Início Geral Pedra do Índio, em Gravatal, atrai trilheiros de Criciúma

Pedra do Índio, em Gravatal, atrai trilheiros de Criciúma

“Só consigo pensar, quando caminho. Minha mente só funciona com minhas pernas.” é uma das frases pintadas em pedaços de madeira que ladeiam a trilha que leva ao mirante da Pedra do Índio, em Gravatal. O local, distante 8 quilômetros do centro da cidade, tem 550 metros de altitude e pertence a uma propriedade particular da comunidade rural de São Miguel.

Além das áreas urbanas, do alto do morro pode-se enxergar a Lagoa de Imaruí e o Farol de Santa Marta. Uma taxa de cinco reais por pessoa é cobrada e pode ser depositado numa caixinha improvisada numa cabana. O Grupo Sintonia com a Natureza, de Criciúma, acampou na comunidade de Bom Retiro, em São Ludgero. Neste sábado, dia 20, percorreram de carro parte do interior das duas cidades até o início do percurso.

Carrancas indígenas, bancos e pedras batizadas como Coração Partido, Pipoka, Mão que Acolhe e Trono das Reflexões, atraem a atenção dos trilheiros. No meio do caminho uma placa curiosa conta sobre a lenda do Morro do Itajaó. Segundo registros, os padres jesuítas deixaram um roteiro que afirma existir entre Lages e Laguna possivelmente a maior mina de prata do mundo.

“Lugares como este melhoram nossa qualidade de vida. Estar com o grupo é algo indescritível, rimos juntos, um ajuda o outro, um incentiva o outro, um desabafa seus problemas e o outro tentar ajudar. Considero todos uma extensão da minha família. Eu sou um milagre, o médico comentou que fazer trilha acabou soltando as hérnias do nervo, eu corria risco de precisar fazer cirurgia, e agora é só cuidar para ela não inflamar”, disse Cristina Marcelo da Silva.

No início da estrada que leva à Pedra do Índio há uma bancada com centenas de vasos de plantas suculentas colocadas à venda. As pessoas podem escolher, verificar o preço e pagar deixando o dinheiro numa caixa de isopor. Uma placa avisa que estão sendo filmadas pelos olhos de Deus. Um dos participantes do grupo, Cleber Duarte Coelho, é professor de Filosofia. O negócio à beira do caminho o levou a refletir sobre Immanuel Kant, filósofo do Iluminismo, quando disse que as pessoas devem pensar e agir de tal modo que todas as suas ações possam ser transformadas em lei universal.

“Um papel de bala jogado no chão, a embriaguez ao volante, uma pedra riscada para deixar seu nome registrado num lugar ermo, uma gentileza no trânsito ou no estacionamento do supermercado, devolver o troco correto, não são e nunca serão ações isoladas. Todas as nossas ações reverberam no contexto social no qual estamos inseridos, em maior ou menor grau. Talvez nossa maior esperteza consista em estarmos atentos à necessidade de lapidarmos nosso caráter para sermos melhores pais, amigos, companheiros e cidadãos”, refletiu Coelho.

Na comunidade de São Miguel há outros atrativos como a Gruta Nossa Senhora da Saúde, formada por pedras sobrepostas. Também está aberta para visitação a cachoeira São Miguel localizada às margens do córrego São Bento na propriedade que tem o casarão colonial da Família Lunardi, construído pelos primeiros colonizadores italianos da região.

 

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Texto e foto: Ana Lúcia Pintro

 

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