O que se sabe sobre o autor da música do hino nacional? Quem foi Francisco Manoel da Silva? Além de consagrado maestro e compositor, foi exímio intérprete de violino, violoncelo, órgão e piano. Diretor da Capela Real (onde se realizavam as grandes cantatas e concertos), fundou e dirigiu a Sociedade Beneficente Musical. Igualmente fundou o Conservatório Musical, que foi transformado na Escola Superior de Música, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Regente da Orquestra Nacional (então Teatro Lírico Fluminense) e dirigente de grandes orquestras durante a apresentação de grupos internacionais de ópera e opereta, o conjunto de sua obra é mais importante do que a composição do hino.
Durante a Copa do Mundo de 2002, o jornal britânico The Guardian sugeriu que os ingleses acordassem mais cedo para assistir à partida entre Brasil e Inglaterra. E que, antes do jogo que decidiria a vaga nas semifinais, prestassem atenção ao mais bonito hino nacional entre os dos países das oito seleções classificadas para as quartas de final.
“O hino nacional brasileiro é um dos grandes legados do Brasil para a felicidade humana”, dizia o editorial do jornal, que classificava o hino do Brasil como o mais musical de todo o mundo, “expressando musicalmente o que Pelé e seus sucessores demonstram no campo futebol”.
A partir de 22 de setembro de 2009, tornou-se obrigatória a execução do hino nacional em escolas públicas e particulares do ensino fundamental de todo o país pelo menos uma vez por semana. Houve críticas aqui e ali, alguns por considerarem que a lei também deveria determinar que os professores conhecessem o significado de cada estrofe, para que, assim, pudessem trabalhar o seu conteúdo de forma transversal e transmitir aos alunos ensinamentos sobre o hino. Crítica procedente, pois cantar o hino sem ter a menor noção do que se está dizendo, é mero papagaiar.
Certa vez, fiz um teste perguntando a um grupo de alunos se eles conheciam o conteúdo da primeira estrofe do hino. Nenhum deles sabia que foram “As margens plácidas do (rio) Ipiranga (que) ouviram o brado retumbante de um povo heróico”, alusão ao grito “Independência ou Morte”, atribuído a Pedro 1º.
Nesse sentido, no ano passado, a nossa secretaria de educação distribuiu a todos os alunos do ensino fundamental das escolas públicas estaduais um valioso instrumento de informações a respeito. O conjunto traz um livreto para os alunos, onde se traduz os versos originais para a ordem direta, além de um glossário com o significado das palavras mais inusuais. Para os professores, outro opúsculo cuidadosamente elaborado para que eles dominem o tema e saibam usá-lo de forma transversal nas mais diversas disciplinas.
Distribuindo, também, o dicionário Aurélio a todos os alunos, procuramos estimular o conhecimento do significado das palavras, especialmente as mais incomuns. Outra interessante curiosidade: você sabia que a introdução do hino nacional (aquela parte instrumental, que é tocada, antes de começarmos a cantar) já teve letra? Ela era cantada, assim, no início do século passado:
Espera o Brasil que todos cumprais o vosso dever
Eia! Avante, brasileiros! Sempre avante
Gravai a buril nos pátrios anais o vosso poder
Eia! Avante, brasileiros! Sempre avante
Servi o Brasil sem esmorecer, com ânimo audaz
Cumpri o dever na guerra e na paz
À sombra da lei, à brisa gentil
O lábaro erguer do belo Brasil
Eia sus, oh sus!
Graças a Deus, essa parte da letra foi excluída!

