Você percebeu que há uma “onda cor de rosa” na região? Roupas, sapatos, acessórios desta cor saíram das prateleiras das lojas e estão vibrando as vitrines e decorações… E nem estamos em outubro… Portanto, não é uma alusão a prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de mama.
Não, realmente não é, tudo isso é relativo ao lançamento do novo filme da Barbie, que ocorrerá nos próximos dias!
Dirigido por Greta Gerwig, no filme, a boneca, interpretada por Margot Robbie, começará a ter crises de identidade e questionará o fato de ser apenas mais uma das Barbies da Barbielandia. Ao lado de Ken, interpretado por Ryan Gosling, a personagem acabará deixando o mundo das bonecas e vindo para o mundo real para descobrir como as pessoas normais vivem, ficando exposta aos perigos e irritando o CEO da Mattel, interpretado por Will Ferrell.
Embora o tão esperado filme “Barbie” seja baseado na boneca mais famosa do mundo, a produção não é voltada ao público infantil. No Brasil, o filme não tem classificação livre e pode ser visto apenas por pessoas acima de 12 anos. As com idade inferior, precisam estar acompanhadas dos pais, pois dizem os “spoileadores” de plantão, que o filme é recheado de piadas com temas como feminismo, patriarcado e depressão, bem como, cenas que são consideradas impróprias para crianças menores, como alguns atos violentos e diálogos com teor adulto, sendo direcionado para um público-alvo diferente daquele que ainda brinca com bonecas.
A expectativa é que os lucros com o filme atinja US$ 950 milhões e, que apenas neste fim de semana, de quinta-feira (20) até domingo (23), o filme da boneca arrecade de R$ 386 milhões a R$ 482 milhões.
E então, a Barbie tem poder ou não tem?
Inegavelmente tem! E aí é que começam as reflexões…
Além de uma expectativa imensa por um filme… de uma boneca… desde o seu nascimento, em 1959, a Barbie procura retratar uma ideia do que seja ter sucesso na vida e, de modo geral, isso se traduz em: ser magra (muito magra), não envelhecer, ter um par romântico, um carro e uma casa rosa. E, assim, ela reforça socialmente um modo – na minha opinição muito equivocado – sobre sucesso e felicidade. Por isso, independente de você ou eu gostarmos da Barbie ou do filme, ela e as mensagens que carrega em si, pairam sobre nós e, sobretudo, sobre nossas crianças.
Não acredita? Então pense comigo…
Segundo dados da Super Abril e do Guia da Farmácia, as vendas do Ozempic, remédio recomendado para o tratamento de diabetes, mas usado também para o emagrecimento rápido, cresceram 127% no ano passado, tornando o medicamento o campeão de vendas em 2022. No Google, uma das buscas campeãs de 2022 foi… pasmem… “como ser padrão“. E, como se não bastasse, na última década voltou-se a atribuir uma supervalorização à magreza, sobretudo no TikTok e Instagram que são redes super populares.
É claro que tudo isso não foi motivado apenas pela Barbie, mas sem dúvida ela tem uma boa parcela de contribuição.
Bom, mas você deve estar pensando: “ahhh, mas nos útlimos anos foram lançadas Barbies com alusão a diversidade, tanto é que no filme tem Barbie gorda e Barbie preta”.
Pois é, mas isso não é por acaso, nem tampouco uma simples iniciativa de inclusão ou de responsabilidade social…
O que acontece é que em 2022 a Mattel registrou uma queda de 93% no lucro líquido da empresa. Em vez dos 225,8 milhões de dólares do ano anterior, foram 16,1 milhões. No total, houve uma queda de 56% no lucro líquido, e constatou-se que o declínio na venda da Barbie, carro-chefe da companhia, tem total relação com isso. Por isso, tornou-se estratégico criar identidades para a Barbie. E isso deu certo, sobretudo a partir da expectativa criada pelo filme.
Para se ter uma ideia, em junho deste ano, as ações da Mattel subiram cerca de 20,19% na bolsa americana Nasdaq, chegando a US$ 21,97 na semana passada. Assim, a exposição e assimilação de “novos biotipos” para a Barbie, foi uma excelente forma de reabilitar os lucros da empresa e a reposicioná-la no mercado.
Portanto, como insistentemente venho dizendo, não deixe de aproveitar as coisas que a vida e o mercado lhe oferecem, mas treine o seu olhar, pense, reflita, pequise, observe e fique atento ao que há por trás de qualquer ação, por mais ingênua ou “cor de rosa” que pareça. Com esse exercício você vai perceber que há muitas coisas ocultas, que direta ou indiretamente impactam em nossas simples vidas, empoderando pessoas para quem não somos importantes.

