A geração anterior a “Spielberg” era educada para o casamento perpétuo. As meninas eram educadas para serem futuras mães onde o casamento era um momento sério e sagrado. Os meninos eram educados para serem futuros pais honrados e mantenedores da família. O casamento religioso, como civil, era o diploma para se constituir uma família. A cultura da época obrigava as meninas a se apresentarem no altar, com o “selo” da virgindade, prova de fuga por qualquer apelo do sexo antes do casamento.
A família hoje é vítima da crise econômica e antropológica. Ambas têm “matriz comum” nos males do nosso tempo: o individualismo, o relativismo, o utilitarismo e o consumismo.
As primeiras novelas e filmes eram em geral espelhados na vida lasciva e promíscua dos artistas da época. Consideravam-se os arautos de uma nova proposta sócio/cultural. Queriam construir uma moral nova no modelo de relacionamento familiar.
Há uma intenção de destruir tudo ( http://alainet.org/active/56666). Infelizmente “a janela” está obtendo resultado. As estatísticas da redução das uniões consagradas, bem como o número de separações é um fato doloroso do esfacelamento familiar.
Os jovens em geral trazem um grau de dignidade e esperança ao conhecer seus primeiros pares. Infelizmente, o sonho de chegar ao altar na grande maioria o é por exibicionismo, fomentado pelas fantasias das novelas, do que a assunção de um compromisso sério para toda a vida. Logo não suportarão a monotonia matrimonial construída naquela premissa.
Ao se separar no ardor da juventude, logo buscarão novos companheiros(as) para o preencher o vazio existencial. Quando há filhos, estes serão “premiados” por novos, avós, pais, irmãos, tios, primos. Estão se criando famílias tipo planar, onde o maior horizonte genealógico será quando muito os avós. Criam-se verdadeiras teias familiares horizontais. Não há mais clãs por sanguinidade.
Nas dissoluções conjugais por incompatibilidade de gênios, as novas uniões podem ser reconciliadas pela amizade dos cônjuges que se separaram, a fim de evitar desgastes dos filhos. Permite-se assim em qualquer evento (aniversários) que os “ex” se encontrem e todos se confraternizam. Entretanto, uma confraternização sócio/cultural, de aparente harmonia entre os novos figurantes no teatro da vida, com novo script. Este é o efeito do “turn over” matrimonial.

