Nas últimas semanas, estamos assistindo a reportagens sobre as chamadas “pulseirinhas do sexo”. Como não poderia ser diferente, pais, educadores e toda a sociedade manifestaram preocupação em relação ao fato. Não faltaram opiniões sobre a “modernidade”, a falta de valores, a necessidade de proibição da venda e do uso, etc. Como filósofo e educador, gastei certo tempo pensando no assunto e tomei a liberdade de partilhar com você, amigo leitor, o fruto dessas reflexões.
Primeiramente, em todas as épocas, os jovens trouxeram preocupações para seus pais, especialmente no que se refere à sexualidade. E, em nossos dias, com o advento das doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez precoce, essa preocupação tornou-se ainda maior.
Para abordarmos o tema, é necessário compreender que os jovens de hoje, como os de ontem e os de amanhã, precisam aprender a administrar a sua sexualidade. Os comportamentos que para nós soam como estranhos podem ser interpretados como pedidos de socorro ou comportamentos adaptativos, visto que ninguém gosta de ficar para trás, ou se sentir excluído e, nos adolescentes e jovens, essa necessidade é ainda maior.
Diante disso, temos de separar o joio do trigo: há jovens que usam as tais pulseirinhas porque os colegas usam, ou seja, não fazem nenhuma relação com o sexo; há outros, infelizmente, que usam conscientes e mal intencionados.
Proibir o uso é, para nós, adultos, a coisa mais fácil e mais cômoda. Entretanto, parece que esquecemos que a lei por si só não muda a cultura. Além disso, se nós apenas proibirmos, eles deixarão de usar perto de nós, mas usarão em outros espaços compartilhados por seus colegas. Quando tomamos uma atitude autoritária, fechamos um precioso canal de comunicação com nossos filhos e alunos. Então, não basta proibir. É preciso fazer pensar sobre o uso. E esse trabalho leva anos. Não é numa conversa em casa ou na sala de aula que eles ficarão convencidos que é preciso deixar de usar a pulseirinha, ou pelo menos ressignificá-la.
Na verdade, nossas crianças, adolescentes e jovens são vítimas de uma sociedade altamente erotizada. O que faz as pessoas pensarem e praticarem sexo de forma desordenada não são apenas tais pulseirinhas. O problema é muito maior. Analise, caro amigo, a qualidade das músicas que temos. Pare e reflita sobre os valores repassados nas novelas, primeiramente qualificadas para as 21 horas e que, posteriormente, são reprisadas no horário vespertino, quando as crianças estão sozinhas em casa sem um adulto para ajudá-la a filtrar o que vê. Veja os temas das festas que nossos jovens frequentam. Acesse as comunidades das quais eles participam nos sites de relacionamento. A pulseirinha é apenas um dos elementos entre tantos que chegam a eles carregados de sensualismo e erotização, que em nada contribuem para o desenvolvimento sadio da sexualidade. (Continua na edição de amanhã).

