domingo, 10 maio , 2026

“Nossa cidade é interlocutora dos pleitos da região”

Murilo Bortoluzzi nasceu em Tubarão e tem 45 anos. Desde jovem, absorveu o lado empresarial de sua família. Nada veio de ‘mão beijada’. Mesmo com um suporte por meio da empresa da família, a Itagres Revestimentos Cerâmicos, Murilo buscou o seu espaço. É formado em administração de empresas pela PUC, em São Paulo, e morou um ano nos Estados Unidos. As duas únicas situações em que saiu da Cidade Azul. Hoje, preside a Associação Empresarial de Tubarão (Acit) e é presidente do conselho de administração da empresa. Porém, seu currículo é muito extenso e não teria como listar todas as funções exercidas. Atuou nas áreas pública e privada. Foi secretário de indústria, comércio e turismo de Tubarão e secretário adjunto do meio-ambiente de Santa Catarina, onde, quando assumiu, também foi presidente da Fundação do Meio Ambiente (Fatma). Mesmo com atividades paralelas, nunca deixou de exercer o seu trabalho na Itagres, onde iniciou em 1985. Sempre foi envolvido com o associativismo, tanto por influência do pai, o ex-presidente da Acit, Humberto Bortoluzzi (em memória), como integrando-se a movimentos associativistas desde cedo. Foi um dos fundadores da Associação de Jovens Empreendedores de Tubarão (Ajet). O empresário é casado com Jussara Campelli Bortoluzzi e tem duas filhas, a Clara, de 5 anos, e a Lívia de 9.  

Mirna Graciela
Tubarão

Notisul – Como foi o convite para assumir a presidência da Acit? Estava programado?

Murilo – Tínhamos um plano de sucessão, o cargo seria para outra pessoa. Mas, no meio do caminho, ele realmente não pôde mais se comprometer em assumir a função. Eu era o segundo-vice na entidade, então não corri do compromisso, honrei. E estamos fazendo a sucessão do Eduardo Nunes, que já presidia a Acit há oito anos, e deu uma contribuição muito grande. Realizamos, então, esta intercalação. 

Notisul – E quanto aos planos na associação?
Murilo –
Antes disto, é necessário enfatizar que realmente ocorreu um grande salto na associação nestes últimos dez anos, quando muitas coisas foram feitas. A entidade cresceu representativamente, na sua estrutura de pessoas, no número e qualidade de serviços, na infraestrutura disponibilizada para o associado. Então, o primeiro passo é a continuidade. Não queremos perder isto, desejamos manter estas conquistas tão difíceis, que são o resultado do trabalho de presidentes anteriores que tanto lutaram. Vamos preservá-las. O segundo passo é que estamos permitindo a oxigenação da associação. Realizaremos um trabalho muito importante, que, talvez, seja o projeto mãe destes meus dois anos. A elaboração e o início da execução do projeto Tubarão@2044. Lançaremos na Acit, juntamente com a Unisul, para discutirmos e traçarmos o que queremos para a cidade nos próximos 30 anos. Como crescer e se desenvolver. Isto tudo será debatido de forma organizada com o aporte técnico e acadêmico da universidade para alcançarmos uma discussão profícua, de qualidade e que realmente nos dê um retorno. 

Notisul – Quantos associados a entidade possui e como é a prestação de serviços? 
Murilo –
Hoje, são cerca de 800 associados. Paralelamente, pretendemos garantir para a associação a continuidade da qualidade dos serviços, porque a entidade vive disto, não tem contribuição compulsória, se mantém a partir da venda de serviços e das mensalidades dos associados. Precisamos garantir isto, a prestação do bom serviço e mais oportunidades. Buscaremos alternativas, isto ainda é um trabalho que realizaremos com a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc). O Eduardo Nunes está me ajudando para oferecermos ao associado cada vez mais opções..

Notisul – Como uma associação empresarial pode contribuir para o crescimento do seu município e também em âmbito regional?
Murilo –
Exatamente este papel que a Acit assumiu, como entidade representativa da sociedade organizada, ela acabou capitaneando este papel, de levar os pleitos principais para as autoridades. É por isto que o governador, o deputado, enfim, as autoridades políticas, quando estão em Tubarão, comparecem na Acit, porque realmente é a casa que carrega os principais pleitos. O papel da associação é fortalecer e garantir esta representatividade das empresas e da sociedade, pois ela tem esta função e a faz bem hoje, de organizar estes pleitos, as necessidades, porque temos várias. É organizá-las para entregar às autoridades e cobrar. Então voltamos ao Tubarão@2044. O projeto é exatamente isto, a ferramenta para levantar o que realmente precisamos.

