Fotógrafo Gilmar Fernando Estevam relembra sua trajetória e faz muitos planos com seus cliques.
Willian Reis
Tubarão
Era 19 de agosto de 1839. Naquele dia, a Academia de Ciências e Belas Artes de Paris anunciou que o governo francês havia adquirido o daguerreótipo, um processo fotográfico então recentemente descoberto, e estava colocando-o em domínio público. Era como se a nova tecnologia ficasse ao alcance de todos.
Não por acaso, a data foi escolhida para ser o Dia Mundial da Fotografia. De lá para cá, é claro, a tecnologia avançou, e a fotografia, como nos sonhos dos franceses do século 19, tornou-se acessível a todos, em múltiplas plataformas. Com as imagens, a memória e o passado se eternizam e se disseminam mundo afora.
Mas há também os que se destacam do outro lado das lentes, aqueles que se dedicam a captar em imagens o desenrolar da vida. Ainda jovem, aos 14 anos, Gilmar Fernando Estevam juntou algum dinheiro e conseguiu comprar, por encomenda de São Paulo, a sua máquina fotográfica, uma Kodak X 77. Nascido em Lauro Müller, aos 6 anos já morava com a família em Tubarão, e desde menino era um apaixonado pela fotografia. Talvez tenha sido um gosto herdado de um bisavô seu, recorda-se.
Fotografava famílias reunidas, crianças brincando, paisagem. Da entrega dos rolos de filme no laboratório da cidade à chegada das fotografias, eram 30 dias de espera. “O pessoal perguntava onde eu aprendi a bater foto”, lembra. Com 17 anos, deu uma guinada: comprou uma câmera profissional e passou a fotografar eventos sociais.
Cinco anos mais tarde, decidiu se dedicar quase exclusivamente à fotografia. “Fazia só foto. O resto era bico”, comenta. Com seu trabalho ganhando fama na cidade, surgiu o convite para atuar no Jornal Diário do Sul como repórter fotográfico. Foi um duplo desafio: além de ter de encarar o ritmo frenético de um periódico, Estevam só trabalharia, a partir de então, com a recém-chegada câmera digital.
Tornou-se um dos primeiros a adotá-la na região, enquanto outros relutavam em aderir à novidade. “Gostei. Vi o futuro”, afirma. Dez anos depois, mudou-se para o Notisul, onde ficou por dois anos. Um dos momentos mais marcantes foi acompanhar uma baleia que havia encalhado na região de Laguna. “No jornalismo a gente tem muito contato com os amigos. As pessoas me ligavam elogiando o trabalho”, recorda.
Estevam trabalha em um estúdio com os dois filhos
Depois da imprensa, veio o negócio próprio. Estevam abriu um estúdio, onde hoje, aos 53 anos, trabalha junto com seus dois filhos. Cobre todo tipo de evento, inclusive em outros Estados e países como o Chile. Não reclama de crise econômica e diz que o segredo é gostar do que se faz: “Tem que ter alma de fotógrafo”.
Sobre o futuro da área, ele diz que o drone vai ser imprescindível e sonha em fazer uma série de fotos do cotidiano em preto e branco, com vistas à publicação em livro. Mas Estevam sente falta de certo suspense que havia no tempo da máquina analógica, quando, antes da revelação, o resultado do trabalho era sempre um mistério. “Quem gosta de arte ama fotografia”, comenta.

