domingo, 11 outubro , 2026

O voto dos jovens

É preocupante o desinteresse dos jovens em votar nas próximas eleições. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, foi de 18% a diminuição de jovens eleitores entre 16 e 17 anos, que não são obrigados a votar, entre 2008 e 2010.

Que estaria provocando tal queda? Conforme jovens que se manifestaram, os cada vez mais rumorosos escândalos, envolvendo políticos, são circunstâncias que muito os decepcionam. Se a intenção dos novos eleitores, no entanto, – como deveria ser de todos os eleitores -, é votar para melhorar a vida da coletividade e a própria existência, não exercer o direito do voto é um equívoco. Contribui, na verdade, para manter, ou para piorar, o que realmente condenam. É somente escolhendo bem e acompanhando os atos dos eleitos que se corrigem os desvios e se contribui para a construção da tão sonhada equidade social.

Esta pesquisa mostra que está passando da hora, mas ainda dá tempo de oportunizar aos jovens o aprendizado e a vivência da democracia participativa, em vez da praticada democracia representativa. As escolas podem fazê-lo por meio de eleições de Líder de Classe, dos Grêmios Estudantis e dos Conselhos Deliberativos, ideais para orientar e exercitar a cidadania consciente.

Não se deve votar no candidato apenas por ser amigo ou conhecido, mas naquele que está de fato preparado e comprometido com a função para a qual deseja ser eleito; em vez do voto que barganha o interesse pessoal, o voto que promove o bem coletivo; em vez do voto na aparência, traduzida, muitas vezes, pela beleza física e pela simpatia do(a) candidato(a) e no seu discurso fácil, o voto que analisa a vida pregressa do candidato, a consistência e a coerência de suas propostas.

Finalmente, em lugar do divórcio entre eleitor e eleito, após a eleição, quando apenas se aplaude, elogia ou insulta – de acordo com a conveniência – os atos dos eleitos, é mais digno, chamá-los antes das votações para discutir o que interessa a coletividade (depois é difícil corrigir) ou para se explicar diante de posições alheias ao interesse da sociedade. A distância entre o eleitor e o eleito, em todos os aspectos, fertiliza o terreno para os desvios que, infelizmente, observa-se no cenário político.

É mais fácil e mais produtivo trabalhar estes aspectos com os jovens. Ainda não adquiriram os vícios dos adultos, que depois serão difíceis de remover. Não há qualquer ganho em começar a votar mais cedo, se não fazê-lo visando ao bem comum.
Por outro lado, é bom que se diga, não são apenas os políticos que cometem desvios de conduta. Há bons e maus profissionais em todas as áreas. A mídia informa-nos de situações em que o cidadão não sabe se corre do bandido ou da polícia, que médico se transforma em monstro, que magistrado vende sentença, que religiosos fazem da fé um negócio ou são acusados de abuso sexual, e tantos outros. A frouxidão nos valores, nos limites e na punibilidade, tanto nas famílias quanto nas escolas, básicas e superiores, propiciam a formação cada vez maior de profissionais que colocam em risco a vida daqueles que deveriam zelar.

Enfim, além da prática da democracia participativa, é fundamental que as instituições retomem as funções originais e delas não se desviem.
Nada disso, porém, justifica o esmorecimento do jovem diante do voto. Pelo contrário, é por meio dele que pode iniciar a mudança deste “estado de coisas”. Iniciá-lo aos 16 anos e exercê-lo na sua plenitude é uma conquista histórica, como foi o voto dos pobres e das mulheres. É a antecipação da possibilidade de intervir nos rumos da sociedade, para fazê-la menos desigual, menos violenta e com mais oportunidades para todos. Quem não o fizer, não votando ou anulando o voto, perde o direito, inclusive, de reclamar, porque sequer tentou; quando pôde, não o fez. Para isso, é preciso manter o foco no interesse coletivo e fazer a sua parte sem esperar resultados imediatos.

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