Laguna
A Polícia Civil de Laguna está com muito trabalho pela frente para os próximos dias. O laudo da balística feito no corpo do jovem Fernando Medeiros Pacheco, 18, assassinado com mais de dez tiros de três armas diferentes: calibres 32, .40 e 44, conforme informações da Divisão de Investigação Criminal (DIC), pode ficar pronto ainda hoje. O crime ocorreu às 2h40min de ontem, no bairro Malvina, na Cidade Juliana.
O delegado regional José David Machado, que acumula a função de delegado da DIC, esteve de madrugada no local do homicídio e comanda as investigações com hipótese de vingança vinculada ao tráfico de drogas. “Existe muito envolvimento entre um homicídio e outro”, diz, referindo-se à morte de um jovem da comunidade, Arthur Lopes Rosa, 19, no último dia 11, que era amigo de Fernando, segundo apontam os investigadores.
Há 36 anos na Polícia Civil, o delegado aponta muita preocupação com a atual situação que passa a Cidade Juliana. Destaca que, desde o momento da notícia da morte do jovem, uma força de segurança atua na elucidação do crime e identificação dos autores, apesar de se desejar um efetivo maior. “É claro que a contingência atual é preocupante, mas tanto a Polícia Civil quanto a Militar faz o seu trabalho. Essa boa relação entre as equipes é fundamental”, salienta.
Ontem, as autoridades buscavam localizar o dono da casa onde Fernando passava a noite e morreu (o cunhado). Desde domingo, ele não é mais visto na localidade. É possível que o depoimento do proprietário do imóvel ajude a esclarecer a autoria. Esta seria a segunda tentativa de homicídio que ele consegue ‘escapar’. Em 2014, foi vítima de uma emboscada com características semelhantes. “Não vamos dar detalhes para não atrapalhar as investigações”, concluiu o delegado.
“Cadê ele? Cadê ele?”, diziam os assassinos
O crime poderia ter se transformado em uma chacina, com a morte de duas crianças e uma mulher de 22 anos, irmã de Fernando. Tudo ocorreu na casa dela e do cunhado da vítima, uma construção simples de dois quartos que fica nos fundos de um terreno. Foi a jovem quem conversou com os policiais. Disse que Fernando pediu para passar a noite ali e o marido dormiria fora. De madrugada, os homens arrombaram a porta da frente e seguiram para o quarto principal na busca do dono da casa gritando “cadê ele, cadê ele?”. Em seguida, colocaram o revólver na cabeça dela, ameaçaram de matar as filhas de 3 e 4 anos.
Segundo a vítima, os homens aparentavam ter entre 40 e 50 anos. Estavam bem vestidos. Eram três, cada um com um revólver em punho. Quando vistoriavam os cômodos da casa, encontraram Fernando atrás de um armário, escondido. Sem chance para que o rapaz dissesse qualquer palavra, iniciaram-se os disparos. Nove atingiram as costas. Fernando morreu na hora, apenas cinco meses após ter atingido a maioridade. Seu aniversário foi em 19 de fevereiro.
Jovem assassinado era natural de Tubarão
O jovem Fernando Medeiros Pacheco, 18, segundo a polícia, tinha participação em alguns crimes e atos infracionais, quando adolescente. Entre eles, era investigado por homicídio, quando tinha apenas 16 anos. Natural de Tubarão, Fernando passou a infância e adolescência no bairro Passagem, no qual fez supletivo noturno em uma escola local. Havia se mudado para Laguna, onde praticou alguns delitos. São 49 boletins de ocorrência por receptação, dirigir veículo sem habilitação, tráfico de drogas, tentativa de homicídio, homicídio, entre outros.
Nas redes sociais, o rapaz fez comentários de que passava por uma fase difícil. Pessoas próximas dizem que sentia muito a perda de um amigo de Fernando, o Arthur, que também foi assassinado em Laguna.
PGC ou PCC?
Segundo a Polícia Civil, há duas facções criminosas atuando pelo controle do tráfico de drogas na região do bairro Malvina e pela hegemonia em Laguna, que se apresenta, pelos dados das autoridades, desde o início deste ano, como a cidade mais violenta da região. Um deles é o Primeiro Grupo da Capital (PGC), o qual se fortaleceu com as prisões de lideranças do tráfico vinculadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e apreensão de armas nos últimos cinco anos. Cercados, parte dos traficantes da Malvina migrou para outras áreas, entre elas a região de Curitiba, no Paraná.
2 tentativas
Outros atos de violência envolvendo arma de fogo são investigados na região. Em Jaguaruna, na tarde de domingo, a Polícia Militar apreendeu um revólver calibre 32 com sete munições intactas. A arma estava com um homem de 32 anos, preso em flagrante por tentativa de homicídio. Ele estava em fuga em um Palio após disparar contra um jovem de 15 anos. Ele negou o crime. Disse que efetuou um disparo para o alto. Em Tubarão, na madrugada de sábado, um jovem de 23 anos escapou de uma execução. Ele estava deitado na frente de uma igreja e percebeu a aproximação suspeita. Conseguiu correr.
Quadro de homicídios (2016)
• Laguna: 12
• Tubarão: 4
• Imbituba: 4
• Jaguaruna: 1
• Braço do Norte: 1
• Sangão: 1
• Capivari de Baixo: 1
• Total: 24


