Caixa é arrombado em Gravatal
Dois homens morrem em acidentes
Mãe luta para salvar o filho
Jovem conhecia apenas a palavra “oi”
Tubarão
O francês Thomas Marie Philippe Denort, 19 anos, guardará com muito carinho as lembranças dos 11 meses que ficou no Brasil, alguns em Tubarão. O jovem intercambista voltará hoje para a cidade de Nantes, na região de Pays de la Loire, na França.
Tigre perde pela 2ª vez no campeonato
Paulista (PE)
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Semifinal é adiada por conta do mau tempo
Grão-Pará comemora 53 anos
Karen Novochadlo
Tubarão
“O Brasil precisa conhecer a sua história”
A professora Deise Scunderlick Eloy de Farias é coordenadora do Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia da Unisul há 11 anos. Atualmente, faz o estudo sobre peças encontradas, no fim do mês passado, no fundo do mar da costa sul da Ilha de Santa Catarina. Também coordena escavações em sítios arqueológicos de sambaquis na Amurel. Deise é formada em história, com mestrado e doutorado na área de arqueologia pela Pontifícia Universidade Católica do RS.
Karen Novochadlo
Tubarão
Notisul – Você mencionou uma vez que a região é rica em sítios arqueológicos.
Deise – Temos na região uma ocupação antiga muito grande. Vai de dez mil anos atrás, até o contato com o europeu. Os sambaquieiros são os grupos que conhecemos como os mais antigos. Existe a possibilidade de encontrarmos grupos mais antigos no interior.
Notisul – Quais os trabalhos que o Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia esteve envolvido?
Deise – Nós fizemos alguns trabalhos pontuais na Casa de Anita, pesquisas históricas. No Memorial Tordesilhas, fizemos um projeto arqueológico. Temos o projeto de arqueologia pré-histórica dos sítios “Sambaquis e Paisagens”, que envolve mapeamento e escavação de sítios arqueológicos do complexo lagunar sul. Não envolve somente o município de Laguna, como também Tubarão, Jaguaruna e Capivari de Baixo. No último trabalho que fizemos, envolveu Treze de Maio. E temos também o projeto Arqueologia na Mata Atlântica (AMA), que envolve os 17 municípios da Amurel.
Notisul – No que consiste este AMA?
Deise – O projeto tem o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Trabalhamos há cinco anos com ele. Mapeamos e escavamos vários sítios arqueológicos. Um destes que trabalhamos detalhadamente fica em Rio Fortuna, na comunidade de Rio Facão. Há algumas datas no sítio, o que demonstra que na região houve uma ocupação intensa e antiga. O projeto tem como o objetivo entender a ocupação humana na Amurel, desde a pré-história. E também a evolução paleoambiental. Nós temos estudos da flora e da dispersão de espécies vegetais pela região.
Notisul – O que vocês descobriram com este estudo?
Deise – Temos várias descobertas. Uma delas é que não são de grupos nômades. Mas grupos sedentários e estáveis, que estão há muitos anos vivendo no mesmo lugar. Isso caracteriza um ambiente com muita riqueza, para ser explorada tanto em recursos alimentares, quanto em artesanais, medicinais. Também há a questão de madeiras e plantas utilizadas no tingimento de tecidos. Todo ambiente daquele entorno faz com que o homem queira ficar ali um por muito tempo. Eles não precisam circular para coletar o alimento. Além disso, também há a questão cultural. Os grupos escolhem os ambientes também pela forma que se afeiçoam ao espaço. Um exemplo é o cemitério, que é uma marca cultural importante em uma sociedade. Ali, estão enterrados os ancestrais, pessoas que ajudaram a construir aquela história.
Notisul – Você tocou na questão paleoambiental. A vegetação muda com o tempo?
Deise – Sim. Há mil anos, o clima ficou mais úmido e com muita chuva. Houve uma expansão das florestas. A araucária começa a se expandir mais para o leste. Tem uma relação muito grande entre as mudanças ambientais climáticas com a vegetação. E, automaticamente, com a fauna e grupos humanos.
