quinta-feira, 13 agosto , 2026

O verdadeiro sentido do Natal ainda está muito esquecido!

Osmar Machado Fernandes, o Papai Noel, natural de Pescaria Brava, deixou o local em 1974. Exercia a função de policial militar até 2003, agora está aposentado desta função. Viúvo, perdeu a esposa em 2007. Pai de Osmar Júnior, Gilmara e Lilian. É casado com Rosane Leal de Souza. Veste-se como Papai Noel desde 1982, quando se apresentava para a família. Depois, no fim da década de 1980 e início dos anos 1990 surgiu a oportunidade comercial. Virou negócio. “Alguém fazia uma festinha, uma entrega de presentes na época do Natal, sempre tomava a frente nestes eventos e ganhava uma quantia para isso”, lembra Osmar.

 
Maycon Vianna
Tubarão
 
Notisul – Como é que surgiu essa ideia de virar o Papai Noel?
Papai Noel – Surgiu porque sou muito apegado às crianças. Tenho envolvimento bem próximo delas, então, voltou aquela garra de lidar com os mais novos desde 1982. Depois, no fim da década de 80 e início dos anos 90 surgiu a oportunidade da fase comercial. Alguém fazia uma festinha, uma entrega de presentes na época do Natal, sempre tomava a frente nestes eventos e ganhava uma quantia para isso.
 
Notisul – Antes de o senhor deixar o seu trabalho como policial, já havia sido Papai Noel em outras ocasiões?
Papai Noel – Não. Trabalhava como policial militar e não tinha tempo o suficiente para deixar a barba crescer e não tinha como, até porque tinha um regulamento no batalhão e precisava cumprir. Quando chegou próximo da minha aposentadoria, deixei crescer a barba e daí em diante comecei a exercer a função com mais afinco.
 
Notisul – Depois de se tornar  Papai Noel, quais as histórias mais curiosidades o senhor presenciou?
Papai Noel – Existem muitas histórias, principalmente com familiares envolvidos, por exemplo: muita gente vem até mim para pedir para levar a paz para dentro de casa. Isso é muito interessante. Outros parentes fazem os pedidos e pedem para juntar o casal que se separou, ou mesmo os próprios filhos solicitam isso ao Papai Noel. Tem uma série de situações que nos comovem, fico pensando e me pergunto: será que realmente conseguirei atender este pedido? São vários problemas que ocorrem na sociedade que viram solicitações para o Bom Velhinho. 
 
Notisul – De onde o senhor tira motivação para se vestir de Papai Noel nos dias que antecedem o Natal?
Papai Noel – Acredito que o que mais me motiva é o brilho nos olhos das crianças. Isso é emocionante! Faz-me trabalhar com garra, com muita vontade, pois passo confiança às pessoas, naquelas que me contratam. Então, um centro comercial, um empreendimento que me chama para trabalhar, sabe que tenho potencial. Tem que ter certo carisma com as crianças e os pais, principalmente saber lidar com o público. Onde estou, geralmente passa gente de tudo quanto é tipo, jeito, cor, raça… É preciso ter educação com o próximo para exercer este serviço.
 
Notisul – Qual o fato mais emocionante que o senhor presenciou desde o tempo que começou a exercer a função de Papai Noel?
Papai Noel – Tem muita história, contos reais. É difícil apontar uma. Porém, fico muito sensibilizado porque venho de uma família que não passou por muitas situações que vivencio aqui nos pedidos. Vem muita criança, até mesmo já mais adolescente, perguntar se sou o Papai Noel de verdade, colocam a mão na barba, pedem para ir na residência e entregar presente. Faço este trabalho com muito prazer, os maiores passam até a acreditar que sou Papai Noel. Na realidade sou um personagem, mas o curioso que eles realmente acreditam.
 
Notisul – Quanto tempo leva para o senhor se produzir, desde aparar a barba até a roupa de Papai Noel?
Papai Noel – Deixo a barba a partir de março, são praticamente nove meses sem fazê-la o que faz crescer, em média, 12 centímetros. Com relação à roupa, tenho uma criatividade própria. Todos os anos faço uma inovação, procuro as tendências na internet e analiso aquela mais moderna, diferente. Posso garantir que a cada ano venho com uma peça diferente para atender ao público como Papai Noel. Ah, detalhe: sempre peço opinião da minha filha para saber como ficou o traje. 
 
Notisul – De que forma o senhor lida com aqueles que realmente têm curiosidade pelo Papai Noel? É verdade que eles costumam puxar forte a sua barba?
Papai Noel – Os conhecidos pedem para a criança puxar a minha barba. Geralmente, isso é muito curioso. Eles querem ver o Papai Noel inovado, diferente. Querem saber se é de verdade, às vezes dói um pouquinho, mas tudo é válido para alegrar a criançada.
 
Notisul – Como os seus familiares avaliam o trabalho que o senhor faz hoje?
Papai Noel – Eles ficam muito satisfeitos, dão total apoio. Em vez de fazer outro tipo de coisa, até porque já passei por sérias dificuldades, fiz cirurgia, então faço algo que gosto, os familiares me deixam muito à vontade. Eles não interferem em nada. Só positivamente.
 