Notisul – Quais são as principais necessidades da região?
Murilo –
Quero destacar primeiro que Tubarão está se dando conta de que é reconhecida e considerada não somente agora como polarizadora dos pleitos da cidade, mas ela é exigida e cobrada como interlocutora dos pleitos da região. As outras associações empresariais, a sociedade e até os prefeitos pedem para nos posicionarmos. Isto é o reconhecimento de que o município exerce o papel de polo da região. Este passo é importante, porque somos uma cidade de mais de 100 mil habitantes de uma região polo de 340 mil habitantes. Esta população utiliza o município em várias áreas, na saúde, na educação, no comércio. As pessoas de cidades vizinhas vêm desfrutar destes atrativos, entre tantos outros. E ser associação de Tubarão é olhar as questões regionais. Não podemos nos limitar.  E temos uma experiência fantástica, que é o Aeroporto Regional em Jaguaruna. As ideias iniciaram, saímos em peregrinação por todos os municípios do sul e foi uma luta de mais de 20 anos. A parte mais difícil foi feita. Um projeto único, onde todas as novidades no Brasil e no mundo foram incluídas no aeroporto. Entre estas, o tamanho da área, a posição logística, próximo da BR-101, do trilho ferroviário, do mar e do Porto de Imbituba. Está entre Porto Alegre e Florianópolis, e entre São Paulo e Buenos Aires, na Argentina. Nesta última posição, existe uma lacuna em aberto nesta área com falta de infraestrutura aeroviária e o aeroporto é o único. E no porte que ficou, com a pista de 2,5 mil metros, é a maior do sul do Brasil. A dureza da pista é altíssima para aviões de grande porte, o que possibilitará também o desenvolvimento, seja hoje ou daqui a dez, 30, 50 anos, de receber aviões internacionais de grande porte de carga. Foi projetado pensando muito no futuro. E agora está concretizado. Claro que está na eminência de ter os voos comerciais, esta questão é viabilizada e o processo não está longe de iniciar. Estamos com empresas interessadas e o ideal seria começarmos com a TAM ou a GOL porque essas vão viabilizar o aeroporto. Se pegarmos uma empresa pequena para começar, não vai atrair a demanda que existe na região. Não há como fazer uma previsão certa, mas, pelo ritmo que está, acreditamos que neste ano teremos os voos comerciais.  

Notisul – E quanto às outras prioridades para o desenvolvimento regional?
Murilo –
As prioridades são a conclusão da BR-101, que é a principal, a número um, e a operacionalização do Aeroporto Regional Sul Humberto Ghizzo Bortoluzzi, uma bandeira levantada pelo meu pai. Ele que começou o projeto na Acit, por isto, em sua homenagem, levou o seu nome. Existem outras também de grande importância, como a malha ferroviária e a questão portuária com o fortalecimento das operações no Porto de Imbituba, muito significativo para a região. Para Tubarão, especificamente, o acesso às praias pela rodovia municipal Ageu Medeiros. Hoje, Tubarão está a 18 quilômetros do mar, mas o cidadão tem que pegar a BR-101, sair da cidade e ir para um município vizinho para chegar ao mar, por Jaguaruna ou Laguna. Em um percurso bem maior e não faz sentido. A Ageu Medeiros é linda e não expõe ninguém à BR-101. Esta ponta de Tubarão às praias, que dá na SC-100, foi o que nos inspirou a elaborar o projeto Serramar. Discutimos durante anos com os representantes dos municípios e é belíssimo. O projeto prevê duas coisas: uma é a preparação das pessoas para explorar o turismo e a outra é a repaginação asfáltica de Laguna a Lages em cima de um leito de estrada já existente, que privilegia os recuos para construir mirantes, ciclovias e passeios, e iluminar as travessias nos centros urbanos. Tenho certeza de que um dia verei este projeto concretizado. Ele existe e foi feito por profissionais de forte gabarito de turismo no mundo. 

Notisul – Qual seria a fórmula para atrair indústrias para Tubarão? Existe alguma estratégia para que a cidade cresça neste sentido?
Murilo –
Três coisas essenciais que precisamos ocorreram. A primeira é termos áreas identificadas e preparadas para isto. A associação empresarial, por meio da Agência de Desenvolvimento Regional da Amurel (Adram), que presido também, recebeu um pleito da prefeitura para organizar as áreas industriais e estamos em via de assinar um convênio com o executivo para apontar os caminhos de exploração destas áreas, de como fazer. Isto é fantástico porque a prefeitura está ouvindo o empresário, então acreditamos que é uma ação muito acertada e ficamos felizes com esta parceria. São várias áreas, cerca de 80 hectares. Outra é a proximidade do poder público municipal com a associação, porque os empresários batem, às vezes, na prefeitura e outras na Acit e, quando não tem este entrosamento, fica difícil a empresa acabar se decidindo por aqui. E esta aproximação existe. E, por último, um projeto de desenvolvimento da cidade, que é o Tubarão@2044, onde vamos priorizar a captação de novas empresas.

Murilo por Murilo
Deus
– Acredito totalmente.
Família – Meu alicerce, meu oásis, o local de recuperar as baterias.
Trabalho – Dignifica o homem.
Passado – Foi muito bom.
Presente – Grande oportunidade de realizar nossos sonhos.
Futuro – Será tudo que pensarmos e planejarmos.

"Comecei na empresa nos primeiros cargos. Fui assistente do auxiliar da exportação, auxiliar de exportação, sub-gerente, gerente de exportação e conquistei o meu espaço".

"Tubarão tem uma qualidade, uma economia equilibrada: indústria, comércio e serviços".

 

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