O liberalismo é uma corrente de pensamento (filosófica e econômica) de ação política que propõe limitar ao máximo o poder coercitivo do estado sobre os seres humanos e a sociedade civil. Assim, forma parte do ideário liberal a defesa da economia de mercado (também denominado “sistema capitalista” e a “livre empresa”); a liberdade de comércio, e em geral, a livre circulação de pessoas, capitais e bens; a manutenção de um sistema monetário rígido que impeça a sua manipulação inflacionária por parte dos governantes; o estabelecimento de um Estado de Direito em que todos os seres humanos – incluindo aqueles que em um dado momento façam parte do governo – estejam submetidos ao mesmo marco mínimo de leis entendidas em seu sentido material (normas jurídicas, de direito civil e penal, abstratas, geral e de aplicação igual a todos); a limitação do poder do governo ao mínimo necessário para definir e defender adequadamente o direito à vida e à propriedade privada; o cumprimento das promessas e contratos; a limitação e controle do gasto público, e ainda o estabelecimento de um sistema estrito de separação de poderes políticos (Legislativo, Executivo e Judiciário) que evite qualquer tipo de tirania.
Frederich Hayek afirmava que o liberalismo só exige do estado que ao determinar as condições em que os indivíduos devam viver, tenham as mesmas normas formais para todos, se opondo a qualquer iniciativa governamental que conceda vantagens especiais a alguns sem oferecê-los a todos. Mas isso deve ocorrer desde que não seja imposta nenhuma restrição particular, pois o governo só pode controlar uma pequena parte das condições que determinam as perspectivas dos indivíduos – porque eles são necessariamente muito diferentes, tanto os seus conhecimentos e habilidades pessoais como pelo ambiente físico e social particular em que vivem.
A igualdade de tratamento dentro das mesmas leis gerais conduzirá necessariamente em posições muito diferentes para pessoas diferentes, enquanto que para igualar o espaço concedido ou possibilidades, o governo deve tratá-los de uma forma altamente diferenciada. Em outras palavras, o liberalismo se limita a exigir que os procedimentos, ou seja, que as regras do jogo através da qual as posições relativas são fixadas para indivíduos diferentes sejam equitativas (ou pelo menos justas), mas de modo algum também sejam equitativos os resultados particulares que derivarão deste processo para indivíduos distintos, já que os resultados dependerão sempre, em uma sociedade de homens livres, não só das ações dos próprios indivíduos, mas também de outras circunstâncias que não são possíveis de se prever ou determinar na sua totalidade.

