Zahyra Mattar
Tubarão
Com o bombardeio de denúncias que recaem sobre o Ministérios dos Transportes, uma solução para a retomada das obras no lote 25 de duplicação da BR-101, entre Capivari de Baixo e Laguna, também é colocada em xeque. As obras estão paradas há oito dias, por conta da falta de pagamento dos salários. Indignados e sem respostas do consórcio Araguaia/Blokos/Emparsanco, os trabalhadores cruzaram os braços.
Os salários começaram a ser pagos na noite de quarta-feira passada por um representante do grupo. Na quinta e na sexta-feira, os funcionários compareceram para trabalhar, mas foram dispensados. O mesmo ocorreu segunda-feira e ontem. Os operários dizem que os gestores do consórcio não estão em Laguna, onde fica a sede do grupo. Ontem, deveria ter ocorrido uma reunião, em Brasília, para definir como ficará a situação.
Contudo, o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), Hideraldo Caron, que havia intimado o consórcio a se explicar, foi afastado. É esperado que o Planalto anuncie um substituto logo. O problema é que, até o convocado aceitar assumir, inteirar-se dos problemas e descascar o pepino, vai um bom tempo.
Neste caso, a pergunta é outra: quando as obras serão retomadas? Por ora, o discurso é que as obras em andamento não serão – e nem estariam – afetadas por causa da crise nos Transportes, que também culminou no afastamento do diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot. Desde terça-feira da semana passada, o Notisul tenta contato com a Araguaia, sem sucesso.
Começa o cadastro de trabalhadores à obra da ponte
Desempregado há dois meses, André Henrique Bitencourt, 21 anos, nem acreditou quando uma oportunidade de emprego ‘bateu no seu ouvido’, literalmente. “Quando escutei o carro de som anunciar que o caminhão do Sine estaria no meu bairro em busca de trabalhadores, não pensei duas vezes”, conta André.
Assim como ele, muitos moradores estão ansiosos em fazer parte da equipe do consórcio Camargo Corrêa/M.Martins/Construbase, que construirá a ponte de transposição do canal de Laranjeiras, na comunidade de Cabeçudas, em Laguna.
Ontem, o posto volante do Sine esteve no bairro Vila Vitória e cadastrou 40 homens, entre 30 a 50 anos, para serem selecionados. A ação é realizada por meio de uma parceria entre o Sistema Nacional de Emprego e a secretaria de assistência social da prefeitura de Laguna.
A prioridade é cadastrar as pessoas que recebem o benefício do programa Bolsa Família, do governo federal. O ônibus do Sine também passará pelos bairros Portinho e Barbacena.
Atualmente, 2.166 mil famílias de Laguna estão cadastradas no Bolsa Família. A meta é ocupar 500 das 800 vagas de emprego que o consórcio abrirá para Laguna com estas pessoas.
Também há vagas para mulheres, como cozinheiras e serviços gerais. Neste caso, o cadastro deve ser feito no posto do Sine em Laguna, na rua Raulino Horn (da praça da República Juliana). O telefone para contato é o 3644-1122.
Como vai ser feita a ponte?
O canteiro de obras e o setor administrativo do consórcio Camargo Corrêa/M.Martins/Construbase em Laguna será instalado na SC-436, ao lado do bairro Cohab, em uma área de dez hectares. O espaço já foi alugado.
O terreno tem acesso até a lagoa, um dos motivos para ter sido escolhido. Isto porque toda a parte de concretagem e demais trabalhos deste tipo serão feitas em terra. Todo o material e trabalhadores serão transportados por balsas gigantescas até o local da obra. Serão usados cerca de 20 balsas.
Cerca de 20 engenheiros do grupo já estão em Laguna para iniciar os trabalhos, medições e uma série de questões ‘burocráticas’. A ponte sobre o canal de Laranjeiras foi licitada por R$ 597.190.345,20.
A construção terá quatro etapas. Na primeiro, será feita a fundação no solo. Depois, a construção dos pilares. A terceira fase é a colocação dos mastros e a última são os acabamentos.
Fases da obra
1ª – Fundação
No solo embaixo da ponte, serão feitas escavações com 2,5 metros de diâmetro, que serão protegidas com camisas metálicas. A mais profunda ficará a 75,8 metros de profundidade. Essas estacas serão armadas com vergalhões de concreto e, depois, preenchidas com concreto. Quatro equipes trabalharão ao mesmo tempo, em pontos diferentes da ponte.
2ª – Construção dos pilares
Assim que a fundação estiver pronta, começa a construção dos pilares de concreto, que irão sustentar as aduelas. A primeira de cada pilar é chamada de aduela de disparo. Construída no próprio local, serve de apoio para receber as demais, que serão colocadas simultaneamente em sentidos opostos em relação ao pilar. Concluída a armação das aduelas em um vão, a estrutura é completada com as abas laterais, que também são pré-moldadas. Paralelamente às duas primeiras etapas, as aduelas e as abas começam a ser feitas no canteiro de obras logo ao início da obra e, assim que dois pilares contínuos ficarem prontos, elas serão automaticamente transportadas e colocadas na estrutura.
3ª – Colocação dos mastros
A parte estaiada do vão central será apoiada em dois mastros com 50 metros de altura em relação ao pavimento da ponte. Em cada lado dos mastros, serão instalados 14 cabos chamados de estais (serão 56 no total), que terão a função de sustentar e dar equilíbrio à estrutura.
4ª – Acabamento
Nesta fase, serão feitas a colocação de proteções nas laterais e no centro da ponte, a pavimentação do tabuleiro e a pintura de faixas.