Notisul – Eu desconhecia que a arqueologia também tratava de outros aspectos além da atividade humana…
Deise – A arqueologia é uma ciência que procura entender as sociedades humanas do passado. As sociedades ágrafas, que não têm escrita e, para você compreendê-las, é necessário entender com os homens se relacionavam entre si e com o ambiente. Para você entender isso, precisa compreender a dinâmica ambiental. Na arqueologia, você estuda a evolução da paisagem a partir dos carvões. O carvão vegetal pode indicar, por exemplo, se o grupo cortava ou coletava árvores para fazer as fogueiras. Podemos indicar o tipo de árvore que encontravam. Temos estudos que mostram, nos sambaquis do litoral, que havia muito pintangueira nessas áreas. A madeira queimada era este tipo de árvore. Então, é um indicador de como era o ambiente há 5 mil anos. Isso tudo a arquelogia estuda, porque precisa entender a relação do homem com o meio-ambiente.
Notisul – Quando você consegue compreender o passado, pode fazer previsões para o futuro? Quanto às questões ambientais, por exemplo?
Deise – É interessante, nos países ricos principalmente, que sofrem com a questão ambiental, existe uma preocupação grande em entender os erros do passado para não cometê-los no presente. Isto não ocorre no nosso país. A gente percebe a cada dia que passa que as pessoas preocupam-se em resolver seus problemas hoje. Você pode pegar outros países. A Austrália hoje passa por dificuldades para combater animais que foram levados da Inglaterra, como a lebre, que é um animal que cresce sem controle no país. Esses países começam a se preocupar em saber como era antes, como as pessoas viviam e chegaram a destruir tais áreas. A partir deste ponto, começam a rever e fazer planejamento ambiental, de gestão, urbano, social. Se você pegar o litoral sul catarinense como exemplo, a forma de ocupação desordenada.
Notisul – Você participou de várias escavações. O que mais lhe chamou a atenção?
Deise – Todas as coisas que encontramos são interessantes. Mas o que chama a atenção da população é quando se encontra esqueletos. Não sei por quê. O interessante de escavar um sepultamento é que ele dá ideia das relações sociais entre os grupos. O esqueleto mostra a hierarquia, a alimentação do grupo ou indivíduo. De que forma? Existe um mobiliário funerário em volta do morto. Você pode dizer quando é o enterro de um rico ou de um pobre. O mobiliário funerário de alguém com status social é acompanhado de muitas coisas, como artefatos em pedra polida, fogueiras, restos alimentares. Mulheres com adornos, conchinhas trabalhadas como colares, bandanas nas testas e quadris. Enquanto outros há poucas coisas ou nada. Isso já caracteriza uma hierarquização social.
Notisul – Tem como determinar, pelo esqueleto, a ocupação que da pessoa ou outra característica?
Deise – Às vezes sim. Alguns esqueletos têm marcas de estresse repetitivo. Alguns ossos, com o movimento contínuo, ficam marcados. Por exemplo, o movimento contínuo de remo provoca marcas nos ossos. A musculatura desenvolvida vai cavando o osso e deixa sulcos no osso. Quer dizer que ele tinha muita força. A gente encontrou na Ilha de Santa Catarina esqueletos em que o osso do ouvido se desenvolveu, para evitar que entrasse a água. Isso é comum em mergulhadores por apneia, o desenvolvimento de calo ósseo para evitar que água fria penetre.
Notisul – Tem como determinar a idade daquele indivíduo ou a idade média daquele grupo?
Deise – Existe um cálculo aproximado pelas fissuras que temos no crânio. À medida que envelhecemos, as fissuras vão fechando. Quando a criança nasce, ela tem a moleira. Quando o cérebro para de expandir, fecha. É o mesmo para as fissuras. E as medidas entre cada fissura indicam um padrão de idade.
"Nós estudamos dois ou três meses sobre as pirâmides do Egito e Mesopotâmia,e quantas aulas as crianças tem sobre os sambaquis, que são grandes monumentos? Uma, duas, três?"
"O que sabemos é que várias sociedades humanas no passado se autodestruíram pela pela devastação ambiental. Na Ilha de Páscoa, os humanos cortavam as árvores para construir grandes estátuas para adorar seus deuses. O que aconteceu depois é que se esgotaram os recursos e se extinguiu a população."
Deise por Deise
Deus: Energia para movimentar o homem.
Família: É tudo.
Trabalho: Satisfação.
Passado, presente e futuro: A partir do presente você estuda o passado e constrói um futuro melhor.
