A descoberta da agricultura permitiu que o homem se estabelecesse de forma mais definitiva em determinados espaços. Se antes de agricultar o solo, o homem já buscava os vales de rios para caçar, pescar e coletar os vegetais que a natureza ofertava, ao iniciar o trabalho agrícola, ele não fez por menos: os vales de rios foram o seu habitat preferido.
Os rios, mesmo podendo ter cheias catastróficas, sempre foram grande atrativo aos grupos humanos e aos animais em geral. Atraem os homens porque o seu leito serve como estrada, suas águas são fontes de vida e as terras que os margeiam são, quase sempre, muito férteis. Nestes vales fluviais tem-se a facilidade de irrigar o solo e suas águas ainda podem ser usadas como força motriz, gerando energia. Os rios, provavelmente, foram caminhos usados desde as primeiras relações comercias entre grupos humanos vizinhos. E isso os tornou eixos econômicos significativos. Graças a tudo isso, chegaram moradores ribeirinhos que, ao se instalarem, construíram as primeiras povoações, os primeiros núcleos urbanos.
Assim como muitos rios espalhados pelo planeta tiveram grande influência na formação das grandes civilizações e de muitas cidades, o rio Tubarão foi o grande agente da formação do povoado que deu origem à cidade. Inicialmente, foi o caminho que ligava Laguna aos núcleos serranos. No início do povoado de Tubarão, a movimentação de comerciantes no rio era intensa. Isso fez com que muitas pessoas passassem a instalar-se em suas margens. Ainda em nossos dias, percebe-se que o rio continua sendo um atrativo para a instalação de novas moradias.
Poço Grande do Rio Tubarão foi o primeiro nome de Tubarão, como quinto distrito de Laguna. Portanto, é possível afirmar que a origem da cidade está relacionada ao comércio e à navegação entre Laguna e a Serra de Lages. A inauguração da estrada Lages/Laguna, em 1773, passando por Tubarão, foi decisiva para a consolidação da atividade comercial.
Os barcos partiam de Laguna transportando tecidos, peixe seco, ferro, sal e ferramentas rumo ao ancoradouro principal, o Poço Grande do Rio Tubarão. A partir deste porto fluvial, as mercadorias eram baldeadas para o lombo das mulas dos tropeiros que se dirigiam ao planalto. Para atingir o porto de Laguna, os comerciantes de Lages realizavam operações semelhantes. Desciam a serra carregando, no lombo das mulas, as bruacas com mercadorias, principalmente charque, couro e queijo. A partir do porto de Laguna, as mercadorias eram escoadas, principalmente para o Rio de Janeiro e de lá eram distribuídas, em grande parte, para a região mineradora de Minas Gerais.
O rio Tubarão era o elo: serra/mar. Com a crescente necessidade de couro e charque para as minas do sudeste, intensifica-se a navegação no rio Tubarão e seus afluentes principais: Braço do Norte e Capivari. Este aumento de tráfego pelos rios da bacia do Tubarão faz surgir novos portos: Gravatá, das Pedras (Várzea das Canoas), Jaguaruna e outros. É nessa fase que as terras do vale começam a ser ocupadas por pequenos produtores rurais vindos de Laguna. Assim, foram ocupadas as regiões dos atuais municípios de Jaguaruna, Gravatal, Armazém e Capivari de Baixo.
O município de Tubarão hoje, ao ser povoado e pelo sucesso da ocupação, originou a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade. A freguesia cresceu com o comércio, sendo elevada à condição de Vila da Piedade. Em 1870, ocorreu o desmembramento do município de Laguna, nascendo a cidade que se consagrou com o nome Tubarão. Não se sabe ao certo a origem do nome do município. Há quem afirme que foi por causa de um cacique Tub-Nharô, da tribo dos índios carijós, que habitavam a região.

