mas quando a gente senta pra debater se Neymar merece ou não ir à Copa do Mundo, é preciso ser honesto sobre qual Neymar está sendo julgado.
Porque existe outro. O que entrou em campo por mais de quinze anos.
O que fez coisas que nenhum outro brasileiro fez na história do futebol.
Esse você conhece?
O Neymar que o futebol guarda
Ele estreou no Santos profissional aos 17 anos. Em 2009.
Aos 19, ganhou a Copa Libertadores pelo Santos. Foi eleito o melhor jogador da competição. O Peixe não erguia aquela taça há quarenta e oito anos.
Naquele mesmo Santos, num jogo contra o Flamengo, fez um gol que ganhou o Prêmio Puskás da FIFA. O gol mais bonito do mundo naquele ano. Com dezenove anos.
No Barcelona, ao lado de Messi e Suárez, formou o MSN. O trio que marcou 122 gols em uma única temporada. Recorde histórico no futebol espanhol. Na Champions League de 2014-15, Neymar foi artilheiro do torneio e fez o gol que deu o título ao Barça contra a Juventus.
No Rio de Janeiro, no Maracanã, nas Olimpíadas de 2016, o Brasil precisava do pênalti decisivo contra a Alemanha. O mesmo país que tinha feito 7 a 1 dois anos antes, no mesmo estádio. Neymar bateu. Entrou. Caiu no chão e chorou como uma criança.
Foi o primeiro ouro olímpico masculino do Brasil na história do futebol.
Os números que ficam
- 490 gols na carreira entre clubes e seleção;
- 79 gols pela Seleção Brasileira em 128 jogos;
Maior artilheiro da história da Seleção em jogos oficiais. Superou Pelé em setembro de 2023.
43 gols na Champions League. Maior artilheiro brasileiro de todos os tempos na competição
Um dos cinco únicos jogadores no mundo a marcar mais de 100 gols por três clubes diferentes: Santos, Barcelona e PSG;
30 títulos em todos os clubes que defendeu;
Em Copa do Mundo, são 8 gols em 13 jogos. Segundo maior artilheiro do Brasil em Mundiais, atrás apenas de Ronaldo Fenômeno.
Dez indicações ao prêmio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA. Recorde para um brasileiro.
E hoje, em 2026?
Depois de 800 dias afastado por lesão no joelho, Neymar voltou ao Santos em 2025, onde tudo começou.
Em 2025: 28 jogos, 11 gols e 4 assistências.
Em 2026, após artroscopia em janeiro, voltou em fevereiro e, nas últimas 17 partidas: 11 gols e 4 assistências. Mais de 80 minutos jogados em 12 dos 13 jogos.
Ancelotti não o convocou nas cinco convocações anteriores, alegando questões físicas. Mas o incluiu na pré-lista de 55 nomes enviada à FIFA. E jornalistas com acesso ao staff cravam: ele vai.
A convocação definitiva sai amanhã, dia 18 de maio.
Então a pergunta é sua
Eu apresentei o Neymar do futebol. Com os títulos, com os números, com o histórico que a discussão rasa das redes sociais raramente menciona.
Apresentei também o momento atual. Um jogador de 34 anos que voltou de lesão grave, que reencontrou ritmo, que está jogando com regularidade que não tinha há anos.
Não apaguei as polêmicas. Elas existem e são parte de quem ele é fora de campo.
Mas o que define se um jogador vai à Copa é o que ele faz dentro dele.
E dentro do campo, com esse histórico, com esses números, com essa experiência em jogo grande que pouquíssimos no mundo têm, a pergunta que fica é simples:
Você colocaria o Neymar na Copa?
Porque agora você conhece os dois lados.
O personagem você já conhecia.
O jogador, talvez, era hora de (re)conhecer.