Não há prazo para a nova licitação
Zahyra Mattar
Tubarão
Agora sim chegou ao fim o impasse quanto à licitação do túnel no Morro do Formigão, na BR-101, em Tubarão. O processo foi dado como fracassado em 20 de abril, ou seja, as duas únicas concorrentes – a Serveng Civilsan e o consórcio Sulcatarinense/Convap – foram consideradas inabilitadas a continuar no processo.
Agora está oficializada a nulidade do certame e confirmada a realização de outro. Até então, havia uma chance do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) reconsiderar e manter as duas únicas concorrentes. Com o descarte desta possibilidade, o processo está finalizado.
Quando o Dnit declarou a licitação fracassada, a empreiteira Sulcatarinense entrou com uma representação contra a decisão em maio. A comissão do Dnit negou o provimento. Não há prazo definido para a publicação do novo edital, que não deverá ser tão diferente do primeiro.
Isto porque o lançamento de novas concorrências não é possível no momento, em virtude da crise instalada no Ministério dos Transportes. O túnel no Morro do Formigão terá 900 metros. É o menor dos três previstos na duplicação da BR-101 sul.
Já a licitação da ponte em Cabeçudas e a duplicação das pistas complementares, em Laguna está finalizada. Contudo, ainda é preciso as licenças ambientais para que as vencedoras possam instalar-se. A ordem de serviço ainda não foi entregue.
Túnel Morro do Formigão
Valor global: R$ 57.308.398,33.
Prazo de execução da obra: 720 Dias.
Descrição da obra
A obra, um único lote, tange a perfuração do túnel de 900 metros no Morro do Formigão, em Tubarão. O projeto compreende ainda a execução de duas faixas de rolamento, acostamento e passarelas para pedestres.
Desabilitação das empresas
A Serveng Civilsan foi inabilitada por não ter comprovado serviços na área já executados por profissionais vinculados à empresa. Conforme o Notisul antecipou ainda em janeiro, a empresa de São Paulo documentou que atende a exigência do edital, mas não anexou o documento por engano. A inclusão destas informações foi recusada pela comissão de licitação do Dnit. Já o Sulcatarinense/Convap foi desclassificado porque os proprietários da Sulcatarinense, líder do grupo, são também sócios da STE, empresa responsável pela elaboração do projeto de perfuração do túnel.
Outras pendências
Supervisão de obras
O processo de escolha das empresas que farão a supervisão das obras de abertura do túnel no Morro do Formigão, em Tubarão, e da ponte de Cabeçudas, em Laguna, foi revogado em abril. O motivo foi que a concorrência previa que uma única empresa faria a supervisão das duas obras. É esperado que um novo edital seja lançado. Não há prazo para isso. O processo estava orçado em R$ 9.237.313,22 (valores de julho do ano passado).
Morro dos Cavalos
O suntuoso projeto de transposição do Morro dos Cavalos, na BR-101, em Palhoça, já tem o estudo e o relatório (EIA/Rima) de impacto ambiental, feitos pela Fundação de Apoio à Educação, Pesquisa e Extensão da Unisul (Faepesul), já aprovados pelo Ibama. O projeto está pronto e é revisado. A previsão é que o edital de licitação seja lançado neste ano.
Lote 25: obras ainda não foram retomadas
Os trabalhadores do consórcio Araguaia/Blokos/Emparsanco, responsável pelas obras de duplicação da BR-101 sul no lote 25, entre Laguna e Capivari de Baixo, foram novamente dispensados ao chegar na sede do grupo na manhã desta sexta-feira.
Ninguém atuou no trecho. As obras estão paradas desde terça-feira, quando os operários cruzaram os braços por falta de pagamento dos salários. Na quinta-feira, o mesmo ocorreu: todos foram dispensados e não houve expediente. Os acertos começaram a ser feitos na noite de quarta-feira, por um representante do consórcio diretamente com os funcionários.
As rescisões dos ex-trabalhadores, contudo, ainda não começaram a ser pagas. Alguns estão com as carteiras funcionais ‘retidas’, não conseguem dar entrada no seguro desemprego. O FGTS não foi depositado.
Há rumores de que haverá demissões. Hoje, o quadro de funcionários é de 60 a 70 operários. Fala-se em 40 dispensas. O Notisul entrou em contato com a Araguaia, atual gestora do consórcio. Ninguém atendeu o telefone.
