domingo, 15 fevereiro , 2026

O dilema das pulseirinhas (fim)

Como adultos, não podemos cair no erro de meramente proibir. Isso cria uma falsa ilusão, ou seja, achamos que tudo está bem porque não se usa a pulseira dentro de casa ou na escola. Mas, e as conversas? E os vídeos que eles têm no celular, MP3, 4, 5…? Com quem nossos adolescentes e jovens conversam sobre sexualidade de forma saudável e com ética? Que tipo de lazer oferecemos a eles, que não sejam as festas regadas por músicas, muitas vezes, carregadas de palavras chulas e depreciativas?
Mesmo que nossos filhos ou alunos não participem de tais festas, eles não vivem em redomas, ao contrário, convivem com outras pessoas. É importante, portanto, desenvolver neles a arte de pensar, de ser capaz de rejeitar qualquer prática, símbolo ou acessório que denigra a dignidade de uma pessoa.

É claro que sou favorável à proibição das vendas das tais pulseirinhas, mas creio que devamos também proibir certas festas, certos eventos. Sou favorável, ainda, a que repensemos o uso que fazemos de nosso corpo, a que não caiamos no moralismo e no julgamento precipitado. De que adianta proibir o uso de objetos que estimulam as práticas sexuais se as meninas, por exemplo, frequentam as festas com roupas pouco apropriadas, com as quais seus corpos ficam expostos aos olhares indecentes de adultos e jovens que vivem sua sexualidade de forma imatura? Onde estão os pais dessas meninas?

Proibamos o uso e a venda sim. Isso será um passo importante. Porém, antes de tudo, é preciso gastar tempo conversando com os adolescentes e jovens, contar as nossas histórias, a forma como vivemos nossas vidas. É preciso despertar neles outros sonhos e desejos para que não sejam controlados pelo ímpeto de participarem de todas as festas. Hoje em dia, é comum vermos jovens que frequentam festas todos os finais de semana, sempre sozinhos, longe da família. As famílias tornaram-se “famí-ilhas”. Cada um tem sua vida, seu programa de final de semana, sua TV, seu computador, seus amigos.

Vamos recuperar os nossos relacionamentos. Vamos recuperar o amor entre as pessoas. Quanto tempo você fica com seus filhos, com seus pais. Esse tempo é para cultivar o amor, ou para tecer listas de proibições?
Quanto mais longe da ética uma sociedade está, maior o número de regras. Quanto mais longe estamos das pessoas, mais precisamos controlá-las através dos padrões de comportamento. Não sejamos hipócritas! A febre das pulseiras logo, logo passará. E o que faremos? Vamos proibir qualquer outra coisa? Não. Se quisermos que nossos adolescentes cresçam de forma madura, precisamos nos aproximar deles, e ajudá-los a não serem meros expectadores da vida, mas a se transformarem em autores e atores da própria existência.

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