Início Geral O poeta peregrino

O poeta peregrino

Aos 56 anos de idade, Nelinho já conheceu várias cidades do país. Fez poesia dos lugares que conheceu, principalmente da história de Tubarão
Aos 56 anos de idade, Nelinho já conheceu várias cidades do país. Fez poesia dos lugares que conheceu, principalmente da história de Tubarão

 

Lily Farias
Tubarão
 
Muita gente fica curiosa para saber quem é aquele senhor de barba branca que roda as ruas da cidade a bordo de uma estilizada bicicleta. Na verdade, ele tem seis bikes com diferentes designs, todas criações próprias. Quem começa a conversar com ele não faz ideia do mundo imaginário que Manoel Alderino de Oliveira tem na mente. Não são meras ilusões, é um mundo de poesia que ele recita ao léu, para ele mesmo e também para quem estiver passando em sua volta.
 
A inspiração para produzir tanta poesia vem de muitas viagens que fez pelo Brasil e no exterior ao longo dos seus 56 anos de vida. Natural de Tubarão, Nelinho, como é carinhosamente conhecido, transforma o cotidiano em rimas. 
 
Um exemplo é a inesquecível a enchente de 1974. Com uma memória invejável, ele recita, sem ler uma palavra, um longo poema que narra os acontecimentos da época, intitulado “Tragédia de Tubarão”. Os detalhes impressionam. Sua inteligência mais ainda, e olha que cursou apenas os dois primeiros anos escolares.
 
Leitor assíduo, Nelinho conta que já “devorou” mais de 900 livros. Número suficiente para agregar conhecimento a ponto de escrever nove obras, todas com poemas e rimas, mas nenhuma publicada.
 
Nelinho chama atenção por pedalar pela cidade com suas bicicletas cheias de frases e acessórios coloridos. As frases são escritas de acordo com passagens de sua vida. São agradecimentos por superar cada momento.
 
Agora ele está criando a réplica de uma barca para lembrar a enchente de 1974, e irá acoplar o modelo em seu meio de transporte. “É um momento que os moradores jamais esquecerão. Por isso a homenagem”, declara.
Sair da versão mobile