A disputa pela compra da Warner Bros. Discovery (WBD) ganhou um novo capítulo após a Paramount apresentar uma proposta de US$ 108 bilhões nesta segunda-feira (8), superando a oferta de US$ 72 bilhões feita anteriormente pela Netflix. A ofensiva é considerada uma oferta hostil, já que foi levada diretamente aos acionistas, sem o apoio da diretoria da WBD.
Por que a oferta da Paramount muda o cenário
A Paramount propõe adquirir 100% da Warner, incluindo seus canais de TV a cabo, como CNN e TNT. A empresa oferece US$ 30 por ação, acima dos US$ 28 apresentados pela Netflix.
Segundo o CEO da Paramount, David Ellison, a nova proposta entrega “valor superior e um caminho mais seguro para a conclusão do negócio”. A empresa também argumenta que sua fusão teria menos entraves regulatórios, evitando preocupações com concentração de mercado no setor de streaming.
Como ficam os acionistas e o processo regulatório
A oferta hostil da Paramount ficará aberta até 8 de janeiro de 2026, podendo ser prorrogada. Caberá aos acionistas decidir se aceitam ou não a proposta.
Além disso, qualquer transação precisará passar pelas agências reguladoras dos EUA, que analisam riscos de monopólio. A Reuters já apontou que a compra pela Netflix enfrentaria forte escrutínio antitruste, pois uniria dois dos maiores players do streaming mundial.
A Paramount sustenta que essa combinação teria mais chance de aprovação. Já o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, afirmou que o acordo firmado com a Warner é “seguro, benéfico aos acionistas e consumidores”, demonstrando confiança na aprovação regulatória.
Multas e impacto no mercado
Caso a Paramount vença a disputa, a Warner deverá pagar à Netflix uma multa rescisória de US$ 2,8 bilhões.
Se a Warner seguir com a Netflix, mas o negócio for barrado pelos reguladores, a Netflix pagará US$ 5,8 bilhões à WBD.
As ações da Warner Bros. Discovery subiram 7% após a divulgação da nova oferta.
A guerra de lances
Nas últimas semanas, Paramount, Netflix e Comcast participaram de uma disputa por valores e condições para adquirir a Warner. A Paramount já havia sinalizado propostas anteriores desde setembro, mas encontrou resistência dentro da WBD.
Agora, em oferta pública, o objetivo é convencer acionistas de que a fusão pode fortalecer o setor cinematográfico, com promessa de lançar mais de 30 filmes por ano nos cinemas. A distribuição nas telonas é vista como ponto sensível especialmente no caso da Netflix, que historicamente prioriza lançamentos diretos no streaming.
Sarandos, porém, reforçou que a Netflix manterá seu “compromisso com os cinemas”, ainda que com ajustes nos períodos de janela de exibição.

