E, nesta história do chafariz, também resolvi enfiar o meu nariz. Tenho o nariz grande, mais avantajado que os considerados normais pelos padrões de beleza. Portanto, me permito mergulhar um pouco mais fundo nessa história. E vou usar de uma redundância para enfatizar o que estou pretendendo: ‘vou começar do começo’. Muito já foi dito pela imprensa, ou por meio dela, a respeito do chafariz construído em 2009 na praça da Igreja São José Operário, no bairro Oficinas, em Tubarão, e que foi demolido. A inauguração da obra ocorreu em 14 de outubro de 2009. Além da construção do chafariz, a praça como um todo foi revitalizada. Foram construídos também banheiros públicos, praça de esportes e playground. Uma obra realmente muito bonita e interessante para os moradores da Cidade Azul, principalmente aos daquele importante bairro e também para os frequentadores da igreja, uma das maiores e mais movimentadas na cidade.
Como não poderia ser diferente, a inauguração foi com uma grande festa. E lá estavam para colher os louros da obra, além do prefeito a época, Manoel Bertoncini (in memoriam), e seu vice Pepê Collaço, também o ex-prefeito Carlos Stüpp e seu vice Angelo Zabot, pois o projeto para revitalizar a obra foi elaborado nesta gestão. Até aí tudo lindo, tudo maravilhoso. A Ceia Consultoria foi a vencedora da concorrência pública para a construção, com o valor ofertado de R$ 314.500,00. E assegurou uma garantia de três anos para a obra. Não faço ideia em qual valor ficaria se atualizássemos esses números por algum índice de correção. A mesma empresa que construiu firmou também um contrato de manutenção elétrica, hidráulica e de limpeza do chafariz e da praça como um todo, por um valor mensal de R$ 1.950,00. Conforme informou à imprensa o proprietário da Ceia Consultoria, Wagner Paris, tudo ocorria dentro da normalidade até setembro de 2012, quando o então prefeito Pepê Collaço, que assumiu a prefeitura por ocasião da morte do prefeito titular Manoel Bertoncini, cancelou o contrato de manutenção do chafariz e das demais estruturas da praça.
O dito até aqui é oficial, pois são informações contidas em documentos e publicações da prefeitura e registradas ainda em alguns veículos de comunicação. A obra foi executada com dinheiro público, em outras palavras, o nosso dinheiro. Eu, como cidadão, estou me sentindo lesado. Alguém usou mal o meu, o nosso dinheiro. E da minha parte gostaria que, quem fez pouco caso do meu dinheiro fosse responsabilizado por isso. Como disse no início do texto, mergulhei mais fundo meu nariz antes de reclamar o que, do meu ponto de vista, tenho direito. Poderia até ter fuçado um pouco mais, porém não foi necessário. O pouco que mexi já exalou um odor forte de irresponsabilidade por parte do, ou dos envolvidos. Odor suficiente para eu pedir que responsabilidades sejam apuradas e valores sejam ressarcidos.
E, três partes, na minha opinião, precisam ser ouvidas para se chegar ao responsável ou aos responsáveis. Primeiramente quem construiu e ofereceu garantia de entregar uma obra de qualidade. É claro que uma obra como essa pode oferecer algum problema. Não deveria, mas pode, sim!. E, nesse caso, caberia ao administrador (prefeito) ou secretário da pasta chamar o responsável pela empresa construtora e reclamar, para que os reparos fossem realizados. Mas, pelo que apurei, isso não ocorreu. Para a demolição, foram alegados problemas estruturais. Pergunto: quais os problemas estruturais apresentados? Foi feito um laudo técnico com informações precisas desses ‘problemas estruturais’, dando conta de que eles não poderiam ser solucionados? O segundo que precisa ser ouvido, no meu ponto de vista, é o prefeito que cessou o contrato de manutenção do chafariz. E, pelo que apurei, foi o prefeito Pepê Collaço.
Como vice-prefeito quando da realização da obra, inclusive marcou presença na inauguração da mesma, Pepê desconhecia que a manutenção do chafariz era vital para o seu perfeito funcionamento? Foi a falta de manutenção que provocou o tal ‘problema estrutural’?. E, por fim, a atual administração. Segundo alega o empresário Wagner Paris, logo no início da atual gestão, ele tentou reativar o contrato de manutenção com a prefeitura. Mais uma vez não obteve sucesso. Volto a mesma pergunta que fiz ao gestor que cancelou o contrato de manutenção. Não sabia o prefeito Olavio Falchetti e sua equipe que o chafariz exige manutenção frequente? Finalmente, a pergunta que não pode faltar: a demolição do chafariz era realmente necessária? Se fosse uma obra realizada na propriedade de qualquer um dos envolvidos, o descaso com a manutenção e a decisão da demolição teria recebido o mesmo tratamento? Essas e outras perguntas precisam ser respondidas.
Eu, como cidadão, espero que sim. Repito: e que realmente as responsabilidades sejam apuradas e os prejuízos ressarcidos. Temos um Ministério Público atuante. Acredito que não vai existir ‘vista grossa’ em um caso como esse. Infelizmente não posso apontar culpados e muito menos exigir nosso dinheiro de volta. Mas acredito, com todas as minhas convicções que isso será feito. Pois uma obra tão comemorada e jovem como essa, não poderia ter sofrido um processo de ‘eutanásia’ sem antes esgotar todas as possibilidades de sua recuperação.