De repente um desconforto aumenta e logo aquilo que era um pequeno machucado se revela um tumor, que cresce cada vez mais. O indivíduo, diante da autoridade médica, assustado e confuso na sua luta pela vida, está atento para a orientação, seja para o tratamento com drogas ou até mesmo a mutilação do corpo, a amputação da perna, do braço. Já se prepara para encarar uma nova rotina, tratamentos de radioterapia, quimioterapia e internações.
Afinal de contas, consciente de tudo isso, para falar com sinceridade, não dá para entender como tantos cidadãos brasileiros podem ficar indiferentes com o câncer, agindo naturalmente como se nada acontecesse. Praticamente todos têm um parente, um vizinho, no mínimo, que já esteve diante desta doença, uma realidade tão cruel que acomete milhões de pessoas no mundo. Devem saber, portanto, o nível de sofrimento que se submete o paciente.
Por sorte, na contramão do descaso do poder público e de uma parcela da sociedade, há momentos solidários. Especialmente com o advento da internet, com as redes sociais, surgem páginas, grupos, que expõem pessoas doentes em ações de arrecadação de doações. Há bingos, rifas, jantares beneficentes e uma série de outras ações. Há ainda entidades especializadas, que promovem pedágio solidário, visitam escolas e divulgam informações em diferentes canais sobre a prevenção e os exames e tratamentos como um todo.
O que realmente importa é que o tema do câncer nunca saia da pauta da imprensa, sem exceção. Desde o jornal esportivo até os canais de variedades. Que nunca seja esquecido, mesmo em tempos de crise econômica, de instabilidade política ou de festividades como os jogos olímpicos e as eleições municipais. Desta comoção popular depende a vitória dos pacientes, gente que faz o que pode, nem sempre com revolta, mas pacientemente e até com alegria e fé.
Assim, é preciso também ter pressa e mais investimentos em pesquisas como o que ocorre recentemente com a Fosfoetanolamina. É, por sinal, urgente o engajamento desinteressado de mais lideranças políticas, econômicas, religiosas e outras. Não é possível que um país tão rico, como o Brasil, se acovarde a ponto de adiar por mais um minuto sequer a produção em maior escala de um remédio que se mostra capaz de salvar vidas.