sábado, 14 fevereiro , 2026

Obra começará mesmo sem recurso federal

Manoel Bertoncini (PSDB), prefeito de Tubarão, é definitivamente um lorde. Ainda que convicto em suas ideias, não tem vergonha ou medo de dizer “errei”. Não só faz a ‘mea culpa’, como procura reparar o que considera não ter sido a decisão mais acertada. Um exemplo disso é o horário imposto por ele a todos os servidores da prefeitura. Hoje, com a criação da Central do Cidadão, observa que a medida não é mais necessária. “Mas era preciso criar um canal de atendimento para a população. O cidadão quem paga a conta e fica sem ser bem recebido? Como assim!?”, emenda. Neste tempo em frente ao executivo, ele também admite que aprendeu a ter paciência e jogo de cintura para lidar com a burocracia do setor público. “Vim da iniciativa privada e sofri muito com isso”, lembra.

 

Zahyra Mattar
Tubarão

 

Notisul – Por que as obras no Pronto Atendimento 24 Horas ainda não iniciaram?
Bertoncini – Vamos aumentar a participação financeira do município porque não posso mais esperar o início da obra. Não posso e não quero. O problema foi que o convênio não foi feito entre o governo federal e a prefeitura de Tubarão, mas sim com a secretaria estadual de saúde. Fizemos a licitação e, depois de tudo pronto, nos questionaram a respeito do resultado. Segundo o Ministério da Saúde, alguns itens ficaram acima de tabela de avaliação da Caixa Econômica Federal. Conversamos com o estado para tomar outro direcionamento, mesmo que tenhamos que aumentar a participação financeira da prefeitura. Vou começar a obra independente do recurso do governo federal. Eu prometi para as pessoas e não posso deixar a prefeitura sem cumprir isso. Acho que não conseguirei colocar em funcionamento até dezembro, o que é frustrante, mas a obra eu entrego.
 
Notisul – A macrodrenagem da margem esquerda ainda segue no papel. Qual o problema?
Bertoncini – Foi uma novela, né!? Agora, realizamos a concorrência da drenagem das ruas laterais daquelas que receberão a macrodrenagem. O motivo: se executarmos o projeto como está, criaremos um transtorno sem precedentes aos prédios e casas, que não terão para jogar o esgoto. Será investido mais de R$ 1 milhão nisso. Recurso nosso. Estas obras serão feitas simultaneamente. Por isso ainda não entreguei a ordem de serviço. 
 
Notisul – Como a prefeitura pretende trabalhar a questão do aumento do piso dos professores?
Bertoncini – Existe o compromisso do governo federal  de parceria financeira para as cidades que tiverem uma boa justificativa quanto a não ter condições de arcar com o piso. Para mim, isso não passa de falácia. Independente das justificativas, a mesma dificuldade que teremos em aprovar projetos teremos para receber estes recursos. Novamente, as cidades serão penalizadas e terão que assumir esta conta. De qualquer forma, vamos fazer todo o esforço possível para cumprir o que está estabelecido em lei. Não há dúvidas de que o novo piso trará problemas às finanças, mas será cumprido. 
 
Notisul – E a municipalização do ensino. Como fica a questão?
Bertoncini – No nosso mandato, isso não ocorrerá, mas acredito que é irreversível. Foi assim na saúde. Não porque as cidades queiram, mas porque as esferas acima de nós, de certa forma, impõem isso. Este é um assunto que o próximo prefeito vai perder os cabelos e não terá escapatória.
 
Notisul – A arrecadação da cidade vem em uma curva crescente a cada ano. Como está para este último ano de governo?
Bertoncini – Prefiro responder com um exemplo. Quando o (Carlos) Stüpp assumiu, o orçamento era em torno de R$ 23 milhões por ano. Quando ele deixou a prefeitura, a previsão era de R$ 120 milhões. Este ano, encerro minhas atividades com algo em torno de R$ 145 milhões. Chegaram a falar que nosso orçamento é uma obra fictícia. Muitos dos filmes que assistimos quando criança hoje são parte da realidade. Em 2011, a diferença entre o que foi projetado e o executado foi muito pequena. Para este ano, a previsão é a mesma. 
 
