Karen Novochadlo
Tubarão
Desde os quatro meses de idade, Jean da Rosa Cardoso Júnior, hoje com 17 anos, de Tubarão, tem problemas de saúde. Na infância, foi diagnosticado com bronquiolite obliterante: seu pulmão não se desenvolvia. Os pais acharam que teriam um final feliz com o transplante. Mas descobriram uma sociedade despreparada para lidar com transplantados.
Aos 10 anos, Jean descobriu que, se não fizesse o transplante, viveria apenas 2 anos. Foram oito meses de testes até seus pais serem aprovados como doadores. Depois da cirurgia, o menino teve uma vida praticamente normal. “Antes, eram necessários vários cuidados”, relata Jean.
Hoje, é preciso a ingestão diária de quatro remédios para evitar a rejeição. De dois anos para cá, a medicação começou a causar problemas no estômago. O rapaz, que antes tinha 70 quilos, chegou aos 36. Os vômitos são constantes. Os pais Jean da Rosa Cardoso, 42 anos, e Marileia Nunes Cardoso, 42, voltaram a lutar pela vida do rapaz. Para conseguir qualquer coisa do estado, é uma batalha.
Faz apenas três meses que Marileia conseguiu uma ambulância para transportar o rapaz para Porto Alegre a cada dois meses. Ele precisa realizar vários exames periodicamente. Também é uma briga conseguir os remédios. Às vezes, é necessário realizar uma ginástica para evitar que a medicação, entregue pelo estado, não falte.
A mãe luta para conseguir melhores condições no tratamento fora do domicílio e assistência psicológica. “Sinto falta de uma ONG ou de alguém para conversar”, lamenta ela. O secretário de saúde da prefeitura de Tubarão, Roger Augusto Vieira e Silva, comprometeu-se a ajudar a família.
"As pessoas me dizem que é uma
vitória o meu filho estar vivo há seis anos,
já que transplantados vivem entre dois e quatro
anos. Mas não entendem que quero meu
filho perto de mim."
Marileia Nunes Cardoso, 42 anos, mãe de
Jean da Rosa Cardoso Júnior

