Lily Farias
Tubarão
A quantidade de cães, gatos, cavalos e bovinos abandonados pelas ruas de Tubarão é cada vez maior. É comum passar em frente de casas e ver vasilhames com ração e água para os animais. A ação pode não ser a recomendada, mas é a forma encontrada por muitas pessoas de ajudar estes seres que merecem respeito e cuidado.
No caso dos cachorros, a situação inspira ainda mais cuidados. Além de andarem em bandos, o que gera medo, eles correm atrás de ciclistas, carros e motocicletas, o que pode ocasionar acidentes. Diferente dos gatos, mais arredios aos humanos, os caninos não se intimidam com a presença de pessoas.
Por isso eles são os que mais tem propensão a transmitir doenças. E encontrar animais em situação deplorável é mais do que rotineiro. E esta é uma das preocupações da Ong Movimenta-Cão. Os membros se esforçam, mas é impossível acolher e cuidar de tantos animais.
Há dias a organização busca voluntários para auxiliar dois cachorros. Eles moram rua Capitão Alexandre Sá, nas imediações do colégio Dehon. Um deles é o canino Didico. Perdeu um olho após ser atropelado. O motorista não prestou socorro. Com sarna, é complicado até mesmo para os voluntários ajuda-lo. Sem contar que o cão reside em uma área de grande movimentação de crianças e pode transmitir sarna.
O canino Luis, amigo de Didico, mora na mesma rua. Ele apresenta deficiência em uma das patas dianteiras e sua idade avançada compromete a locomoção. E Tubarão tem um incontável número de Didicos e Luises.
O secretário de saúde da prefeitura, Gustavo Dassoler da Silva, afirma que a Ong tem e terá o apoio da administração, basta os membros o procurarem. “Caso tenhamos recursos para mantê-los no Centro de Controle de Zoonoses, daremos toda a assistência”, promete Gustavo.
Recolhimento ainda não é feito
Não existe como negar a existência de um grande número de animais de rua em Tubarão. E para o secretário de saúde da prefeitura, Gustavo Dassoler da Silva, a situação é preocupante e delicada. Ele promete ajudar a ONG Movimenta-Cão em relação aos caninos Didico e Luis, moradores do bairro Dehon, mas não garante que poderá manter os dois no Centro de Controle de Zoonoses.
O motivo? O local não tem estrutura suficiente para atender animais doentes. Tanto, que nem mesmo o recolhimento é feito. “Já realizamos o pedido de medicamentos e outros itens urgentes para assistir os animais. No momento, não há como manter animais doentes no CCZ”, lamenta o secretário.
Uma história sem fim
O projeto do Centro de Controle de Zoonoses arrasta-se desde 2009. As obras iniciaram somente em janeiro de 2011 e a Madecril Madeiras e Construções, de Capivari de Baixo, foi a executora dos trabalhos. Desde então a estrutura está lá, sem uso.
Várias datas para a inauguração oficial foram marcadas, mas sempre aparecia um problema na estrutura ou esbarrava em licitações para compra de materiais, alimentos, contratação de profissionais.
E ainda não existe previsão de quanto o CCZ entrará em definitivo e pleno funcionamento. O lugar tem capacidade para acolher 25 gatos, 300 cachorros, além de um estábulo com duas baias para cavalos e bovinos.
Situação é discutida
A diretoria da ONG Movimenta-Cão reuniu-se ontem com o prefeito de Tubarão, Olavio Falchetti (PT), e o vice, Akilson Machado (PT), para tratar da situação dos animais abandonados. A organização apresentou dados sobre a realidade do município.
Conforme um levantamento informal feito pela ONG, a principal causa do problema é a falta de consciência das pessoas quanto aos cuidados para que os bichos não se reproduzam descontroladamente.
O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) também foi tema do encontro. Hoje, voluntários da ONG cuidam como podem de 70 cachorros abrigados no local. “Essa situação é uma de nossas prioridades. Estive lá e não gostei nada do que vi”, confessa Falchetti.
Ele promete também que ainda neste primeiro trimestre trará soluções para o tratamento de dejetos e dos animais mortos no CCZ. Uma parceria com a ONG, para a realização de feiras de adoção de cães e gatos, já é estudada.