Notisul – E a Central do Cidadão. Que sacada, hein!?
Bertoncini – Gostou? Eu também. Admito que posso ter errado quando impus o horário integral para todos os setores da prefeitura. Mas ainda tenho convicção que não estou errado em relação a ter uma porta aberta nos dois períodos para atender o cidadão. E isso conseguimos provar por meio da Central do Cidadão. É obrigação da prefeitura atender quem sustenta a cidade. Tenho escutado bons comentários, principalmente porque tem o banco, então a pessoa nem precisa sair do fresquinho para resolver as coisas (risos). Mas sério, acho que esta será uma marca relevante desta administração. Meu pedido é que seja dado continuidade.
 
Notisul – Quais os seus planos para este ano?
Bertoncini – Nos últimos dois anos, realizamos muitas obras de drenagem, um trabalho que não aparece, e melhoramos as secretarias de saúde, desenvolvimento social e educação, nossas prioridades. Este ano, a meta é trabalhar nossa maior carência, a infraestrutura viária, e a conclusão do que está em andamento. Meu sonho é sair da prefeitura com o que comecei finalizado. No fundo, sei que não será possível, mas não perdi a esperança (risos).
 
Notisul – Neste pacote, está a ponte do centro?
Bertoncini – Licitamos este ano, mas infelizmente não fica pronta no meu mandato. No momento, fazemos um estudo da condição financeira em relação ao que gastaremos com outras frentes de trabalho. Não posso fazer um monte de obras e chegar no fim do ano com o déficit financeiro estratosférico. Esta ponte está orçada inicialmente em R$ 6 milhões. Isso tudo dá muito voto, principalmente construir ponte, mas é preciso responsabilidade na gestão financeira. O valor da ponte não é tão grande, mas para nossa cidade é enorme. Principalmente porque trabalhamos com uma inadimplência de 40% no IPTU, o imposto mais justo de uma cidade, porque fica integralmente nela.
 
Notisul – Os trilhos da avenida Marcolino saem ou ficam?
Bertoncini – Ficam. Infelizmente. Estávamos com tudo resolvido, quando ocorreram as mudanças no Dnit, em Brasília, em meados do ano passado. Resultado: a coisa retrocedeu. Dificilmente, conseguiremos executar a obra, mas tenho esperança de deixar tudo solucionado para o próximo prefeito. A questão está em tomada de contas especial e poderá sair um resultado neste semestre.
 
Notisul – Mas o município conseguiu sustentar a liminar que garantia as negativas de débito?
Bertoncini – Não. Esta liminar foi cassada recentemente e nós recorremos. Não é justo que algo ainda não julgado já tenha uma condenação. A falta deste documento é péssima para a cidade. Mas esta é a única pendência e a única negativa que falta. Todas as outras estão corretas. Tínhamos débitos também com Casan, Eletrosul, e mais um monte. Está tudo sanado.
 
Notisul – E os recursos do Badesc? Por que não saíram?
Bertoncini – Adivinha!? Pela falta da negativa junto ao Dnit. A Secretaria do Tesouro Nacional demorou tanto tempo para analisar o nosso processo que ficamos sem a negativa do Dnit neste meio tempo. Agora, embolou o meio de campo. Junto do Badesc, temos a garantia de que no momento que a secretaria nos liberar o dinheiro cai na conta.
 
Notisul – Puxa, que sacanagem!
Bertoncini – (risos) Não é fácil. Tentamos de todas as maneiras reverter. Fico chateado. Já me deu vontade de dizer para fazerem aquilo… é bem isso que você pensou. Mas não posso. Isso aprendi com a política também. Tem que ser polido.
 
Notisul – Mas o ISS dos bancos está solucionado.
Bertoncini – Outro assunto desgastante. Este mês, teremos o julgamento de uma ação de R$ 11 milhões no Superior Tribunal de Justiça. Se ganharmos, vai ser um incremento grande. Todas os outras cidades do país aguardam este resultado.
 
