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Para não dizer que não falei da carga tributária

Tenho conversado com pessoas que falam da carga tributária elevada que governo federal cobra, sem retorno equivalente, segundo eles. Então pergunto se o percentual está certo e se todo esse imposto vai mesmo para o governo federal, pois estados e municípios também cobram impostos. Assim, se na nota fiscal consta 32% de tributos, é necessário saber quanto vai para os governos – estadual ou municipal.

O que muitos acham é que tudo vai para o governo federal, o que não é verdade! Após vários pedidos, o IBPT está separando o percentual que vai para o governo federal, estadual ou municipal e estabelecimentos já estão emitindo notas fiscais fazendo essa separação, ficando mais claro aos contribuintes.  

Para se ter uma ideia, nos combustíveis incide em média 29%, sendo 13% de imposto federal e 16% de estadual. Nos alimentos, os tributos federais (9%) são menos do que os estaduais (12%). Nos medicamentos, impostos são praticamente iguais: em 14% federal e 15% dos estados. Já nos supérfluos (joias, relógios, óculos e similares), estados cobram o dobro do imposto federal (25/12,2%), o que se inverte quando se trata de bebidas, cigarros e afins. 

E tem mais: o governo federal instituiu a “desoneração fiscal”, reduzindo impostos de veículos, materiais de construção, informática, eletrodomésticos, contribuições previdenciárias, cesta básica/alimentos, além de criar o SuperSimples (mais empresas pagando menos) e as faixas de 7,50/22,50% na tabela de imposto de renda. E remédio de uso contínuo pode ser comprado com desconto de 88% nas farmácias populares! Isso influencia nos preços, como o arroz, que custava R$ 13,00/5kg em dezembro/2002. Para saber o preço hoje, é só ir em um mercado e ver que  reduziu bastante.  O cimento, que paguei R$ 23/saca 50kg em 2003, hoje não passa disso. E nem vamos falar da informática, cujos preços despencaram nos últimos anos. Essa desoneração fiscal resultou na redução na arrecadação federal de R$ 245 bilhões em 2014 e quase R$ 308 bilhões ano passado, ficando uma carga tributária líquida de 19%.  Sugeri ao pessoal do “impostômetro” que criem o “sonegômetro”, pois é preciso medir e divulgar os valores da sonegação de impostos. Segundo o Sindifisco/DF, alguns brasileiros mandaram R$ 1.200.000.000.000,00 (Um trilhão e duzentos bilhões) para fora do país, sem declaração, cuja sonegação é de R$ 410.000.000.000,00 (Quatrocentos e dez bilhões). O Senado deve aprovar lei para repatriar esse valor. Falando em impostos, existem determinadas igrejas que deveriam pagar, pois algumas têm jornais, rádios, emissoras de televisão, etc. E se tem isso tudo, devem ser tributadas!  

Por fim, sugiro aos amigos e pessoal da imprensa que antes de falar em carga tributária, vejam seus percentuais e o que vai para os governos federal, estadual ou municipal, pois alguns não estão seguindo o item I do art.221/CF, em relação à clareza, correção e verdade das informações repassadas ao público.

 

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