Tubarão
De uma família de 12 irmãos, criado na roça, pessoa simples. Quem não conhece Clemente de Sousa mal imagina o tamanho da história vencedora deste senhor de 75 anos.
O tubaronense, campeão da São Silvestre no ano 2000, dono do recorde de 1h00min31seg naquela prova, colecionador de mais de mil troféus e 1,5 mil medalhas, vive com a esposa no bairro Monte Castelo, em Tubarão. Ele está pronto para correr novamente na manhã deste domingo na 8ª etapa da Corrida do Bem, com saída às 8 horas, em frente ao Sesi na av. Marcolino Martins Cabral, após recuperar-se de uma lesão no joelho.
Último a levar a tocha olímpica no revezamento que passou por Tubarão, Clemente revela que está na sua melhor fase. “Nem que eu fosse um garoto de 20 e poucos anos me sentiria tão bem fisicamente, mentalmente, em tudo”, salientou, com um belo sorriso, lembrando da família que sempre o incentiva.
Corpo são, mente sã
Numa área de dois cômodos ao lado de casa, centenas de troféus e medalhas estão distribuídos em estantes. Nos últimos anos, o atleta reuniu também uma variedade de recortes de jornais e produziu uma galeria de quadros.
Corredor profissional, incentivador do esporte, fundador e patrono do Clube dos Corredores de Rua de Tubarão, o Cortuba, ele ainda treina 12 a 15 km por dia, cuida da alimentação – muitas frutas e cereais – e frequenta a academia. “Ao longo da existência, seu corpo tem que ser cansado para que seu cérebro descanse”, ensina.
Clemente nunca para. Se precisa ir a algum lugar, prefere andar ou pedalar, mesmo se for para passear na casa de praia, em Jaguaruna. “Minha mulher vai de carro e eu de bicicleta”, brinca. “Não existe ex-maratonista. O corredor nunca se aposenta”, avisou.
“Quero inspirar os mais jovens”
Clemente estava nos preparativos das festas de bodas de 50 anos quando soube que conduziria a Tocha Olímpica. Ficou surpreso, mas não recusou. “Eu vi naquele momento que seria uma oportunidade de inspirar os mais jovens”, lembra. “Quando eu treinava no meio do mato diziam que eu era maluco. Não sabiam que estava plantando a semente para as futuras gerações. Vários congressos dizem que se a pessoa quiser sobreviver com mais qualidade de vida tem que praticar o esporte, que é o mais barato. Basta colocar um par de tênis e sair”, sugere. Adepto de uma vida natural, o atleta condena o uso de drogas para melhorar o desempenho no esporte. “A pessoa tem que ser campeão na raça”, criticou.
Atleta de Tubarão será voluntário nas Olimpíadas
Entre os dias 5 e 21 do próximo mês, as atenções de todo o mundo estarão voltadas para o Rio de Janeiro. O motivo será as Olimpíadas Rio-2016. O maratonista de Tubarão, Amarildo Nascimento, de 54 anos, participará das competições, desta vez não como atleta, mas ele desempenhará um papel muito importante no maior evento poliesportivo do planeta, será um dos 35 mil voluntários. Amarildo conta que se inscreveu para participar da competição no início do ano passado, porém o resultado demorou alguns meses para sair. “A agonia foi grande. Como não podia atuar como atleta queria estar ajudando o meu país de alguma forma e o voluntariado contribui para isso. Há seis meses estamos trabalhando com treinamentos especiais online para o evento. Estar nas Olimpíadas é motivo de muita alegria”, festeja o tubaronense.
O maratonista atuará no evento como apoiador e incentivará os atletas no Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão). No local ocorrerão as disputas de atletismo. No último sábado, Amarildo carregou a Chama Olímpica em Torres, no Rio Grande do Sul. Conforme ele, o símbolo foi o seu maior troféu. “Levar a Tocha foi o ápice de tudo. Participar desse momento único no país levando a paz, união e o amor entre os povos é indescritível. Esse presente ficará marcado para sempre na minha vida”, comemora.
O revezamento da tocha começou no dia 3 de maio, em Brasília. Um dos símbolos máximos, passará por mais de 300 municípios brasileiros até chegar ao Estádio do Maracanã, no próximo dia 5, data da cerimônia de abertura. A chama foi acesa com os raios do sol no dia 21 de abril em Olímpia, na Grécia, seguindo tradição milenar. Ela passou por algumas cidades gregas até chegar ao Brasil.
.jpg)
Amarildo carregou a Tocha Olímpica no último sábado em Torres, no Rio Grande do Sul
Foto:Divulgação/Notisul