Notisul – Mas já não era uma questão definida?
Bertoncini – Por isso o desgaste. Um banco entrou com um questionamento sobre a forma de cálculo do percentual que cobrado. Pretendem fazer com o valor seja em cima da taxa de administração e não mais sobre o valor total do leasing. Quando o imposto não era recolhido nas cidades onde o procedimento era feito, podia ser sobre o valor total, agora querem mudar. É uma coisa.
 
Notisul – Quanto a cidade já recebeu?
Bertoncini – Stüpp recebeu perto de R$ 20 milhões nos dois mandatos e nós cerca de R$ 5 milhões. Nem faz a próxima pergunta que eu já sei qual é: onde está o dim dim… Está na pavimentação das beiras rio, da Marcolino, na reforma de escolas e postos de saúde, e muitas outras obras importantes.
 
Notisul – A folha ainda é a sua maior preocupação?
Bertoncini – Nos três anos como prefeito, sempre foi a maior preocupação, e não é diferente agora. Soratto  (Estêner – secretário de gestão – acompanhou o prefeito na entrevista) tem feito um trabalho fantástico. Ele se esforça para tentar controlar os meus acessos. Só ensinaram este menino dizer “não” (risos). Por isso que eu acho que ele deveria ser prefeito. Para sentar na cadeirinha, tem que ser sério, mão firme e saber dizer não. Eu sou bom de diagnóstico, pode escrever: um dia ele será o prefeito de Tubarão.
 
Notisul – Qual o desafio do próximo gestor?
Bertoncini – O mesmo que o meu: infraestrutura e saneamento. Na verdade, acho que este será o desafio de muitos próximos prefeitos. O diferencial é que terão uma condição melhor, assim como eu tive. Com expectativas imperdíveis de crescimento, porque a logística macrorregional que tanto nos faltava está aí, com um aeroporto, com a duplicação da BR-101, com a possibilidade da ferrovia crescer ainda mais, com um porto de dar inveja. Tubarão é a bola da vez. Por isso, é preciso preparar a cidade para este crescimento. 
 
Notisul – Como o próximo gestor pegará a prefeitura?
Bertoncini – Melhor organizada. Minha esperança é que esta questão do ISS resolva-se definitivamente neste ano. Se isso ocorrer, o novo prefeito pegará a prefeitura em uma situação privilegiada do ponto de vista financeiro. Existem em torno de R$ 80 milhões para serem recebidos e este recursos não chegará todo neste ano. Ter dinheiro em caixa dá um diferencial enorme. Agora é torcer para que os ministros do STJ votem pelo que é certo, que é beneficiar os municípios. Os bancos já são bastante privilegiados economicamente.
 
Notisul – Tem algo que faria diferente?
Bertoncini – Tem (risos). Se conselho serve para alguma coisa, confesso que me arrependo de uma única coisa neste tempo a frente da prefeitura: em não ter investido na frota mecânica para fazer a manutenção das ruas. Deveria ter feito isso na primeira semana. Sempre acreditei e apostei muito na terceirização. Hoje, aprendi que, se tivesse as máquinas, o resultado seria melhor. Então, fica a sugestão para o próximo prefeito: compre uns tratores, umas patrolas, caminhões. Se o próximo não fizer, o Soratto faz (risos). Não vai Soratto?
Soratto – Eu não sei de nada (Bertoncini gargalha novamente).
 
Notisul – Na sua opinião, onde acertou?
Bertoncini – Em dar continuidade no investimento que Stüpp começou na saúde, no social e na educação. Tenho orgulho do que conseguimos fazer nestes setores. E não foi pouco. O próximo gestor, na minha visão, deveria dar prosseguimento e priorizar estas três áreas. 
 
Notisul – Qual a sua maior dificuldade?
Bertoncini – Escreve com a letra grande: a BUROCRACIA. É tudo custoso. Aprovar um projeto é uma batalha, liberar recursos é uma guerra. É importantíssimo termos o governo do estado ao lado da prefeitura. Senti isso na pele. Acompanhei os oito anos do Stüpp e não foi fácil. Tive a oportunidade de ver o outro lado, com o governador Raimundo Colombo e o vice, Eduardo Moreira. Eles estão muito presentes na cidade. Espero que o próximo gestor conduza da mesma maneira, porque faz uma diferença enorme.
 
