Há 50 anos nascia um dos maiores clássicos da indústria automotiva brasileira. Em novembro de 1968 o Chevrolet Opala era apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, ainda realizado no Pavilhão do Ibirapuera.
Naquela época, e nas duas décadas seguintes, o mercado brasileiro tinha poucas marcas e produtos, fato que ajudou o Opala a cair no gosto dos clientes. Tanto que, décadas depois do fim de sua produção, ele ainda é cultuado por uma legião de fãs.
Na mesma medida que o interesse se mantém, modelos considerados raros se valorizam. Não é raro encontrar unidades anunciadas na internet por R$ 80 mil. Há donos que relatam ter recusado propostas de R$ 120 mil pelo carro.
Para o comerciante Adilson Janke, de Curitiba, o amor pelo Opala foi passado pelo pai. “Meu pai teve 7 Caravans (a perua do Opala). A cada 2 anos ele trocava por um veículo novo. Aí a paixão ficou”.
Depois foi a vez do próprio Adilson começar sua coleção. Hoje são 6 exemplares, como o Diplomata 1982 marrom, comprado de uma família que usava o carro para viagens de veraneio. “Eles só dão alegria para a gente”, completa, sorrindo.
Reynaldo Scalco Junior, de São Paulo, tem unidades das décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990, incluindo a primeira versão do Opala, um De Luxo de 1969 com interior vermelho.
‘Nada desagrada’
O colecionador conta que as cabines “coloridas” foram uma tendência inspirada no que era moda dos Estados Unidos. Para ele, “a mecânica simples, a facilidade de manutenção” são fatores que cativam os donos até hoje.
O restaurador de veículos antigos José Amorim Filho, mais conhecido como Zé do Opala, além do amor que conserva pelo modelo, também “converteu” a família em apaixonados.
História do Opala
O Opala foi o primeiro veículo de passeio produzido pela Chevrolet no Brasil. Até então, a marca fabricava apenas veículos comerciais.
Inicialmente, ele era oferecido com motores de 4 e 6 cilindros, de 2.5 e 3.8 litros, respectivamente. Com o tempo e o avanço tecnológico, o Opala ganhou melhorias. O motor maior, por exemplo, passou para 4.1 litros, que acompanhou o veículo até o fim.
O Opala foi oferecido em diversas versões. Entre as mais conhecidas estão Gran Luxo, DeLuxo, Comodoro, Diplomata e SS, com foco na esportividade.
Com a abertura do mercado para veículos importados e a falta de atualizações, o Opala acabou ficando obsoleto. O último exemplar saiu da linha de montagem da fábrica de São Caetano do Sul em abril de 1992, depois de 1 milhão de unidades produzidas.

