O uso excessivo de telas e o tipo de conteúdo consumido por crianças e adolescentes foram o centro do debate de um novo episódio do Notisul Negócios, apresentado pelo jornalista e empresário Fernando Silva. A conversa reuniu Eder Cachoeira, especialista em relacionamentos paternos, Deise Wischral, educadora e Antônio Beluco, especialista em tecnologia, que trouxeram diferentes visões sobre tecnologia, educação, mercado de trabalho e saúde emocional na era digital.
Logo na abertura, Fernando destacou que a discussão é urgente diante das transformações aceleradas pela pandemia e pelo avanço da inteligência artificial, que impactam não só o mercado profissional, mas também a cultura, a educação e as relações familiares.
Brasil entre os países que mais usam telas no mundo

Durante o debate, Eder Cachoeira chamou atenção para dados alarmantes sobre o uso de telas. Segundo ele, o Brasil é o segundo país do mundo com maior média diária de tempo em frente a telas, ficando atrás apenas da África do Sul. Em média, a população mundial passa mais de nove horas por dia utilizando dispositivos digitais.
Eder ressaltou que o problema não é apenas o tempo, mas principalmente o tipo de conteúdo consumido, especialmente pelos jovens. Para ele, o excesso de estímulos rápidos e superficiais compromete o desenvolvimento cognitivo, a criação de sinapses e a capacidade de aprendizado a longo prazo.
“A tecnologia não é o problema. O problema é como e para quê ela está sendo usada”, destacou.
Escola sente efeitos do celular em sala de aula

A professora Deise Wischral, que atua há 17 anos na educação e hoje leciona na educação básica em Tubarão, relatou os impactos diretos do uso do celular no ambiente escolar. Ela avaliou de forma positiva a lei que proibiu o uso de celulares durante o horário de aula, apontando melhora na socialização entre os alunos.
Segundo Deise, após a restrição, foi possível observar crianças e adolescentes retomando atividades como jogos coletivos, leitura e conversas presenciais, algo que havia sido reduzido com o uso constante dos dispositivos.
Apesar disso, ela alertou que a proibição em sala não resolve o problema sozinha. O desafio maior está no uso da tecnologia em casa, onde o controle depende da orientação dos pais e responsáveis.
Jovens dominam o celular, mas não sabem usar o computador
Já Antônio Beluco, engenheiro e fundador do Unimate Labs, trouxe uma constatação preocupante a partir de sua experiência com aulas de robótica: muitos jovens dominam o celular, mas não sabem usar um computador básico.
Segundo ele, crianças e adolescentes têm facilidade para usar dispositivos digitais apenas para lazer, como jogos e redes sociais, mas encontram dificuldades em tarefas simples, como ligar um computador, usar o mouse ou criar um documento.
Essa falsa sensação de domínio tecnológico, segundo Antônio, pode gerar prejuízos futuros no mercado de trabalho, que exige habilidades além do entretenimento digital.
Tecnologia como ferramenta, não como atalho
Outro ponto central da conversa foi o uso da inteligência artificial na educação. Os participantes concordaram que ferramentas como o ChatGPT podem ser aliadas no aprendizado, desde que não substituam o desenvolvimento do pensamento crítico.
Eder exemplificou que o uso da IA não é um problema, desde que o aluno consiga explicar, defender e compreender aquilo que produziu com o apoio da tecnologia.
A discussão também abordou a importância das habilidades comportamentais, como comunicação, trabalho em equipe, criatividade e resiliência — competências cada vez mais valorizadas no mercado e que não são desenvolvidas apenas com o uso de telas.
Desafio é equilíbrio entre tecnologia e vida real
Ao longo do episódio, os participantes reforçaram que a tecnologia não deve ser eliminada da vida das crianças e jovens, mas usada com equilíbrio, propósito e acompanhamento. Incentivar experiências fora das telas, dar responsabilidades do dia a dia e estimular a convivência social foram apontados como caminhos para um desenvolvimento mais saudável.
O episódio completo do Notisul Negócios está disponível nas plataformas do portal e traz uma reflexão profunda sobre o papel da tecnologia na formação das novas gerações.

