Foi frustrante ler no jornal Diário Catarinense do dia 28 de março, que especialistas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) constataram, entre outros aspectos, que “os professores da rede estadual de ensino dão notas numéricas para os alunos que não sabem direito o que elas representam concretamente”.
A possibilidade de evoluir daquelas notas para as anotações das etapas vencidas e das ainda não vencidas da aprendizagem, está prevista há 11 anos na resolução 023/2000 do Conselho Estadual de Educação, e mantida pela sucedânea, a de nº158/2009.
De fato, as notas numéricas, como comprovam estudos, estão longe de representar o que os alunos aprenderam. Elas variam de professor para professor e de acordo com o humor e o relacionamento do educador com o aluno. Quando são baixas podem indicar que há deficiência na aprendizagem, mas não localizam tal deficiência, tornando incerta a necessária retomada.
As anotações das etapas vencidas e das etapas ainda não vencidas, ao contrário, constituem-se em um perfeito diagnóstico para que professores, pais e o próprio aluno saibam exatamente os aspectos da aprendizagem que devem ser retomados. Se feito imediatamente, após ser constatado, e com outra metodologia, potencializa as possibilidades de aprendizagem do aluno.
Com um simples instrumento de avaliação é possível registrá-las e verificar se as habilidades, as competências e os valores foram adequadamente selecionados, e se houve coerência entre estes, os conteúdos trabalhados e os conteúdos cobrados.
Ou seja: através das anotações e do citado instrumento, faz-se a gestão do ensino e da aprendizagem, fundamental para melhoria da qualidade, mas que, de acordo com os citados especialistas, está longe de ocorrer.
Espera-se que não seja necessário outros 11 anos, nem a vinda de outros especialistas de outras partes do mundo, para ser feito, por toda Santa Catarina, o que já está formalizado pela legislação estadual e testado, com sucesso, em algumas escolas.
Basta capacitar os professores e adotar medidas administrativas. Afinal, os meios existem para viabilizar os fins, que são o ensino e a aprendizagem, e não para se tornarem fins em si mesmos.

