Iniciativa faz parte do projeto Protagonismo Negro na Escola, implantado para enfrentar o preconceito racial.
Willian Reis
Laguna
Implantado na Escola de Educação Básica Elizabeth Ulysséa Arantes, no bairro Portinho, em Laguna, o projeto Protagonismo Negro na Escola oferece a partir das 9h de hoje uma oficina de hairstyle. A iniciativa é aberta ao público em geral e ocorre na própria instituição.
De acordo com a professora Dilsimar da Silva Tereza, idealizadora do projeto, serão dez profissionais que irão ensinar como tratar o cabelo afro. “O foco do projeto é o negro, mas a gente respeita toda forma de expressão”, afirma a pedagoga. Por isso, a oficina também vai dar dicas sobre os cuidados com outros tipos de cabelo.
Os alunos que participam do projeto Protagonismo Negro na Escola serão os anfitriões do público da oficina. O evento será aberto com a apresentação do grupo de samba e pagode D’Black.
A professora conta que a iniciativa de implantar o projeto na Escola Elizabeth Ulysséa Arantes (antigo Caic) surgiu da necessidade de enfrentar o preconceito racial e o bullying. Ela diz que 80% dos alunos são negros, mas ainda assim, até então, tinham dificuldades de reconhecer sua etnia. “Eram negros que não se entendiam como negro”, relembra.
A partir de então, a professora elaborou um relatório etnográfico e deu início à execução do projeto, com o apoio da direção da escola. As atividades iniciaram há cerca de três meses e devem prosseguir até o final do ano letivo. Um dos primeiros trabalhos foi a apresentação das crianças cantando a música “Cordeiro de Nanã”, de Mateus Aleluia e Dadinho, durante a visita à escola de representantes do movimento negro lagunense.
Projeto é desenvolvido nos 2º e 5º anos
Um vídeo da apresentação da música “Cordeiro de Nanã” foi divulgado nas redes sociais e imediatamente ganhou repercussão. O grupo já deu entrevista para rádio e foi chamado para apresentações em outros locais. O projeto é desenvolvido com os estudantes dos 2º e 5º anos, com idade entre 7 e 12 anos.
Mesmo lidando com um tema delicado, a professora conta que desde o início a proposta foi bem recebida na instituição. “A escola é aberta a tudo e tem uma diretoria bastante comprometida com as causas sociais”, diz.