Notisul – Quais são os presentes mais pedidos pelas crianças que procuram o Papai Noel do shopping?
Papai Noel – Com essa mecanização e modernidade das coisas, até o Papai Noel se enrola (risos). É necessário conhecer esses presentes novos. Tablets, smarthphones, carrinhos de controle remoto, bonecas que falam… Os pedidos de hoje em dia são praticamente os mesmos tanto para os meninos, quanto para as meninas. Na maioria, não tem muita diferença.
 
Notisul – Quando uma criança faz um pedido por carta, como o senhor sabe se ela ficou comportada durante o ano?
Papai Noel – Eu acredito nela! Se você me diz que se comportou, acredito que é verdade. As crianças não mentem, são inocentes. Recebo várias cartinhas. Há alguns anos tentei trabalhar com e-mail, mas não gostei. Senti falta de ver a caligrafia das crianças. Por e-mail era muito impessoal, sentia-me como uma empresa de pedidos de oferta do mercado. Foi estranho!
 
Notisul – Quando começa a procura das empresas e famílias para que o Osmar seja a figura do Papai Noel no Natal? Este trabalho não é cansativo?
Papai Noel – Quem me contrata sabe do meu empenho. Cerca de cinco meses antes do Natal já recebo convites de trabalho. Fico muito lisonjeado pela imensa procura. Às vezes, cansa este serviço. Na época natalina, é uma escala de mais de seis horas diárias, com roupa pesada, quente na véspera do verão. Na segunda-feira, quando atuo, não tem muito movimento, principalmente nos shoppings. Nos fins de semana, sempre tem aquela badalação, aquele movimento intenso. Temos que estar ligados nas crianças que passam nos corredores. Tem que abanar a mão, pegar uma criança e trazer para fazer foto. É uma série de fatos, mas com muita motivação em cada balinha, em cada abraço que dou.
 
Notisul – Com o passar do tempo, o personagem do Papai Noel perde um pouco de sua magia, do seu brilho natalino?
Papai Noel – Às vezes deixo as crianças descobrirem se o Papai Noel existe ou não. Ou mesmo com os próprios pais. A imagem do Bom Velhinho é encantadora. Muitas vezes, as pessoas dizem para os pequenos que o Papai Noel não existe. Tudo bem, sei que é mais um símbolo comercial. Procuro explicar o sentido verdadeiro do Natal. Mais tarde, as crianças descobrem se o Papai Noel é real ou não. Outras vezes, fica no imaginário para sempre. Mas afirmo com convicção: o Bom Velhinho existe, desde o tempo de São Nicolau, bispo da Igreja Católica que doava presentes na época do Natal, até o personagem de hoje, mais comercial, dizem que é um símbolo representante da Coca-Cola. 
 
Notisul – Além de aparecer em grandes empreendimentos, o senhor atua como Papai Noel em mais algum lugar de maneira voluntária?
Papai Noel – Sim, com certeza. Faço o meu trabalho em creches, ações sociais. No Morro da Catedral, fiz uma ação voluntária no espaço de tempo aproximado de uma hora, entrega de presentes para as crianças de baixa renda. Todas elas ficaram emocionadas, porque fui até o local trajado como Papai Noel. Os responsáveis pela creche me agradeceram bastante, fiz isso de forma espontânea, sem receber nada. O Papai Noel tem que estar junto da sociedade. O personagem tem uma aceitação boa, noto que pode ter reduzido um pouco o encanto devido a influências externas, do próprio materialismo, onde as pessoas só pensam em comprar e esquecem o nascimento do Menino Jesus.
 
Notisul – O senhor trabalha na véspera e no dia do Natal? Ainda há tempo para aproveitar a festividade com a família?
Papai Noel – Tenho clientes há anos. Faço entregas de presentes em alguns lugares no dia 24 de dezembro, na maioria das vezes aquele que me contrata pede para que eu vá, mas tudo depende do horário de chegada e saída, tempo de permanência no local, a forma de locomoção. Não é possível aceitar todo tipo de trabalho, porque senão fico a noite toda. Já no dia do Natal, 25 de dezembro, aproveito para tirar uma folguinha para ficar com a família. Venho de uma maratona bem intensa, o Papai Noel precisa descansar. Durante o ano, como sou aposentado, preparo-me para o próximo Natal, é uma atividade e um bom dinheiro extra a cada fim de ano.
 
Notisul – Qual a mensagem de Natal que o senhor deixa para o leitor do Notisul?
Papai Noel – Que todas as pessoas não esqueçam o verdadeiro significado que esta data representa, que é o nascimento de Jesus Cristo, muitos não dão importância para este fato extraordinário. Algumas pessoas precisam parar de se ligar somente nas coisas materiais e deixar de lado a religiosidade. Pediria que acreditassem mais na mensagem do Natal.
 
Osmar por Osmar
Deus – É tudo
Família – Ótima!
Trabalho – Muito bom!
Passado – Não vivo tanto, o hoje é mais interessante!
Presente – É dar e receber!
Futuro – Só Deus sabe!
 
"O que mais me motiva a ser Papai Noel é o brilho nos olhos das crianças. Isso é emocionante! Faz-me trabalhar com garra, com muita vontade".
 
"O personagem do Papai Noel tem uma aceitação boa. Pode ter reduzido um pouco o encanto devido à influência do materialismo!".

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