Braço do Norte
O morador de Braço do Norte, Roger Virtuoso de Oliveira, de 44 anos, há pouco mais de um mês passou por um experiência incrível. Doador de sangue e cadastrado como doador de medula óssea há mais de 10 anos, em dezembro passado ele foi chamado para realizar alguns exames. Possivelmente ele era compatível com uma pessoa que precisava muito de uma doação de medula.
Roger conta que se cadastrou como doador de medula em 2009, e de lá para cá sempre esperou o chamado. “Quando fui doar sangue vi um cartaz no Hemosc, em Tubarão e procurei tirar algumas dúvidas. Vi que poderia colaborar e me cadastrei como doador. Em dezembro passado recebi um telefonema da redome e obtive a informação que poderia ser um possível doador de medula óssea. Fiz exames em dezembro, janeiro e em abril. Neste mês falaram que estava dando tudo certo”, lembra.
O Dia Mundial do Doador de Medula Óssea foi celebrado no terceiro sábado de setembro, dia 21. Neste mês também ocorre a campanha Setembro Verde, que incentiva a doação de órgãos e tecidos. Segundo Roger, a doação foi realizada dois dias depois (23 de setembro) e o ato foi um presente para ele que pôde colaborar com o próximo. “Sai de Braço do Norte dia 22 e me internei no mesmo dia. Fico contente em doar e ajudar o próximo. Não sei para quem, mas aprendi que o que a mão direita dá a esquerda não precisa saber. Somos irmãos e precisamos colaborar com o próximo. Quero fazer uma campanha na cidade de sangue e medula. Quando doamos não é apenas para uma única pessoa, mas colaboramos com toda família. Meu pai sempre ajudou e acredito que devo seguir no mesmo caminho”, enfatiza.
Ele conta que a medula foi extraída do osso da bacia. “No dia seguinte do procedimento recebi alta e pude voltar para casa. Depois de uma semana de repouso, já estava pronto para trabalhar”, expõe.
Roger não sabe quem foi o beneficiado com o transplante da sua medula. Pode ser qualquer pessoa que mora no Brasil ou ainda, uma pessoa fora do país, que esteja na fila de espera. Caso tudo corra bem com o receptor, depois de seis meses, se forem de suas vontades, eles poderão se conhecer. “Quando uma pessoa recorre ao transplante de medula, seja por causa de leucemia ou de alguma outra doença, é porque os outros tratamentos não deram certo. O transplante de medula é o seu último recurso. Então é muito bom, muito gratificante, poder dar essa esperança a essa pessoa. Não vou dizer que é um procedimento agradável, no entanto, não é nada perto do fato de que podemos dar uma nova vida a alguém. Porque quando um paciente recebe uma medula, todo o seu sistema imunológico é zerado, não há anticorpos. É como se fosse um recém-nascido. Por isso que é uma nova vida, como nascer novamente, não só para o paciente, como a sua família também renasce”, afirma.
Compatibilidade
O doador só é acionado quando aparecer um paciente com a medula compatível. Por isso, é importante que alterações de telefone e endereço estejam atualizadas no cadastro do Redome. Em caso de compatibilidade, novos testes são feitos. Após os exames, se confirmada a compatibilidade, uma nova consulta é realizada ao doador para certificar se ele realmente deseja fazer a doação. Na maioria dos casos, a doação é realizada em procedimento ambulatorial, por meio da chamada coleta por aférese.
Métodos
Neste caso, o doador faz uso de uma medicação por cinco dias para aumentar o número de células-tronco no sangue. Elas são as mais importantes para o transplante de medula óssea. Após o período, ocorre a coleta do sangue e a separação das células-tronco.
Não há necessidade de internação nem de anestesia, sendo todos os procedimentos feitos pela veia. Os doadores retornam às suas atividades habituais após uma semana da doação. A medula óssea se recompõe em apenas 15 dias.
A outra opção é feita em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação de 24h. Neste procedimento, a medula é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, com duração de 90 minutos. Nos primeiros três dias, pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples.
Indicação de transplante
O transplante de medula é indicado em casos de doenças do sangue como a anemia aplástica grave, outras anemias adquiridas ou congênitas, e na maioria dos tipos de leucemias (câncer de sangue), como a mieloide aguda, mieloide crônica e a linfoide aguda. O procedimento pode ser indicado ainda para o tratamento de um conjunto de cerca de 80 doenças.