Camargo Corrêa começa a contratação de mão-de-obra em Laguna
A construção da nova ponte sobre o canal de Laranjeiras, na comunidade de Cabeçudas, em Laguna, envolverá aproximadamente 1,5 mil funcionários. Deste total, cerca de 750 homens são operários especializados, e serão trazidos pelo consórcio liderado pela Camargo Corrêa para Laguna.
O restante dos 750 postos de trabalho será preenchido com cidadãos lagunenses e da região. Haverá vagas, por exemplo, para operador de máquina, técnico administrativo e pedreiros.
Por meio de uma parceria entre o Sistema Nacional de Emprego (Sine) e a secretaria de assistência social da prefeitura, pelo menos 500 destas vagas locais serão ofertadas às famílias atendidas pelo Bolsa Família, do governo federal.
O cadastro dos interessados será feito na próxima terça-feira, quando um veículo do Sine estará em frente à creche da Vila Vitória para isso. É preciso ter mais de 18 anos e levar a carteira de trabalho, a identidade e o CPF. Hoje, Laguna tem 2.166 mil famílias cadastradas no Bolsa Família.
Ponte e pistas complementares
Ponte de Cabeçudas
A licitação, homologada em 2 de março, diz respeito à execução da ponte, pilares e viadutos sobre o canal de Laranjeiras. A extensão total é de 2.815 metros e o prazo de execução é 1.080 dias a partir da assinatura da ordem de serviço. A concorrência foi vencida pelo consórcio Camargo Corrêa/M.Martins/Construbase. O grupo apresentou orçamento de R$ 597.190.345,20. Um deságio de 1,4% (índice arredondado) em relação ao valor máximo proposto na licitação: R$ 605.452.584,97. Uma economia de R$ 8.262.239,77 à União. O projeto arrojado da transposição do canal de Laranjeiras foi desenvolvido pelo consórcio Engevix/Iguatemi, com proposta de R$ 2,73 milhões. A obra compreende uma extensão de 7,9 quilômetros, entre as comunidades de Bentos e Laranjeiras, e iniciará pela fundação dos pilares. A ponte, no estilo estaiada, será única em Santa Catarina.
Pistas complementares
A homologação do resultado da licitação ocorreu no último dia 6. O vencedor foi o consórcio Castellar/TV, com valor global R$ 63.298.372,31. Um deságio de 11,24% em relação ao valor máximo proposto na licitação: R$ 71.312.586,69. São 5,1 quilômetros de pistas a serem duplicadas. O prazo para conclusão é de 420 dias, a partir da entrega da ordem de serviço, que não tem data para ocorrer.
União vai bancar parte da obra
Zahyra Mattar
Tubarão
A efetivação da obra redragagem do Rio Tubarão está próxima. A confirmação é do secretário estadual do planejamento, Filipe Mello. Pelo twitter, nesta sexta-feira, o gestor informou ao Notisul que esteve quinta no Ministério das Cidades para tratar do assunto.
“Evoluímos no projeto básico e na captação dos recursos necessários. Estamos trabalhando”, escreveu. Confirmou ainda que o governo federal será parceiro também na viabilização financeira da obra.
O percentual de quanto a União, estado e municípios irão arcar ainda não estão definidos “Este daí é um assunto para mais adiante”, ressalvou Mello, no microblog, ao destacar também a importante parceria do secretário nacional de saneamento, Leodegar Tiscoski, na intermediação para viabilizar os recursos e a adequação do projeto.
São necessários pelo menos R$ 80 milhões para remover 6.831.455,075 metros cúbicos do fundo do rio. A obra compreende todo o trecho do manancial. São 29,7 mil metros entre a área urbana de Tubarão até a foz, em Laguna.
O projeto que Mello tem em mãos é o mesmo apresentado anteriormente na capital federal. Foi desenvolvido pelo Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) e pela Cidasc em 2008. É preciso atualizar planilhas e toda a parte técnica.
A meta do secretário é adaptar e aprovar o projeto e viabilizar os recursos este ano. Não existe um prazo para isso terminar, portanto, não há como dizer quanto a obra ocorrerá efetivamente. “Sei da urgência, mas, sem projeto, não tenho dinheiro. Sem dinheiro, não tenho obra”, pontua Mello.

