Do Serviço de Alimentação da Previdência Social, que todos chamavam de Saps, a lembrança em Tubarão é bem viva, detalhada e até curiosa. Tudo por ter aquele popular armazém feito parte da vida cotidiana da maioria dos tubaronenses, mesmo tanto, também, de quase todos os brasileiros que viveram à mesma época.
Tratava-se aí de uma central de abastecimento do governo federal. O modelo padrão de armazém se estendia em rede nacional, vendendo alimentos bem mais em conta à população, quase nos moldes de sortimento das cestas básicas de nossos dias. Nos grandes centros, mais completo em seus serviços, o mesmo Saps funcionou, inclusive, com instalações equipadas de restaurantes, salas de leitura, bibliotecas e até de uma agência central de empregos, algo perto dos traços do Sistema Nacional de Empregos (Sine) de agora.
O mais famoso ponto do Saps em Tubarão, estabelecimento que no Brasil começou a funcionar em 1940 e durou até 1967 -, foi instituído por Getúlio Vargas pelo decreto de 5 de agosto . Instalou-se na esquina da rua Coronel Cabral com a Ferreira Lima – logo no fim da conhecida descida do rupo Hercílio Luz. Funcionou em um prédio de dois pavimentos, que ainda existente (atual Padaria Estrela).
A grande e curiosa marca do Saps, pelos bons preços que oferecia, eram as imensas filas que se formavam ao seu redor – como àquelas de antigamente do INSS. Pessoas que vinham de todos os cantos da cidade se organizavam para entrar, todos portando gigantescas e coloridas sacolas, prontas para transportar os alimentos básicos para casa. Nada no Saps era vendido empacotado ou colocado em sacolas plásticas como as dos supermercados de agora; tampouco havia entrega em domicílio. Cabia a cada um, então, achar o melhor jeito de levar o produto adquirido.
Quem quisesse ser atendido mais cedo chegava ainda antes do amanhecer e ali ficava até às oito da manhã, quando, pontualmente, as portas se abriam. E assim, conforme iam chegando, no decorrer das horas, formava-se a longa fila. Havia até quem se ocupasse em apenas reservar o lugar para outra pessoa, encontrando aí mais uma forma de levantar renda extra.
Como poucos tinham carro, bicicletas por ali eram bem comuns e quase todas ficavam escoradas no meio-fio da estreita calçada, ainda que uma imensa maioria fosse para casa levando tudo nas mãos, sem qualquer tipo condução. Outros usavam, ainda, o tradicional ônibus Circular, coletivo que fazia – e ainda faz -, a linha Oficinas/Centro.
Depois, onde cumpriu a sua última função para dar lugar à Companhia Brasileira de Alimentação (Cobal), instituída por Castelo Branco pelo decreto de 8 de fevereiro de 1967-, o Saps mudou para a rua Rui Barbosa, 351, instalando-se melhor no Edifício Giordani, de Estevão Giordani, prédio pouco distante da movimentada rua Altamiro Guimarães.

