Finalmente, uma boa novidade.
Na condição de escritor, recebo com entusiasmo a notícia de que, se tudo der certo, vem aí, e já não é sem tempo, o Vale Cultura, um cartão-bônus do governo que vai favorecer a quem, até agora, tem tido pouca chance de acesso a livros, cinema, música, teatro, shows e outras atrações culturais.
A proposta, que foi aprovada no senado em 5 de dezembro último, sai do papel com a sua regulamentação definida, em meados deste ano, ou seja, lá para junho ou julho, prazo que, para quem esperou até agora, não tem a menor importância. O tempo, sabe-se, passa num já e a consolidação do programa é o que mais interessa.
O importante é que a semente está plantada, firme e forte, e algo novo – muito bom, por sinal – está por acontecer.
Em primeira ordem, tudo deverá funcionar com pouca burocracia.
Para ser favorecido com R$ 50,00 por mês para gastar exclusivamente em cultura, basta o empregado ganhar menos de cinco salários mínimos (perto de R$ 3,3 mil) e ter a carteira assinada – E mais: os valores não gastos podem acumular no cartão para o mês seguinte. Acreditem, temos mais de 17 milhões de brasileiros nesta faixa de benefício. A única despesa do empregado nisso tudo é descontar R$ 5,00 mensais de seu salário, o que equivale ao preço menor que o de duas pamonhas. Isso mesmo, duas pamonhas!
Detalhe: e o empregado não é obrigado a aderir ao programa, ou seja, não será nada enfiado goela abaixo. Participa quem quer e gosta de cultura!
O valor parece um tanto pequeno, não é mesmo?
Parece, mas, olhando bem, não é tão pequeno assim. Há por aí, procurando com certa atenção, bons livros por até R$ 50,00, bons CDs, espetáculos de cinema e até peças teatrais e musicais. E, para quem quer escolher melhor suas atrações, é só, já dito, acumular o Vale Cultura para o mês seguinte.
E quem mais vai ganhar com isso? – Muita gente!
Na literatura, por exemplo, ganharão principalmente, os milhares de leitores, estes que terão bem mais opções ao alcance de seus gostos e bolsos; as editoras, que certamente multiplicarão suas rodagens de exemplares, e ainda poderão fazer nascer aí uma linha de edições populares, até das publicações consagradas mundialmente, tudo com custo final bem mais barato.
Ganharão, também, as centenas de livrarias espalhadas pelo Brasil, que aumentarão suas vendas e, por último, é claro, serão favorecidos os autores, novos e famosos, de todos os gêneros, que criarão mais obras para o mercado.