Bertoncini por Bertoncini
Deus – Ser supremo. Tenho fé total em Deus. E tive um exemplo inquestionável em relação a minha vida. Não existe nada que supere Deus e a presença dele em nós.
Família – Fundamental. Na alegria, tudo é fácil, mas nas dificuldades é a família que te dá suporte.
Trabalho – Realização. É o que vai garantir a sua vida, a da sua família. Trabalho é segurança.
Passado – Apenas lembranças. Cultivo as boas e das ruins nem lembro mais (risos). Viver com rancor é triste e na política isso é muito vivo, muito presente. Isso deve ficar de lado. O passado deve ser um livro para aprendermos.
Presente – Aprendi a viver um dia de cada vez.
Futuro – Espero que seja melhor do que hoje. E o Soratto prefeito (gargalhadas).
 
"Na primeira semana de governo, em 2009, convoquei uma reunião com os professores e secretários para estudarmos a questão do piso. Na época, a lei era contestada e as cidades podiam fazer o famoso empurra com a barriga. Na fala das pessoas, senti que tentavam achar argumentos para fazer justamente isso: retardar o pagamento do piso. Fui o único, veja bem, o único contrário a isso. Pedi um estudo para saber das condições financeiras da prefeitura e começar a pagar o piso já naquele mês. É uma categoria desvalorizada e vítima de campanha política desde sempre. Apesar de custoso, a proposta era viável e pagamos o previsto na lei desde o primeiro mês. Quando houve a greve, fiquei muito sentido porque fui o primeiro defensor do piso, antes mesmo do que os próprios professores. No ano passado, era um novo valor e não aquele de 2009. De qualquer forma, já estudávamos uma forma de pagar. O que não entendem é que não tenho varinha mágica. Administrar é ter cautela. As ações de hoje implicam amanhã".
 
"Também pago imposto, ou acham que por 
ser prefeito tenho privilégios? O problema é que ainda há o ranço de que serviço público é
mamata. Acabamos um pouco com isso".
 
"Uma cidade, para ser forte, precisa desenvolver a indústria. E isso falta em Tubarão. Será um dos maiores desafios para o próximo gestor".

 

Continue lendo

Previsão do tempo 14/02/2026: chuva marca o sábado no Sul de SC

IMAGEM Notisul TEMPO DE LEITURA: 3 minutos A previsão do tempo 14/02/2026 indica um sábado de instabilidade no Sul de Santa Catarina. A passagem de uma...

Horóscopo do dia 14/02/2026: previsões com Lua em Capricórnio

IMAGEM NotisulTEMPO DE LEITURA: 4 minutos O horóscopo 14/02/2026 indica um sábado marcado pela presença da Lua em Capricórnio. A energia do dia favorece responsabilidade,...

Criança é entubada após ser esquecida dentro de carro sob sol forte em SC

Uma criança esquecida em carro em SC precisou ser entubada após permanecer cerca de 1 hora e meia dentro do veículo sob temperatura de...

Mega-Sena acumula e prêmio vai a R$ 62 milhões

O concurso 2.972 da Mega-Sena acumulou nesta quinta-feira (12). Nenhum apostador acertou as seis dezenas, e o prêmio principal está estimado em R$ 62...

Entrevista – João Paulo Kleinübing, diretor financeiro do BRDE 

Cumprimos a nossa missão que é apoiar quem produz e transformar vidas”“   Com atuação em praticamente todos os municípios catarinenses, o Banco Regional de Desenvolvimento...

Homem é preso suspeito de abusar da própria neta em Jaguaruna

Um homem foi preso preventivamente em Jaguaruna, no último fim de semana, suspeito de abusar sexualmente da própria neta, de dois anos. O caso...

Alesc aprova lei que regulamenta convivência de crianças acolhidas com padrinhos afetivos em SC

O apadrinhamento afetivo em SC passa a ter regras definidas em lei. A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou, nesta quarta-feira (11), o...

Operação Infantius do GAECO prende quatro por exploração sexual infantojuvenil em SC

A Operação Infantius GAECO SC foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (13) e resultou em quatro prisões em flagrante nos municípios de Lages, Blumenau,...