Amudança inicia na constatação de que:
1) A administração pública faliu (aumentam os problemas de segurança, saúde, educação, etc., mas diminuem os recursos para resolvê-los. Esse é o resultado da corrupção cada vez mais sofisticada e da incompetência, mais descarada);
2) Não basta trocarem os políticos. É preciso que estes (e aqueles que os elegem) mudem suas atitudes. Trocamos os militares (na ditadura) por Sarney (inflação de 360% ao ano, desemprego e denúncia de superfaturamento na ferrovia norte/sul); depois, Sarney por Collor (confisco da poupança, impeachment) e a corrupção do Fiat Elba pela delapidação da Petrobrás. Na Itália, da Operação Mãos Limpas, que inspirou a Lava Jato, vieram mais corrupção e Berlusconi.
Isso demonstra que, se eleitores e eleitos – não desejam o prosseguimento do enriquecimento ilícito de alguns, à custa do infelicitamento da maioria -, precisam mudar, se ainda não mudaram:
1) Da omissão (abstenção e voto nulo) para ação (votar);
2) Do voto no candidato que atende a interesses individuais – origem da corrupção (troca de votos por favores pessoais, pagos com dinheiro público, como ensina a operação Lava Jato) para o voto no candidato preparado, comprometido com as causas coletivas (segurança, saúde, educação, saneamento etc.) e com vida pregressa ilibada;
3) Do blá-blá-blá pré-eleitoral que tudo resolve com facilidade, para enfrentar, já na campanha, e com o povo, a mencionada falência da administração pública.
4) Do Projeto de Poder (que beneficia somente os que ganham a eleição) para Projeto de Governo (que beneficiará esta e as próximas gerações);
5) Da corrupção, que drena recursos (dos impostos provenientes dos cinco meses de trabalho, por ano, de todas as pessoas – que deveriam ir para saúde, educação, segurança etc.) para a transparência total (adotar performance bond, compliance, parcerias com Observatório Social, OAB, Tribunal de Contas, o que prevê a lei e outros);
6) Do gastar demais com o governo (muitas secretarias, cargos comissionados, etc.) para investir mais nas pessoas (segurança, saúde, educação, saneamento, viabilidade urbana, etc.);
7) Da incompetência (que desperdiça dinheiro público) para projetos preventivos/interventivos (aferição de oportunidade e cumprimento de preços, prazos e qualidade contratados);
8) Do governar para o povo (quando as pessoas se limitam a xingar ou aplaudir os eleitos) para governar com o povo (todos ajudam e exigem do governo);
9) Da produção e consumo, egoístas e irresponsáveis (mudanças climáticas, etc.), para estratégias de desenvolvimento de baixo consumo de carbono, com vistas ao desenvolvimento sustentável (econômico, social e ambiental);
10) Do político ineficiente e desonesto para o gestor eficiente e ético.
Resumindo: A superação da corrosão ética e técnica inicia na eleição de vereador e prefeito. Prosseguirá, se tiverem: projetos para melhorar a vida das pessoas; credibilidade para articular comunidades, governos, entidades e iniciativa privada na concretização destes projetos; e coragem para colocar a vida de todos acima do lucro de poucos.