Karen Novochadlo
Tubarão
A expressão selva de pedra não deve existir por acaso. Locomover-se em uma cidade é para muitas pessoas um grande desafio, e não precisa ser em um município grande. Portadores de deficiências físicas, idosos e grávidas enfrentam dificuldades para atividades simples, como pegar um ônibus ou entrar em uma fila. E conquistaram o direito a assistência prioritária.
Um projeto de lei corre no senado, para estender aos obesos mórbidos estes benefícios. A proposta deve ser votada na comissão de direitos humanos do senado no próximo mês, que é quando os parlamentares saem do recesso. Se aprovada, irá para a câmara dos deputados e, depois, para a presidência, para ser sancionada.
O projeto é de autoria da ex-senadora Serys Slhessarenko (PT/MT). Em 2009, ela argumentou que a obesidade mórbida impõe limitações às pessoas, além de ser um grave problema de saúde.
Obesos enfrentam dificuldades em encontrar assentos, passar por uma catraca no transporte público ou pegar um avião, por exemplo. A maioria dos espaços é planejada para magros.
Para ser considerada obesa mórbido, a pessoa precisa ter o índice de massa corporal (IMC) acima de 40. O estudo de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Telefone (Vigitel), do Ministério da Saúde, do ano passado, aponta que 48,1% das pessoas estão acima do peso. A pesquisa foi feita em 26 capitais e no Distrito Federal. Em Florianópolis, 54% dos homens acima dos 18 anos estão acima do peso. E das mulheres é de 39%.
Deficientes ainda encontram muitas dificuldades nas ruas
A aposentada Thereza Camila Fonseca, 75 anos, de Tubarão, tem artrose nas duas pernas e precisa de bengala para andar. Ela enfrenta diariamente várias dificuldades para se locomover no Centro de Tubarão. Seja porque as vagas para carros de deficientes físicos ou idosos estão ocupadas por quem não necessita, pela falta de bom senso de algumas pessoas que bloqueiam os passeios com placas e até pelas calçadas desalinhadas.
“Alguns ônibus também não têm um equipamento que permite a que a escada desça para ajudar a gente a subir”, relata Thereza. Alguns locais ela até desistiu de ir porque os elevadores estão desligados e as rampas não ajudam.
Thereza é apenas um dos exemplos dos que enfrentam dificuldades ao transitar nas ruas de Tubarão e de muitas outras cidades. Os deficientes visuais e auditivos também sofrem entraves.
De acordo com o secretário de urbanismo e meio ambiente, Carlos José Ghislandi, a prefeitura passou a intensificar a fiscalização de passeios. Tanto para garantir que não haja obstáculos para a passagem de pedestres ou para que estejam nos padrões exigidos pelo município.
Carlos ainda ressaltou que o novo plano diretor abordará várias questões sobre acessibilidade, principalmente nas ruas e avenidas, para melhorar o fluxo. O plano está na secretaria de segurança e patrimônio, e em breve irá para a câmara de vereadores.

