quarta-feira, 12 agosto , 2026

O pacífico Brasil e seus milhares de mortos

OBrasil é novamente o país com mais cidades no ranking das 50 mais violentas do mundo, segundo recente levantamento da organização não governamental mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal. Delas, 19 são brasileiras, sendo nove capitais da região nordeste. Essa foi a quinta edição do ranking que considerou apenas cidades com mais de 300 mil habitantes.

Os números são alarmantes, nenhum outro país teve tantas cidades incluídas na listagem. Depois do Brasil, vem o México, com dez, quantitativo que quase corresponde, apenas, aos municípios nordestinos brasileiros. A pior performance no país foi a da capital João Pessoa, com um índice de homicídios de 79,41 por 100 mil habitantes, seguida de muito perto por Maceió, com 72,91 por 100 mil.

A Organização das Nações Unidas estabelece como aceitável o índice máximo de 10 homicídios por 100 mil habitantes. A partir daí, a violência é considerada epidêmica. É o triste caso de muitas cidades do Brasil. A compreensão das causas da criminalidade é complexa. Porém, na análise do fenômeno regional, alguns fatores surgem claros como contributivos para a instauração do quadro atual.

O que se evidencia, além das atividades relacionadas ao tráfico de drogas, que se instalaram de forma rápida e com pouca resistência, é a utilização de uma estratégia equivocada no combate à violência. O governo federal considerava – ou dizia considerar – o desarmamento civil como a solução para altos índices de homicídio. Nenhuma outra região do país teve tanto investimento em campanhas de desarmamento como o nordeste. E os dados do Ministério da Justiça indicam que, no recolhimento de armas, ali se conseguiu uma ótima adesão. Nas primeiras edições da campanha, Sergipe e Alagoas foram os estados com maior número de armas entregues, mas isso, como mais uma vez se mostra, não produziu nenhum efeito no número de homicídios. As capitais dos dois estados continuam entre as 50 cidades mundialmente mais violentas. Importante também frisar que o nordeste é, de acordo com dados da Polícia Federal, a região com o menor número de armas legais.

Enquanto se investe em retirar de circulação armas dos cidadãos de bem – as únicas atingidas por campanhas de desarmamento -, e impedir que os brasileiros permaneçam com suas armas regularizadas que, opressos por uma legislação burocrática e morosa, são empurrados para a irregularidade somente por querer exercer um direito constitucional, o tráfico se expande pelo país. Uma organização criminosa extremamente “profissional” sendo combatida de forma surpreendentemente amadora. É certo que os criminosos não adquirem armas de fogo em lojas legais, tendo fácil acesso a armamentos através do desenfreado contrabando. E, a cada estudo a situação brasileira parece piorar. É necessário adotar medidas urgentes e efetivas para evitar mais mortes.

Interessante lembrar que o México, o segundo país com mais cidades violentas do mundo, a restrição à posse legal de armas também é fortíssima, sendo que há apenas uma loja de arma legal no país todo e a mesma é controlada diretamente pelos militares. Enquanto isso, nos EUA, os americanos com seu alardeado belicismo, com suas guerras, suas penas de morte, suas prisões perpétuas e mais de 10 milhões de armas entrando no mercado legalmente e abastecendo o mercado civil anualmente veem ano após ano, ver cair todos os índices de criminalidades, que já são baixíssimos.

É exatamente isso que mostram os números divulgados no último dia 26 pelo FBI em seu relatório semestral sobre crimes violentos e contra a propriedade. Os crimes violentos, entre eles homicídios e estupros, tiveram uma queda de 4,6% no primeiro semestre de 2014 em comparação ao mesmo período de 2013. Já os crimes contra o patrimônio tiveram uma queda mais expressiva ainda, de 7,5%. Pobres coitados americanos com suas mais de 300 milhões de armas nas mãos da população. Bom é o desarmado e pacífico Brasil…

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