Emilly Fidelix
Doutoranda em História Cultural – Universidade Federal de Santa Catarina
O Carnaval é um período amplamente comemorado no Brasil, sendo uma festa popular, tornou-se parte de nossa cultura e um dos ícones de reconhecimento fora do país. Mas tal festejo não surgiu por aqui.
O Carnaval surgiu por meio de festividades realizadas na antiguidade pelos egípcios, gregos, romanos e outros povos. Serviam especialmente como comemoração referente ao sucesso das colheitas e como forma de louvor aos deuses, já que era uma festa pagã. Um dos festejos que serviu de herança para o Carnaval eram as chamadas “saturnais”, festas que ocorriam na Roma antiga em glorificação ao deus da agricultura, Saturno. Em tempos de celebração, a rotina das cidades se transformava, com danças e comemorações pelas ruas e muitos banquetes. Um ponto interessante é a inversão de papéis, já que se viam mestres servindo escravos, talvez o início de uma relação aos homens que se vestem com trajes considerados femininos nos blocos de rua.
Com o fortalecimento da Igreja Católica, que não gostava muito da forma como essas comemorações ocorriam, incorporou-se a festividade à Igreja. Assim, o carnaval passou a ser o último período de liberdade antes da fase marcada pela quaresma e suas restrições.
De tempos em tempos o Carnaval foi se transformando, ocorrendo de formas diferentes em cada país católico que manteve a tradição.
Você vivenciou um período pré-carnaval onde se molhava as pessoas nas ruas? Pois é, essa prática que está se extinguindo, pelo menos aqui no Sul, é fruto da influência de Portugal em nosso país, através de uma forma de comemoração chamada “entrudo”, marcada por brincadeiras com a água, comuns no século 17. As nossas conhecidas marchinhas, por sua vez, surgiram no final do século 19 e fizeram a festa dos carnavalescos entre os anos 1930 e 1950, mas continuam sendo um convite para dançar e lembrar o Carnaval de rua, “ô abre-alas, que eu quero passar”.