Rafael Andrade
Tubarão
A situação parece corriqueira, realmente é. Não há casos isolados e são mais comuns que muita gente imagina. O problema maior é o apoio ou a falta dele, muitas vezes moroso e até mesmo a incúria do poder público. Por isso, o direito à saúde, previsto entre os artigos 196 e 200 da Constituição Federal, está cada vez mais presente nos tribunais brasileiros. E o judiciário de Tubarão já foi, mais uma vez, contato por mais uma família que luta pela direito à vida de um bebê com intolerância gravíssima à proteína do leite, diagnosticado nesta semana pelo corpo pediátrico do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), o principal da região.
Davi Borba de Araujo completará 3 meses de vida nesta segunda. Nasceu no último dia 25 de abril com 3,3 quilos, mas vem perdendo peso devido a uma série de complicações de saúde. Teve estenose hipertrófica pilórica, e precisou de uma cirurgia para resolver o problema. É a causa cirúrgica mais frequente de vómitos do recém-nascido e lactente. Caracteriza-se por um estreitamento (estenose) devido ao aumento (hipertrofia) da musculatura circular do piloro (esfíncter, que separa o estômago do duodeno – primeira porção do intestino), condicionando, assim, um obstáculo ao esvaziamento do estômago. Consequentemente, todo o alimento ingerido e secreções gástricas só poderiam sair por meio do vômito.
Sanada esta primeira questão, Davi apresentou anemia e alergias múltiplas, principalmente após a alimentação. Foi quando os médicos diagnosticaram a intolerância à proteína do leite. A única saída para a manutenção de um dia a dia saudável e, consequente qualidade de vida do bebê, é a ingestão do leite Neocate hidrolisado, como consta em receita médica expedida nesta sexta-feira.
“Cada lata custa R$ 209,00. Ele precisa de três por semana, o que custaria para nós R$ 2.508,00 por mês. Temos uma renda aproximada de R$ 1,5 mil. Ainda pagamos aluguel, remédios, energia elétrica, água e comida. Estamos desesperados”, clama por ajuda o pai de Davi, o vigilante patrimonial Cleber Ribeiro Cavassani de Araujo.
Pedido de amparo será protocolado na segunda
A crise econômica que insiste em permanecer no Brasil, mas parece estar perdendo as forças, culminou em um corte drástico nos repasses de recursos para a saúde pública. Muitos remédios de alta complexidade e muito caros no mercado deixaram de ser comprados e, consequentemente, destinados aos pacientes de baixa renda que necessitam do serviço para sobreviver. Além dos derivados da indústria farmacológica, o leite Neocate também é um dos produtos mais requisitados por famílias de baixa renda, como é o caso do pedido praticamente suplicado dos pais do bebê Davi Borba de Araujo, de apenas 2 meses e 28 dias. Cleber Ribeiro Cavassani de Araujo e sua esposa Gabriela Borba Antonio Goulart lutam pela vida do filho. “Sabemos que temos direito de o estado nos fornecer o leite, mas pode demorar e tempo nosso bebê não tem. Quem puder ajudar, não queremos dinheiro, precisamos das latas de Neocate. Deus vai abençoar. Fazemos questão de deixar todos bem informados assim que conquistarmos o nosso direito e o poder público começar a dispor o leite para o Davi”, explica Cleber.
O artigo 196 da Constituição Federal detalha que a saúde é um direito de todos e é dever do estado garantir políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença e de outros agravos. Para quem pretende ajudar Davi, o pai – Cleber – pediu para entrar em contato por meio do celular (48) 9663-7375 (WhatsApp).
O que é alergia à proteína do leite?
É o resultado de uma reação exagerada do sistema imunitário do bebê ao contato com essas proteínas, que o organismo reconhece como “estranhas”. É a alergia alimentar mais frequente no primeiro ano de vida e pode manifestar-se de diversas maneiras, como: má evolução de peso, manchas na pele (eczema atópico), sangue nas fezes, diarreia persistente ou mal-estar após as mamadas, entre outros. Geralmente, surge após contato do bebê com um leite diferente do leite materno, embora, em casos raros, possa também surgir em crianças exclusivamente amamentadas ao peito.
De um modo geral, esta é uma situação transitória, pois mais de 80% das crianças ficam curadas nos primeiros 5 anos de vida (a maioria resolve em alguns meses). Trata-se evitando completamente todos os alimentos que contenham produtos lácteos (leites, papas, iogurtes, algumas bolachas,…..).